Negociações técnicas entre EUA e Irão estão em curso no Catar

Negociações técnicas entre EUA e Irão estão em curso no Catar

Conversas técnicas indiretas entre os Estados Unidos e o Irão estão em curso esta quarta-feira em Doha, com o Catar e o Paquistão a servirem de mediadores.

Cristina Sambado - RTP / Adicionar como fonte informativa
West Asia News Agency via REUTERS

"As autoridades norte-americanas e iranianas vão realizar conversações técnicas indiretas esta quarta-feira em Doha com mediadores do Qatar e do Paquistão", afirmou à AFP um diplomata iraniano, sob anonimato.

Os enviados norte-americanos, Steve Witkoff e Jared Kushner, conselheiros de confiança do presidente Donald Trump, chegaram a Doha para discutir o Irão e a situação no Líbano com responsáveis do Catar, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Majed al-Ansari.

"Tanto quanto sei, não há nenhuma reunião direta agendada entre os dois lados (americano e iraniano) nos próximos dias", acrescentou.
 Washington e Teerão anunciaram o envio de representantes ao Catar para discutir o memorando de entendimento destinado a pôr fim à guerra, que começou a 28 de fevereiro com ataques aéreos dos EUA e de Israel contra o Irão.

O acordo, negociado com a assistência do Catar e do Paquistão, e seguido de uma cimeira em junho em Lucerna, na Suíça, estipula um cessar-fogo e a reabertura do Estreito de Ormuz. Estabelece ainda um calendário de 60 dias para as negociações com o objetivo de alcançar um acordo final.

Depois de inicialmente terem negado qualquer reunião, os diplomatas iranianos confirmaram na segunda-feira o envio de uma "delegação de peritos", liderada pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Kazem Gharibabadi.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmail Baghai, afastou, no entanto, qualquer contacto direto com as autoridades norte-americanas, como sugeriu o presidente Donald Trump.

"Nos próximos dias, não negociaremos com o lado americano, a nenhum nível", assegurou.As negociações em Doha centram-se na libertação dos fundos de Teerão e no Estreito de Ormuz.

Embora a assinatura do pacto entre Washington e Teerão tenha ajudado a reduzir a intensidade do conflito, permanecem tensões significativas em relação à gestão do estratégico Estreito de Ormuz, onde o tráfego marítimo diminuiu este fim de semana após dois ataques a navios.

Um total de 29 navios que transportavam matérias-primas atravessou o estreito no sábado e 12 no domingo, segundo dados da empresa de rastreio marítimo Kpler, um número significativamente inferior ao dos dias anteriores.

O Irão tem vindo a reiterar há semanas a sua intenção de impor uma taxa de trânsito de alguma forma, uma medida considerada inaceitável pelos Estados Unidos.

Desde o levantamento do bloqueio após o memorando de entendimento com os Estados Unidos, o Irão exportou "mais de 40 milhões de barris de petróleo", afirmou o chefe da equipa de negociação, Mohammad Bagher Ghalibaf, numa entrevista transmitida na noite de terça-feira pela televisão estatal.

Em contraste, durante os 50 a 60 dias anteriores, "fomos completamente incapazes de exportar sequer um único barril de petróleo", observou.

Refletindo as incertezas em torno das negociações entre os Estados Unidos e o Irão, o preço do crude subiu na quarta-feira. Por volta da 1h50 GMT, o petróleo Brent do Mar do Norte, referência global do mercado, registava uma subida de 0,32%, cotando nos 73,18 dólares.Irão pronto para o diálogo e para a guerra Acusando Teerão de atacar dois navios na semana passada, os Estados Unidos anunciaram no domingo que tinham bombardeado o país em retaliação. Em resposta, o Irão atacou dois dos seus vizinhos do Golfo, o Kuwait e o Bahrein.

A situação parece ter acalmado militarmente desde então, embora o chefe da equipa de negociação iraniana, Mohammad Bagher Ghalibaf, tenha reiterado que o Irão estava pronto para a "guerra", dando, no entanto, prioridade ao "diálogo".

No Líbano, país que Teerão exigiu que fosse incluído nas negociações com os Estados Unidos, Israel continuou os seus ataques nos últimos dias, apesar da assinatura, na sexta-feira, em Washington, de um acordo-quadro para uma "paz duradoura".

O acordo-quadro estipula, entre outros temas, que Israel continuará a ocupar o sul do Líbano, como tem feito desde o início desta nova guerra contra o Hezbollah, até que o movimento xiita apoiado pelo Irão deponha as armas — o que se recusa a fazer.

Esta é uma exigência antiga que o governo libanês tem dificuldade em implementar, apesar da pressão dos Estados Unidos.

O Líbano foi arrastado para o conflito a 2 de março, quando o Hezbollah atacou o norte do país.

c/agências
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