Ministro moçambicano das Finanças critica Renamo e diz que é preciso valorizar paz

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O ministro das Finanças de Moçambique criticou hoje a ameaça do principal partido da oposição, a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), de abandonar as negociações de paz, defendendo que é preciso valorizar a paz.

"Qualquer pronunciamento, seja de onde vier, se não contribuir para a estabilidade, para a paz que é necessária, naturalmente que é sempre muito mau", sublinhou Adriano Maleiane, em Bali, na Indonésia, onde participa nos Encontros Anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, que terminam hoje.

"Eu tenho que acreditar que o esforço do Governo, em particular do Presidente da República, de manter esta paz, que todos a vão abraçar, independentemente de se estar ou não satisfeito com uma ou outra coisa", afirmou, preferindo enquadrar a posição do maior partido da oposição, a Renamo, "no contexto da liberdade de expressão".

Ossufo Momade, coordenador da comissão política da Renamo, ameaçou no sábado abandonar as negociações de paz com o Presidente da República, Filipe Nyusi, devido a alegada manipulação de resultados nas eleições autárquicas de quarta-feira, cujos dados provisórios apontam para a vitória da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) na maioria dos municípios.

Hoje, em entrevista à agência Lusa, Adriano Maleiane avisou que o crescimento económico do país depende da estabilidade política e social e que todos devem contribuir para a paz.

Em matéria de estabilidade macroeconómica, precisamos de estabilidade, defendeu.

"Espero que todos os moçambicanos, incluindo esses que agora fizeram o comunicado, em última instância, valorizem a paz porque só com a paz é que podemos crescer", argumentou.

"Se não houver [paz], nem os 5% nem os 7% [de crescimento económico] vamos ter", concluiu.

No sábado, a Frelimo, partido no poder, já tinha apelado ao principal partido da oposição para que parasse com "chantagens", depois de a Renamo ter ameaçado abandonar as negociações de paz.

"O processo de paz tem de andar e as chantagens políticas têm que parar", disse Caifadine Manasse, porta-voz da Frelimo, numa conferência de imprensa, em Maputo.

Para a Frelimo, o líder interino da Renamo, Ossufo Momade, "está a perder uma oportunidade de se afirmar como dirigente político", fazendo com que "os moçambicanos pensem que não há progressão no pensamento da liderança da Renamo".

O porta-voz da Frelimo atribuiu as ameaças à luta interna pela liderança do principal partido da oposição.

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