Manifestação organziada por expatriados contra Governo romeno faz feridos e detidos

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Dezenas de milhares de romenos manifestaram-se hoje em Bucareste contra o Governo, num protesto organizado por expatriados para exigir a demissão do executivo e eleições antecipadas e que originou confrontos, detidos e feridos, adiantou a agência AP.

Alguns manifestantes envolveram-se em confrontos com a polícia de choque quando tentavam passar uma barreira policial que os separava de instalações do Governo.

Várias pessoas foram detidas e a polícia lançou por diversas vezes gás pimenta, tendo ao final do dia usado canhões de água contra os manifestantes.

O serviço de ambulâncias de Bucareste disse que mais de 200 pessoas, entre manifestantes e agentes da polícia, receberam tratamento médico, algumas com ferimentos na cabeça, outras por não terem suportado o gás pimenta.

Em reação à ação policial, o Presidente da Roménia, Klaus Iohannis, crítico do Governo, disse que "condena firmemente a brutal intervenção da polícia de choque", que classificou como desproporcionada num protesto que foi maioritariamente pacífico.

Os emigrantes que organizaram a manifestação em Bucareste, capital da Roménia, alguns dos quais atravessaram a Europa de carro para estar presentes, disseram estar descontentes pela forma como o país está a ser governado, nomeadamente no que diz respeito à luta contra a corrupção desde que o Partido Social Democrata chegou ao poder em 2016.

Estima-se que cerca de três milhões de romenos vivam fora do país e alguns dizem que saíram devido à corrupção, baixos salários e falta de oportunidades.

"Não queremos que o nosso país seja governado por ladrões que enchem os próprios bolsos", disse Georgeta Anghel, 43 anos, que vive em Espanha há 14 anos.

"Se nada mudar aqui, que futuro terá o nosso filho?", questionou a emigrante romena.

A Roménia é um dos países mais corruptos da União Europeia e Bruxelas mantém o sistema judicial romeno debaixo de apertada vigilância.

A atual primeira-ministra da Roménia, Viorica Dancila, de 54 anos, a primeira mulher a ocupar esse cargo, é o terceiro chefe de Governo num curto período.

A primeira-ministra lidera o Governo apoiado pelos sociais-democratas, mas criticado pela União Europeia (UE), após a aprovação de legislação que os críticos consideram dificultar a perseguição judicial à corrupção de alto nível.

Dancila deu o seu apoio a estas proposta, que motivaram manifestações dos opositores nas principais cidades do país.

Os dois anteriores primeiros-ministros foram demitidos por alegadamente não respeitarem a linha política imposta pelo Partido Social-democrata (PSD, no poder) e em particular por não fornecerem o apoio total à reformulação do sistema judicial.

Mihai Tudose demitiu-se de primeiro-ministro no início de janeiro, após o partido lhe ter retirado o apoio. Tinha substituído Sorin Grindeanu, forçado a abandonar o executivo após um voto de não confiança apresentado no parlamento pelo seu próprio partido em junho.

Dancilla deverá desempenhar uma função de gestão, com a política governamental a ser decidida pelo líder do PSD, Liviu Dragnea, impedido de assumir o cargo de primeiro-ministro devido a uma condenação por manipulação de resultado eleitoral.

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