Mundo
Guerra na Ucrânia
"Não estamos a perder a guerra", garante Volodymyr Zelensky
Em entrevista à AFP, na véspera do quarto aniversário do início da invasão russa, o presidente da Ucrânia abordou de frente o destino do Donbass, mas preferiu destacar recentes conquistas ucranianas no sul do país.
Em entrevista à Agência France Press, Zelensky elogiou as conquistas do seu exército, de "todas as forças de defesa",
agradecendo-lhes a "libertação" de "300 quilómetros quadrados" face às
tropas russas, numa contra-ofensiva em curso no sul da Ucrânia. O presidente ucraniano frisou que a operação se inclui num "plano mais vasto" de Kiev.
Zelensky acredita que Washington está a pressionar mais a Ucrânia porque o país se encontra "numa posição mais difícil" e referiu que Washington "vê isso como a solução para o problema".
"Sejamos honestos, os russos só me querem substituir", afirmou, acrescentando que, no contexto atual, "ninguém na Ucrânia quer eleições durante uma guerra", devido ao receio de divisões internas e instabilidade. Zelensky disse não ter decidido se irá ou não candidar-se de novo à presidência.
Zelensky reiterou ainda que, para a Ucrânia, seria mais conveniente que uma força internacional de manutenção da paz se posicionasse junto à linha da frente, para conter ofensivas russas.
"Gostaríamos de ver o contingente mais perto da linha da frente", afirmou, reconhecendo que poucos países estariam dispostos a destacar tropas para zonas de maior risco.
"É claro que ninguém quer estar na linha da frente, mas os ucranianos desejam que os nossos parceiros estejam ao nosso lado", disse o chefe de Estado ucraniano.
As forças de paz seriam lideradas pelos Estados Unidos mas os países europeus deveriam igualmente participar, defendeu ainda.
"A Europa está activamente empenhada no processo de fim da guerra, devendo o seu papel ser alargado. Iremos coordenar ações com os nossos parceiros. A Ucrânia defenderá sempre os nossos interesses europeus comuns", escreveu Zelensky numa publicação nas redes sociais.
Conversações construtivas
Para Volodymyr Zelensky o diálogo tem seguido linhas construtivas, agradecendo a paciência da equipa ucraniana nas conversações com o lado russo, "que nem sempre têm sido fáceis nem razoáveis".
Revelando o teor genérico de uma reunião com a equipa de negociadores de Kiev, Zelensky frisou que esta tem obedecido às diretivas, concentrando-se em manter as conversações construtivas, apelando os Estados Unidos a fazer tudo o possível para se focar na mesma estratégia.
"É importante que os enviados do presidente dos EUA estejam também a fazer todo o possível para manter as negociações construtivas, e a Ucrânia apoia-os integralmente nesse sentido – o nosso contributo está sempre focado exclusivamente no diálogo construtivo", referiu.
Uma nova troca de prisioneiros e mecanismos para monitorizar um eventual cessar-fogo foram os progressos conquistados nas reuniões de terça e quarta-feira em Genebra, indicou Zelensky.
Numa mensagem de voz enviada ao grupo de jornalistas que acompanham diariamente a sua atividade, o líder ucraniano confirmou que ficou "acordado que haverá outra reunião nos próximos 10 dias, muito provavelmente também em Genebra".
"Não podemos dizer que estamos a perder a guerra, sinceramente, não estamos certamente", garantiu.
"A questão é se vamos ganhar, essa é a questão, mas uma questão que tem um preço muito elevado", reconheceu ainda Zelensky.
O presidente ucraniano apontou também a imensa pressão exercida sobre Kiev para obter a paz através da cedência de territórios a Moscovo, nomeadamente da região industrializada do leste, o Donbass. O controlo do leste da Ucrânia tem sido o objetivo de Moscovo desde que Kiev saiu da sua órbita de influência, em 2015.
Primeiro, usou táticas de guerrilha contra as forças ucranianas, através
de grupos armados locais. Quando a estratégia falhou, o Kremlin avançou
para a invasão, a 22 de fevereiro de 2022.
"Tanto os americanos como os russos dizem que, se querem que a guerra termine amanhã, retirem-se do Donbass", acusou.
Já para a Rússia, a retirada seria uma forma de "tomar o Donbass rapidamente sem perder homens", afirmou.
O presidente ucraniano exige garantias de segurança por parte dos Estados Unidos, antes de aceder sequer a admitir tal retirada. Uma decisão que provavelmente teria também de ser decidida em referendo.
Cessar-fogo, eleições e forças de paz
O chefe de Estado da Ucrânia acusou ainda Moscovo de pressionar pela realização de eleições no país em plena guerra, para fragilizar a liderança atual.
"Sejamos honestos, os russos só me querem substituir", afirmou, acrescentando que, no contexto atual, "ninguém na Ucrânia quer eleições durante uma guerra", devido ao receio de divisões internas e instabilidade. Zelensky disse não ter decidido se irá ou não candidar-se de novo à presidência.
Kiev pretende que a realização de eleições presidenciais e de um eventual referendo sobre a cedência do Donbass, ocorram durante um cessar-fogo.
Zelensky reiterou ainda que, para a Ucrânia, seria mais conveniente que uma força internacional de manutenção da paz se posicionasse junto à linha da frente, para conter ofensivas russas.
"Gostaríamos de ver o contingente mais perto da linha da frente", afirmou, reconhecendo que poucos países estariam dispostos a destacar tropas para zonas de maior risco.
"É claro que ninguém quer estar na linha da frente, mas os ucranianos desejam que os nossos parceiros estejam ao nosso lado", disse o chefe de Estado ucraniano.
As forças de paz seriam lideradas pelos Estados Unidos mas os países europeus deveriam igualmente participar, defendeu ainda.
"A Europa está activamente empenhada no processo de fim da guerra, devendo o seu papel ser alargado. Iremos coordenar ações com os nossos parceiros. A Ucrânia defenderá sempre os nossos interesses europeus comuns", escreveu Zelensky numa publicação nas redes sociais.
Conversações construtivas
Na mesma publicação, Zelensky destacou a confiança de que "ainda existem oportunidades reais para terminar a guerra com dignidade" e considerou que a pressão internacional poderá ser determinante para assegurar uma paz duradoura.
Our negotiating team delivered a detailed report following their meetings in Switzerland. In particular, we discussed aspects that could not be addressed over the phone. I’m grateful to the team for their precise work within the directives, and also for their patience in all… pic.twitter.com/XQ4ZRfLDux
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) February 20, 2026
"É importante que os enviados do presidente dos EUA estejam também a fazer todo o possível para manter as negociações construtivas, e a Ucrânia apoia-os integralmente nesse sentido – o nosso contributo está sempre focado exclusivamente no diálogo construtivo", referiu.
Uma nova troca de prisioneiros e mecanismos para monitorizar um eventual cessar-fogo foram os progressos conquistados nas reuniões de terça e quarta-feira em Genebra, indicou Zelensky.
Numa mensagem de voz enviada ao grupo de jornalistas que acompanham diariamente a sua atividade, o líder ucraniano confirmou que ficou "acordado que haverá outra reunião nos próximos 10 dias, muito provavelmente também em Genebra".