Militares europeus chegam à Gronelândia enquanto Trump reitera interesse na ilha

Um pequeno contingente militar francês chegou esta quinta-feira a Nuuk, capital da Gronelândia, enquanto vários países europeus mobilizam pequenos contingentes para o que chamam "missão de reconhecimento".

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Marko Djurica - Reuters

Quinze soldados franceses chegaram esta quinta-feira à Gronelândia, juntando-se a soldados da Alemanha, Noruega e Suécia para uma “missão de reconhecimento”.

A Alemanha enviou um avião para Nuuk na quinta-feira com um contingente de 13 soldados, embora as autoridades tenham afirmado que eles permaneceriam na Groenlândia apenas até sábado. A Suécia enviou três oficiais e a Noruega dois.

O destacamento limitado tem como objetivo enviar uma mensagem de apoio à Gronelândia, numa altura em que o presidente norte-americano, Donald Trump, continua a pressionar pela aquisição da ilha.

"Este é um primeiro exercício. Mostraremos aos EUA que a NATO está presente", disse o diplomata francês Olivier Poivre d'Arvor. Apesar de modesto, este destacamento é, no entanto, "sem precedentes", salientou Poivre d'Arvor. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que o contingente inicial será reforçado em breve com "recursos terrestres, aéreos e marítimos".

O ministro da Defesa da Dinamarca, Troels Lund-Poulsen, também disse esta quinta-feira que não tinha um número final para a presença alargada da NATO na Gronelândia.

"Mas é claro que agora poderemos planear uma presença maior e mais permanente ao longo de 2026, e isso é crucial para mostrar que a segurança no Ártico não é apenas para o Reino da Dinamarca, mas para toda a NATO”, declarou.

Trump volta a insistir que precisa da Gronelândia
O envio de tropas foi anunciado horas depois de um encontro na Casa Branca entre autoridades dos EUA, da Dinamarca e da Gronelândia.

À saída deste encontro, na quarta-feira, o ministro dinamarquês dos Negócios Estrangeiros disse que permanecia uma “discordância fundamental” e que não conseguiram mudar a posição dos EUA.

Donald Trump continua a insistir no seu desejo de adquirir a Gronelândia. Esta quinta-feira, o presidente norte-americano reiterou que os EUA precisam da Gronelândia “para a segurança nacional”, nomeadamente para conter os avanços da Rússia e da China no Ártico.

Embora não tenha descartado o uso da força, Trump afirmou na noite de quarta-feira que acreditava ser possível chegar a um acordo com a Dinamarca.

"O problema é que a Dinamarca não pode fazer nada se a Rússia ou a China quiserem ocupar a Gronelândia, mas nós podemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance. Vocês descobriram isso na semana passada com a Venezuela”, disse.

Trump tem alertado para a ameaça russa e chinesa para justificar a sua intenção de adquirir a ilha do Ártico. No entanto, atualmente existem poucas provas de que um grande número de navios chineses e russos estejam a navegar perto da costa da Gronelândia.

Esta quinta-feira, a Rússia afirmou que as declarações sobre Moscovo e Pequim representarem uma ameaça para a Gronelândia são um mito criado para incitar a histeria e alertou para os perigos de uma escalada do confronto na região.

Ainda assim, uma porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros avisou que qualquer tentativa de ignorar os interesses da Rússia no Ártico não ficará sem resposta.
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