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Missão de investigação da ONU denuncia atos de genocídio no Sudão

Missão de investigação da ONU denuncia atos de genocídio no Sudão

A missão independente da ONU para apurar os factos no Sudão reportou hoje "actos de genocídio" na cidade de El Fasher, palco de inúmeras atrocidades desde que foi conquistada pelos paramilitares, em outubro.

Lusa /
Reuters

Num relatório, a missão concluiu que "a intenção genocida é a única conclusão razoável que se pode retirar das ações sistemáticas" das das Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) nesta cidade do Darfur, uma região do Sudão Ocidental já devastada pela violência na década de 2000.

Estes atos são "caracterizados por assassínios seletivos com base na etnia, violência sexual, destruição e declarações públicas que incitam explicitamente à eliminação de comunidades não árabes, particularmente os Zaghawa e os Fur", segundo um comunicado que acompanha o documento.

Em 26 de outubro, as RSF, que estavam em guerra com o exército regular do Sudão desde abril de 2023, tomaram o controlo de El Fasher, após um cerco de 18 meses.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos estimou recentemente que, durante os primeiros três dias da ofensiva das RSF, pelo menos 4.400 pessoas foram mortas dentro da cidade e mais de 1.600 durante a fuga, mas indicou que o número real de mortos "é, sem dúvida, muito maior".

Em novembro, após uma sessão especial, o Conselho dos Direitos Humanos da ONU adoptou uma resolução ordenando à missão independente das Nações Unidas sobre o Sudão que conduzisse uma investigação.

Nas suas conclusões, a missão afirma que "as provas comprovam que foram cometidos pelo menos três atos que constituem genocídio".

Estes atos incluem "o assassínio de membros de um grupo étnico protegido; causar graves danos físicos e mentais; e impor deliberadamente condições de vida destinadas a provocar a destruição física do grupo, total ou parcial".

"A escala, a coordenação e o apoio público à operação por parte de altos funcionários das RSF demonstram que os crimes cometidos em El-Facher e arredores não foram atos isolados de guerra", afirmou Mohamad Chande Othman, chefe da missão, citado no comunicado.

Na quarta-feira, a União Europeia, o Reino Unido e o Canadá demonstraram, num comunicado conjunto, profunda preocupação com os ataques contínuos a civis, infraestruturas e operações humanitárias no Sudão.

A guerra civil no Sudão eclodiu em 15 de abril de 2023 devido a fortes divergências em torno do processo de integração das RSF no exército regular, o que levou ao colapso da transição iniciada em 2019, após a queda do regime de Omar Hassan al-Bashir.

O conflito, marcado pela intervenção de vários países em apoio às partes em guerra, mergulhou o país numa das maiores crises humanitárias do mundo, com milhões de deslocados e refugiados e com crescente alarme internacional devido à propagação de doenças e aos danos em infraestruturas críticas, que impedem a assistência a centenas de milhares de afetados.

 

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