MLSTP/PSD condena e demarca-se de tentativa de golpe de Estado em São Tomé e Príncipe

por Lusa

O Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe/Partido Social Democrata (MLSTP/PSD), maior partido da oposição são-tomense, condenou hoje de forma veemente a alegada tentativa de golpe de Estado ocorrida de madrugada no país.

Em comunicado a que a Lusa teve acesso, o MLSTP/PSD condena "veementemente" e "demarca-se" da "ação covarde de alteração da ordem constitucional" e manifesta "toda a solidariedade aos militares que em defesa da pátria foram feridos nesta bárbara ação", lê-se na nota, distribuída pelo gabinete do presidente do partido, Jorge Bom Jesus.

O MLSTP/PSD, que perdeu as eleições realizadas em 25 de setembro, apela às "autoridades competentes" para que "abram de imediato investigações rigorosas, transparentes e imparciais, sem aproveitamento político, para identificar "os autores morais e materiais".

O partido exorta à população "para se manter calma e serena para que este acontecimento não venha a beliscar" a democracia e "a paz social que sempre foram características dos são-tomenses".

A formação partidária liderada por Jorge Bom Jesus pede à comunidade internacional que acompanhe "de perto este processo de modo a evitar ações ou tendências com fins inconfessáveis".

Fonte ligada ao processo de investigação em curso disse à Lusa que um dos alegados mandantes da tentativa de golpe de Estado e três dos quatro assaltantes do quartel morreram.

As Forças Armadas detiveram quatro homens, civis, que, cerca das 00:40 (hora local, mesma hora em Lisboa), atacaram o quartel militar, alegadamente para roubar armamento, numa operação que ficou resolvida perto das 06:00, após intervenção dos fuzileiros.

Ao início da manhã, os militares detiveram, nas suas respetivas casas, o ex-presidente da Assembleia Nacional Delfim Neves, atualmente deputado pelo movimento Basta, e Arlécio Costa, antigo oficial do `batalhão Búfalo` que foi condenado em 2009 por uma tentativa de golpe de Estado, alegadamente identificados pelos atacantes como mandantes.

Em declarações à Lusa, fonte ligada ao processo disse que os militares levaram Arlécio Costa para o quartel, onde veio a morrer, por causas por explicar.

Quanto aos três assaltantes, encontravam-se numa sala no quartel com o oficial de dia como refém e ficaram feridos quando os fuzileiros fizeram explodir a porta.

Os assaltantes teriam atuado com a cumplicidade de militares no interior do quartel, tendo pelo menos três cabos sido detidos. No exterior, cerca de 12 homens aguardavam, em carrinhas, e alguns fugiram durante as trocas de tiros com os militares.

Os atacantes e os militares envolveram-se em confrontos, tendo o oficial de dia sido feito refém e ficado ferido com gravidade após agressões.

Em conferência de imprensa, cerca das 09:00, o primeiro-ministro, Patrice Trovoada, que assumiu o cargo há duas semanas, disse que a situação no país estava "calma e controlada" e elogiou a atuação das Forças Armadas, que defenderam o quartel "com profissionalismo".

O chefe do Governo disse ainda esperar que a justiça faça o seu trabalho e pediu "mão firme" para os responsáveis da tentativa de golpe, depois de ter anunciado a detenção de Delfim Neves e Arlécio Costa pelos militares, "na base de declarações do primeiro grupo de quatro [atacantes]".

Portugal e Cabo Verde já repudiaram o ataque.

 

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