Morte de Mahsa Amini. Líder iraniano atribui revoltas a EUA e Israel

por Carla Quirino - RTP
Gabinete de imprensa iraquiana do Líder Supremo - WANA via Reuters

O guia supremo do Irão quebrou o silêncio e afirmou que as manifestações de revolta foram planeadas por Estados Unidos e Israel. Durante uma homenagem aos polícias mortos nos confrontos, o ayatollah Ali Khamenei afirmou que os que protestam "são uma minoria" e precisam de ser "disciplinados e guiados".

"Quem é que planeou isto? Eu digo que é claro que o planeamento foi feito pela América, o falso regime sionista usurpador, assim como os seus agentes pagos, com a ajuda de alguns iranianos traidores no estrangeiro". Foi desta forma que Ali Khamenei, guia supremo da República Islâmica do Irão, quebrou o silêncio face aos protestos que duram há quase três semanas.

Durante uma cerimónia militar, onde foram lembrados os polícias mortos nos confrontos, Khamenei acusou os arqui-inimigos norte-americanos e israelitas de estarem por detrás dos “motins” que o país tem vivido, após o funeral da jovem Mahsa Amini.

No discurso, o líder iraniano realçou que a morte de Amini "partiu nossos corações" e argumentou que “não é normal é que algumas pessoas, sem provas ou investigação, tenham tornado as ruas perigosas, queimado o Corão, removido hijabs (véus) de mulheres e incendiado mesquitas e carros", acrescentou, sem mencionar nenhum incidente específico.
Resposta a Ali Khamenei
É usual Ali Khamenei atribuir as responsabilidades por quaisquer desobidiências no território aos inimigos estrangeiros.

O ayatollah, que tem a palavra final em todos os assuntos de Estado, afirmou que as potências estrangeiras planeiam intromissões e apoiam “tumultos” porque não toleram que o Irão atinja “sucesso em todas as esferas”.

Perante os comentários públicos do líder iraniano, os EUA e Reino Unido reagiram.

O presidente norte-americano, Joe Biden, sublinhou estar "seriamente preocupado" com os relatos da "intensificação violenta da repressão a manifestantes pacíficos".

Os EUA já avançaram com sanções à polícia da moralidade iraniana. Biden declarou que, esta semana, a sua Administração "imporá mais custos" àqueles que “perpetram violência contra protestos pacíficos”, nomeadamente estudantis.

Durante as manifestações as pessoas pedem "princípios justos e universais", declarou Biden. Acrescentou que os EUA "apoiam as mulheres iranianas" que "inspiram o mundo com a sua bravura".

O Reino Unido partilha da mesma opinião de Washington e convocou o diplomata mais graduado do Irão em Londres para fazer passar uma mensagem aos líderes em Teerão: "Em vez de culpar atores externos pela agitação, eles deveriam assumir a responsabilidade devido às próprias ações e ouvir as preocupações do povo".

Há uma semana, Teerão já lançara as culpas para cineastas, atletas e atores que apoiaram manifestações, afirmando que "atiçaram as chamas dos tumultos".


Uma corrente solidária global percorre as redes sociais defendendo a liberade das mulheres iranianas. Vencedoras de Óscares como Olivia Colman ou Ariana DeBose têm alertado para a repressão iraniana. Muitos outros artistas, como Roger Waters e os Coldplay, também se associam à causa.

Ali Khamenei reiterou total apoio às forças de segurança, vincando que os militares têm enfrentado "injustiça" durante os distúrbios.

A Iran Human Rights, organização humanitária sediada na Noruega, afirmou que pelo menos 133 pessoas foram mortas pelas forças de segurança. Já a comunicação social estatal adiantou que morreram mais de 40 pessoas, incluindo efetivos das forças de segurança.
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