Netanyahu "determinado" a manter ofensiva apesar dos apelos de Biden a uma "redução da violência"

por Mariana Ribeiro Soares - RTP
Ammar Awad - Reuters

Durante um telefonema com o primeiro-ministro israelita esta quarta-feira, o presidente norte-americano, Joe Biden, transmitiu a Benjamin Netanyahu que espera uma "redução significativa da violência" ao final do dia, "rumo a um cessar-fogo" Netanyahu agradeceu o apoio da Casa Branca, mas anunciou que está "determinado a manter a operação" na Faixa de Gaza "até que o seu objetivo seja alcançado".

Numa quarta ligação telefónica entre os dois líderes numa semana, Joe Biden voltou a pressionar Benjamin Netanyahu a um cessar-fogo, à medida que os ataques na Faixa de Gaza prosseguem pelo décimo dia consecutivo.

“Os dois tiveram uma discussão detalhada sobre o estado dos acontecimentos em Gaza, o progresso de Israel em deteriorar as capacidades do Hamas e de outros elementos terroristas e os esforços diplomáticos em andamento por Governos regionais e dos Estados Unidos”, disse a porta-voz da Casa Branca, Karine Jean-Pierre.

O presidente [Joe Biden] comunicou ao primeiro-ministro [Benjamin Netanyahu] que esperava uma desaceleração significativa da violência hoje em direção a um cessar-fogo”, esclareceu a porta-voz.

Apesar deste apelo, o primeiro-ministro israelita afirmou que está “determinado a continuar esta operação até que o seu objetivo seja alcançado”.


Em comunicado, Netanyahu esclareceu que “aprecia muito o apoio do presidente norte-americano”, mas adiantou que Israel prosseguirá as ações “para devolver a calma e a segurança aos cidadãos de Israel”.

Em comentários anteriores, Netanyahu já tinha sugerido que não havia um prazo previsto para um eventual cessar-fogo, apesar das notícias que davam conta de que Israel estaria a estudar as condições para o fim do conflito. “Não estamos parados com um cronómetro. Queremos atingir os objetivos da operação. As operações anteriores duraram muito tempo, por isso não e possível definir um prazo”, anunciou Netanyahu.

“O que estamos a fazer é degradar as suas [Hamas] capacidades, as suas capacidades de terrorismo e a degradar a sua vontade”, explicou o primeiro-ministro israelita.

Por sua vez, em resposta ao apelo de Biden, o porta-voz do Hamas, Hazem Qassam, defendeu que aqueles que procuram restaurar a calma devem “obrigar Israel a acabar com a sua ofensiva em Jerusalém e o seu bombardeamento a Gaza”.

Apesar dos crescentes apelos internacionais para o fim urgente da violência, o exército israelita ampliou os ataques a alvos militantes palestinianos e voltou a bombardear a Faixa de Gaza na madrugada desta quarta-feira, destruindo infraestruturas militares, prédios residenciais e matando, pelo menos, mais seis pessoas. Pelo menos 219 palestinianos, incluindo 63 crianças, foram mortos em Gaza desde a escalada de violência a 10 de maio. Cerca de 1500 ficaram feridos. Da parte de Israel, há a registar dez mortos, incluindo duas crianças, e pelo menos 300 feridos.

A pressão de Biden a Israel acontece numa altura em que o próprio presidente norte-americano tem sido cada vez mais pressionado, mesmo dentro do seu próprio partido, a assumir um papel mais ativo e público nas negociações rumo a um cessar-fogo.

Na terça-feira, Biden já tinha anunciado um apoio ao cessar-fogo entre Israel e o movimento islamista Hamas, pedindo que os civis fossem poupados nos ataques. No entanto, até ao momento, a Casa Branca tem recusado condenar os bombardeamentos israelitas, reiterando que Israel “tem o direito de se defender”. Para além disso, os EUA continuam a bloquear uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) para condenar o conflito.

O apoio demonstrado a Israel e a falta de reconhecimento e proteção dos direitos dos palestinianos foram os principais argumentos usados por congressistas, nomeadamente democratas, contra o presidente norte-americano. As críticas subiram de tom após ter sido revelado, na segunda-feira, um acordo de venda de armas a Israel avaliado em 735 milhões de dólares.
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