Narges Mohammadi. Família acusa Teerão de colocar vida da Nobel da Paz em risco

Narges Mohammadi. Família acusa Teerão de colocar vida da Nobel da Paz em risco

A laureada iraniana com o Prémio Nobel da Paz, Narges Mohammadi, continua num "estado de saúde instável", informou esta quinta-feira a sua família, alertando que a demora das autoridades em intervir no tratamento médico pode acarretar "riscos irreparáveis para a sua vida".

RTP /
Narges Mohammadi, Prémio Nobel da Paz 2023 AFP (Arquivo)

Mohammadi sofreu de "dores no peito, palpitações, ansiedade intensa" e "pressão extrema" depois de ter sido transferida da prisão para um hospital na terça-feira, segundo a Fundação Narges, gerida pela sua família. 

"Ela tem sentido repetidamente dores intensas no peito, nas costas e nos braços", afirmou a fundação em comunicado.

Provavelmente tem angina de Prinzmetal, uma doença causada por “espasmo ou constrição das artérias coronárias” que pode causar “deficiência de oxigénio” e desencadear uma série de problemas cardíacos, acrescentou a fundação, citando uma avaliação inicial da sua equipa médica.

Dia 5 de maio, fonte da sua equipa jurídica afirmou que a iraniana, laureada com o Prémio Nobel da Paz 2023, está "entre a vida e a morte".

"Nunca tivemos tanto medo pela vida de Narges; ela pode deixar-nos a qualquer momento", disse Chirinne Ardakani, a sua advogada, numa conferência de imprensa realizada pelo seu comité de apoio em Paris, na terça-feira.Renomada ativista de direitos humanos, Mohammadi está presa política há quase duas décadas. Há anos que luta contra a pena de morte e o confinamento solitário e defende a igualdade de género no Irão, intensificando o seu activismo mesmo atrás das grades.

O regime iraniano prendeu e deteve Mohammadi repetidamente pelo seu activismo antigovernamental. 

Em fevereiro, foi condenada a mais de sete anos de prisão. Um mês depois, sofreu um ataque cardíaco e as autoridades levaram-na para uma unidade de cuidados intensivos cardíacos na cidade de Zanjan, no noroeste do país.

A sua família pediu “intervenção médica imediata” e a sua transferência para a capital, Teerão.

Na quinta-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros francês pediu a Teerão que “tome todas as medidas necessárias para a sua recuperação”. 

Numa publicação no X, o ministério garantiu que “a França está ao lado do povo iraniano, que deve poder exercer os seus direitos fundamentais e escolher livremente a sua identidade”.
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