Mundo
Guerra no Médio Oriente
Israel. Likud marca dissolução do Knesset para a semana após Netanyahu perder apoio dos ortodoxos
O impasse sobre a isenção de serviço militar obrigatório para os estudantes religiosos ultraortodoxos, levou o partido do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, a marcar a dissolução do parlamento israelita. A oposição acolhe eleições antecipadas de braços abertos.
A crise política foi desencadeada depois de Netanyahu, de
acordo com o jornal israelita Haaretz, ter proposto aos líderes
políticos ultraortodoxos o adiamento da apresentação da proposta de lei a isentar os estudantes religiosos do serviço militar obrigatório. O primeiro-ministro israelita pretendia avançar com a legislação apenas após as próximas eleições legislativas.
A fação judaica Haredi, ultraortodoxa, reagiu com indignação à ideia.
Acusou o primeiro-ministro de faltar
a promessas de criar a legislação para proteger a comunidade do recrutamento a que a maioria dos judeus israelitas tem de se submeter.
O
partido que representa os Haredi, o Degel HaTorah, da coligação que sustenta o
governo, pediu terça-feira a imediata dissolução do parlamento.
"Já
não confiamos em Netanyahu", disse o Degel HaTorah, num comunicado público. "Precisamos de dissolver o parlamento
imediatamente".
O partido Likud, do primeiro-ministro, aceitou a exigência e anunciou
esta quarta-feira que a dissolução terá lugar já na próxima semana.
Segundo relatos dos meios de comunicação israelitas, o projeto de lei de dissolução poderá ser votado a 20 de maio.
“Estamos prontos. Juntos”, reagiu logo a seguir o líder da oposição israelita, Yair Lapid.
Lapid escreveu na rede X, usando o nome do novo partido político, “Beyahad” (Juntos), que criou no final de abril, em parceria com o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, para derrotar Netanyahu.
Entre os ortodoxos e o Supremo Tribunal
A isenção dos judeus ultraortodoxos do serviço militar em Israel divide a
sociedade israelita há décadas. Historicamente, Israel isenta os jovens
homens e mulheres da devota
comunidade ultraortodoxa para lhes permitir frequentar estudos
religiosos.
Na verdade, Netanyahu tem estado sob pressão desde que, no ano passado, o Supremo Tribunal de Israel ordenou ao governo que convocasse os israelitas ultraortodoxos para o serviço militar.
A guerra em Gaza e a necessidade de mais soldados aumentaram a
pressão política sobre a comunidade Haredi, para que participe no serviço
militar, com a isenção a ser alvo de críticas de setores da sociedade que defendem igualdade no serviço obrigatório.
Entre o cumprimento de promessas aos parceiros de coligação ortodoxos e a pressão social e judicial, Netanyahu pareceu optar pela fuga em frente.
A confirmar-se a dissolução, as eleições poderão ocorrer, em teoria, já no final de agosto. Netanyahu, que concorre a mais um mandato, permaneceria primeiro-ministro em exercício até ao ato eleitoral.Por lei, Israel tem de realizar novas eleições até 27 de outubro.
A legislação para dissolver o parlamento israelita irá exigir quatro votações plenárias [uma votação preliminar e três votações subsequentes] com o apoio de uma maioria simples de 61 deputados no Knesset, que tem 120 membros.
Acredita-se que os sete partidos Haredi que integram o Degel HaTorah, preferem o dia 1 ou 15 de setembro, enquanto Netanyahu, segundo os relatos, quer evitar eleições muito próximas do aniversário da invasão e massacre liderados pelo Hamas a 7 de outubro de 2023, no sul de Israel.
Acredita-se que os sete partidos Haredi que integram o Degel HaTorah, preferem o dia 1 ou 15 de setembro, enquanto Netanyahu, segundo os relatos, quer evitar eleições muito próximas do aniversário da invasão e massacre liderados pelo Hamas a 7 de outubro de 2023, no sul de Israel.