Detidas no Irão mais de 460 pessoas acusadas de atividades desestabilizadoras na internet
O Irão introduziu um bloqueio à internet a 28 de fevereiro, primeiro dia da ofensiva israelo-americana, quando os bombardeamentos iniciais resultaram na morte do ayatollah Ali Khamenei, líder supremo do país durante 36 anos.
Ataques do Irão motivam reunião de emergência do Conselho de Direitos Humanos da ONU
"Um conjunto de países tem a intenção de apresentar um projeto de resolução ao Conselho no quadro deste debate urgente", adiantou Pascal Sim, porta-voz do Conselho de Direitos Humanos, durante uma conferência de imprensa em Genebra.
O projeto de resolução a que se referiu Sim aborda "as consequências para os Direitos Humanos do ataque provocado pela República Islâmica do Irão contra Bahrein, Kuwait, Oman, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Jordânia".
Por outro lado, o Conselho de Direitos Humanos da ONU recebeu uma carta subscrita por Irão, China e Cuba a pedir um debate urgente "sobre a proteção das crianças e dos estabelecimentos de ensino nos conflitos armados internacionais".
A 28 de fevereiro, no início da ofensiva de israelitas e norte-americanos contra o regime dos ayatollahs, um bombardeamento atingiu uma escola de raparigas em Minab, no sul do Irão. O número de mortos ultrapassou os 150.
Curdistão acusa Irão de ataque mortífero
Em comunicado, denunciam "um ato cobarde de agressão totalmente desprovido de qualquer princípio de boa vizinhança". "Dois ataques distintos" atingiram as quinta e sétima divisões de Infantaria perto de Soran.
Guarda Revolucionária ameaça Israel com ataques "pesados" em apoio a libaneses e palestinianos
"Avisamos o exército criminoso do regime (israelita) de que, se os crimes contra os civis do Líbano e da Palestinia persistirem, serão alvo de ataques pesados com mísseis e drones", declara em comunicado a Guarda Revolucionária.
Seis feridos em ataque com mísseis do Irão contra Israel
- Pelo menos seis pessoas sofreram ferimentos em consequência de uma vaga de mísseis iranianos que atingiu esta terça-feira Telavive;
- Os bombardeamentos tiveram lugar um dia depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ter acenado com supostas conversações "produtivas" com o regime iraniano e ter anunciado uma extensão de cinco dias no ultimato para a reabertura do Estreito de Ormuz;
- Teerão nega a existência de quaisquer conversações e o presidente do Parlamento iraniano falou mesmo de "notícias falsas" destinadas a "manipular os mercados financeiro e do petróleo";
- Um bombardeamento israelita a sul de Beirute matou, nas últimas horas, pelo menos duas pessoas, de acordo com o Ministério libanês da Saúde;
- A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, saiu a público para defender que é chegado o momento de encetar negociações para acabar com a guerra no Médio Oriente, assinalando que o quadro energético global é agora "crítico";
- Fontes de Islamade, citadas pelas agências internacionais, adiantam que o Paquistão pode vir a ser palco, ainda esta semana, de conversações diretas para pôr termo ao conflito entre Israel, Estados Unidos e Irão. Isto na sequência de uma conversa telefónica entre o presidente dos Estados Unidos e o chefe do Estado-Maior do Exército paquistanês, Asim Munir;
- O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirma em simultâneo ter falado com Donald Trump e que a máquia de guerra do Estado hebraico vai continuar a atacar o Irão e o Líbano. O presidente norte-americano, indicou ainda Netanyahu, terá visto uma hipótese de um acordo com Teerão que permita "preservar interesses vitais" dos dois aliados;
- As Forças de Defesa de Israel clamam também ter lançado esta segunda-feira ataques “em larga escala” sobre o Irão, que, por sua vez, retomou o lançamento de mísseis contra alvos nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita. O exército israelita afirmou ter atingido o principal quartel da segurança da Guarda Revolucionária;
- Três semanas depois de um drone de fabrico iraniano ter atingido a base da Força Aérea do Reino Unido de Akroti, em Chipre, o contratorpedeiro britânico HMS Dragon chega ao Mediterrâneo oriental. Espaço de tempo que motivou críticas ao Governo de Keir Starmer;
- A Eslovénia é o primeiro Estado-membro da União Europeia a implementar o racionamento de combustíveis.
Organização israelita denuncia campos de tortura para palestinianos em Israel
A organização israelita B`Tselem denunciou que, paralelamente à guerra contra o Irão, Israel mantém uma rede de campos de tortura nas suas prisões e centros de detenção militar, onde os reclusos palestinianos sofrem abusos e tortura sistemática.
"Mesmo com os ataques dos norte-americanos e israelitas contra o Irão, Israel continua a operar uma rede de campos de tortura para prisioneiros palestinianos, onde ocorrem abusos sistemáticos, incluindo violência física e tortura psicológica, condições desumanas, fome e falta de assistência médica", denunciou a organização não-governamental (ONG) na noite de segunda-feira.
Segundo os dados recolhidos até março, cerca de 9.446 palestinianos estavam detidos em centros de detenção israelitas, segundo dados do Serviço Prisional de Israel (IPS).
Destes, 4.691 (quase 50%) não tinham recebido uma acusação formal, data de julgamento ou acusação, e estavam detidos ao abrigo do que é conhecido como "detenção administrativa".
"Estes campos de tortura fazem parte do ataque planeado e em grande escala de Israel contra a sociedade palestiniana, com o objetivo de desmantelar e destruir os palestinianos como grupo", acrescentou a B`Tselem.
Na segunda-feira, a relatora especial da ONU para os Territórios Palestinianos, Francesca Albanese, apelou a uma investigação e à emissão de mandados de captura contra três ministros israelitas pelo seu papel na tortura de palestinianos. A responsável da ONU descreveu estes atos como uma versão individual do "genocídio" que sofre o povo palestiniano.
Albanese, que fez este apelo perante o Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas, responsabilizou por estes crimes o ministro da Defesa israelita, Israel Katz, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir [responsável pelas detenções e pela polícia], e o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich.
Nos últimos dois anos, pelo menos 84 prisioneiros palestinianos, cujas identidades foram confirmadas, incluindo um menor, morreram sob custódia israelita.
Desde outubro de 2023, este número ronda os 100, de acordo com dados obtidos há quatro meses pela ONG Médicos pelos Direitos Humanos - Israel (PHRI), em muitos casos aparentemente como resultado direto de tortura, negligência médica e privação de alimentos por parte de soldados e funcionários prisionais.
Esta ONG alertou ainda na altura que o número total de mortes nas prisões e centros de detenção militar poderia ser muito maior, dada a impossibilidade de localizar centenas de outras pessoas supostamente detidas em Gaza.
É "improvável" que Irão aceite exigências dos EUA
Vaga de mísseis iranianos destrói edifícios residenciais em Israel
O Irão lançou uma nova vaga de mísseis contra Israel esta terça-feira, segundo as forças armadas israelitas.
O Serviço de Bombeiros e Salvamento de Israel informou que estava à procura de civis presos num prédio em Telavive e descobriu civis num abrigo noutro prédio danificado.
Os ataques acontecem depois de caças israelitas terem levado a cabo uma grande onda de ataques no centro de Teerão na segunda-feira, visando centros de comando e instalações associadas à Guarda Revolucionária e ao Ministério da Inteligência iraniano.
Ataque a gasoduto iraniano sem impacto nas operações
Taiwan pondera retomar energia nuclear face a conflito no Médio Oriente
Taiwan iniciou os procedimentos para reativar duas centrais nucleares, cerca de um ano após o encerramento do último reator em funcionamento, devido à elevada procura energética associada à inteligência artificial e às tensões no Médio Oriente.
A empresa estatal Taipower está a trabalhar para obter as autorizações necessárias para reativar as centrais de Kuosheng, no norte do país, e de Maanshan, no sul, indicou no sábado o líder taiwanês, William Lai.
Segundo Lai, a empresa deverá apresentar um plano à Comissão de Segurança Nuclear até ao final deste mês, sublinhando que a segurança nuclear, a gestão de resíduos e o consenso social são os "três fatores-chave" a considerar.
A iniciativa surge após o encerramento do último reator da central de Maanshan, em maio de 2025, que marcou o fim da era nuclear em Taiwan, na sequência do desmantelamento progressivo das centrais de Chinshan e Kuosheng entre 2018 e 2023.
A decisão anterior concretizou um dos principais objetivos do Partido Democrático Progressista, que defendia uma "pátria livre de energia nuclear", especialmente após o acidente de Fukushima.
O "forte desenvolvimento económico" da ilha, a necessidade de eletricidade com baixas emissões e o crescente consumo energético da indústria da inteligência artificial, a par de alterações legislativas recentes, levaram, porém, o Governo a reconsiderar a sua posição, reconheceu Lai.
O dirigente referia-se a uma lei aprovada no ano passado pelo parlamento, de maioria opositora, que passou a permitir a continuação das operações das centrais nucleares mesmo após entrarem em fase de desmantelamento.
O eventual regresso à energia nuclear é também explicado por fatores geopolíticos. Em 2025, o gás natural liquefeito representou mais de 47% da produção elétrica de Taiwan, sendo cerca de um terço importado do Qatar, segundo dados oficiais.
Cerca de 70% do petróleo bruto importado pela ilha provém igualmente do Médio Oriente, com destaque para Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, o que aumenta a vulnerabilidade a eventuais interrupções no fornecimento devido ao atual conflito na região.
Num comunicado, o ministério dos Assuntos Económicos indicou que o abastecimento de gás natural deverá manter-se estável até ao final de maio e que as importações já estão diversificadas por 14 países, reduzindo a dependência do Médio Oriente.
A dependência de combustíveis importados por via marítima expõe ainda Taiwan a um eventual bloqueio por parte da China, que considera a ilha parte do seu território e não exclui o uso da força.
Nas recentes manobras militares chinesas em torno de Taiwan, designadas "Missão Justiça-2025", o exército simulou cenários de bloqueio e tomada de portos e outras infraestruturas estratégicas.
Iraque diz que número atualizado de mortos em ataque aéreo dos EUA contra ex-paramilitares sobe para 15
Paquistão posiciona-se como eventual palco de negociações
O mundo está em suspenso por cinco dias na reviravolta dramática de Trump sobre o curso da guerra no Irão. Teerão volta a negar uma e outra vez que o caminho para conversar foi aberto.
ONU avisa que bloqueio no Estrito de Ormuz põe em causa a segurança alimentar do mundo
A ONU avisa que o bloqueio no Estreito de Ormuz põe em causa a segurança alimentar do mundo para além da segurança energética. Portugal foi um dos 30 países que assinaram um documento a confirmar a disponibilidade para ajudar a reabrir o Estreito. Israel e Israel voltaram aos bombardeamentos.
O também Secretário-Geral Adjunto das Nações Unidas considera que ainda não é possível prever o impacto do que está a acontecer, por exemplo, no Líbano, com um milhão de deslocados por causa da guerra.
Irão. Governo admite novos apoios a famílias e empresas
O Governo português admite intervir com medidas estruturais de apoio às empresas e famílias, caso o conflito no Médio Oriente se prolongue no tempo.
Paulo Rangel assegura que o Executivo está a monitorizar a evolução da crise com atenção redobrada, preparando terreno para eventuais respostas económicas.
Von der Leyen alerta que Europa atravessa "momento perigoso"
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, advertiu hoje no parlamento australiano que a Europa atravessa "um momento perigoso" num contexto internacional cada vez mais instável.
"O mundo em que vivemos é brutal, duro e implacável. Parece estar de pernas para o ar", afirmou a dirigente europeia, alertando que muitas das certezas do passado estão a ser postas em causa num cenário marcado por tensões geopolíticas e económicas.
Von der Leyen sublinhou que a distância geográfica já não protege países como a Austrália, devido ao impacto das ameaças globais e ao avanço tecnológico.
"Atores maliciosos podem alcançar as nossas fronteiras sem sair das deles", disse, numa referência a riscos como a desinformação e a ingerência estrangeira.
Neste contexto, destacou a necessidade de reforçar a resiliência coletiva e a cooperação entre aliados, defendendo que a segurança da Europa e da Austrália estão estreitamente ligadas. "Quando estamos lado a lado somos mais fortes", afirmou.
A presidente da Comissão Europeia alertou ainda contra uma dependência excessiva de determinados fornecedores, numa alusão à China, e sublinhou a importância de diversificar as cadeias de abastecimento para proteger a segurança económica e industrial.
Von der Leyen chamou também a atenção para o impacto das alterações climáticas, que disse estarem a devastar comunidades na Europa, apelando a uma ação conjunta para enfrentar os seus efeitos e destacando que a transição energética integra a agenda comum das duas regiões.
As declarações foram feitas durante o segundo dia da visita de três dias à Austrália, ocasião em que a União Europeia e o país assinaram um acordo de comércio livre após quase uma década de negociações.
O pacto eliminará tarifas sobre exportações australianas chave como vinho, marisco e produtos hortícolas, e ampliará o acesso ao mercado europeu para carne de bovino e ovino, laticínios, arroz e açúcar. Também facilitará a entrada de bens industriais australianos sem taxas.
Em paralelo, Bruxelas e Camberra anunciaram uma nova parceria em matéria de segurança e defesa, destinada a reforçar a cooperação em áreas como a indústria militar, a segurança marítima, o ciberespaço e o combate ao terrorismo e à desinformação.
Austrália e UE reforçam cooperação em matéria de defesa
Vão colaborar para "reforçar a cooperação em matéria de segurança marítima, cibersegurança, combate a ameaças híbridas e combate à manipulação de informações e interferências estrangeiras", afirmou a Comissão Europeia em comunicado.
A Austrália e a União Europeia assinaram igualmente um vasto acordo de comércio livre, culminando anos de negociações.
O acordo foi assinado numa cerimónia na capital australiana, Camberra, pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelo primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese.
Portugal está disponível para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz
Portugal é um dos 30 países que assinaram um documento a confirmar a disponibilidade. O Ministério dos Negócios Estrangeiros já confirmou essa postura.
Estes países exigem que o regime iraniano desbloqueie o estreito de Ormuz e dizem estar prontos, se necessário, para participar numa missão para pôr fim ao bloqueio.
Irão nega ataque com mísseis a base militar dos EUA e Reino Unido em Diego Garcia
O Irão negou hoje ter atacado com mísseis uma base militar conjunta dos Estados Unidos e do Reino Unido na ilha de Diego Garcia, no oceano Índico.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Ismail Bagaei, classificou, numa mensagem na sua conta na rede social X, como "desinformação de Israel" as acusações sobre a autoria do Irão nesse ataque da semana passada.
Bagaei citou uma notícia da televisão Al Zazira que recolhia declarações do secretário-geral da NATO, Mark Rutte, que afirmou não poder confirmar a declaração de Israel de que os projéteis utilizados fossem mísseis balísticos intercontinentais iranianos.
"Que até o secretário-geral da NATO se recuse a apoiar a desinformação mais recente de Israel, é muito significativo: o mundo está completamente farto destas histórias desacreditadas de `falsa bandeira`", escreveu o porta-voz iraniano dos Negócios Estrangeiros.
Dois mísseis balísticos de alcance intermédio foram disparados na sexta-feira passada contra Diego García, nas ilhas Chagos, mas nenhum atingiu o alvo, segundo adiantou o jornal Wall Street Journal.
No sábado, o Ministério britânico da Defesa condenou os ataques iranianos "perigosos", recordando que o Governo do Reino Unido autorizou apenas os Estados Unidos a utilizar bases britânicas para operações defensivas específicas e limitadas no atual conflito.
Para o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abás Araqchí, o facto de o Reino Unido permitir o uso das suas bases equivale a "participar na agressão", pelo que exigiu a Londres que cesse qualquer cooperação com Washington.
A base militar conjunta dos Estados Unidos e do Reino Unido em Diego García está situada no Arquipélago de Chagos, com uma posição estratégica no centro do Oceano Índico.
Conhecida como `Camp Justice` (embora tenha sido renomeada `Camp Thunder Cove` em 2006), aquela base militar conta com pistas de aterragem de 3.600 metros, capazes de receber B-52, B-1 e B-2 e aviões de carga como o C-17 Globemaster, assim como com um porto perfeito para grandes navios de guerra e porta-aviões.