Nova frente no conflito. Houthis reivindicam ataques no Mar Vermelho

Nova frente no conflito. Houthis reivindicam ataques no Mar Vermelho

Os rebeldes Houthis do Iémen, apoiados pelo Irão, reivindicaram a responsabilidade pelos ataques no Mar Vermelho conta dois petroleiros sauditas, abrindo portas a uma nova frente no conflito no Médio Oriente.

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
Reuters

Os rebeldes iemenitas apoiados por Teerão — que anunciaram um bloqueio aos portos sauditas na segunda-feira — reivindicaram a responsabilidade por "uma operação militar" contra "dois petroleiros sauditas que violaram o bloqueio", identificando os navios como Encelia e Layla.

Uma fonte oficial saudita confirmou que o navio Encelia, "propriedade de uma empresa saudita", foi "alvo de um ataque enquanto navegava no Mar Vermelho, provocando um incêndio na proa", informou a agência de notícias oficial saudita (SPA).

A agência britânica de segurança marítima UKMTO tinha noticiado pouco antes que um petroleiro tinha sido atingido por um "projétil não identificado" no Mar Vermelho. Embora não tenham sido reportadas vítimas, um incêndio deflagrou a bordo, a cerca de 130 quilómetros do porto saudita de Al Shuqaiq. O ataque ocorreu horas depois do anúncio de um acordo histórico de cooperação nuclear entre os Estados Unidos e o Reino Saudita, que poderá permitir a Riade desenvolver capacidades de enriquecimento de urânio para fins civis.

Desde segunda-feira que os houthis estavam a emitir alertas por rádio para os navios, ameaçando atacar aqueles que tentassem passar pela região.

Estes ataques estão a expandir o teatro de guerra no Médio Oriente, 15 dias após o retomar das hostilidades entre os Estados Unidos e o Irão, rompendo o cessar-fogo negociado em abril.
Dois mortos no Irão
Enquanto isso, os militares norte-americanos voltaram a bombardear o Irão, pelo 12º dia consecutivo, visando instalações marítimas, depósitos de mísseis e drones, locais de vigilância costeira e ativos de defesa aérea.

Os meios de comunicação estatais noticiaram dois ataques com mísseis em Bushehr, cidade que alberga a única central nuclear em funcionamento do Irão.

Duas pessoas morreram e onze ficaram feridas num ataque aéreo norte-americano em Shalamcheh, na fronteira com o Iraque, segundo um responsável da província do Khuzistão citado pela televisão estatal. Outros bombardeamentos foram relatados em Ahvaz, perto do Golfo, bem como explosões em Sirik, perto do Estreito de Ormuz, segundo os meios de comunicação iranianos.

O Comando Central dos EUA (Centcom) anunciou na noite de quarta-feira que tinha concluído esta última ronda de ataques. Especificou que as forças norte-americanas — que mantêm um bloqueio marítimo ao Irão — "desviaram nove navios comerciais e imobilizaram um para impedir a entrada ou saída de embarcações de portos iranianos".
Irão alerta para “novas estratégias”
O porta-voz do exército iraniano, Amir Mohammad Akraminia, alertou que as forças de segurança do país “implementarão novas estratégias e cenários para tornar a guerra impossível para os agressores” caso os ataques dos EUA às infraestruturas do sul do Irão persistam.


“Após a violação do memorando de entendimento por parte dos Estados Unidos, estamos a assistir a uma nova fase na guerra”, disse Akraminia em entrevista à agência de notícias iraniana Defence Press, esta quinta-feira.

Akraminia afirmou que as forças armadas iranianas estão a realizar ataques de retaliação em resposta ao que descreveu como agressão dos EUA, acrescentando que tais operações “continuarão enquanto persistirem os ataques dos EUA contra as infraestruturas e as zonas costeiras do país”.

Na quarta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou bombardear uma ponte ou central elétrica iraniana sempre que as forças iranianas atingissem um navio no Estreito de Ormuz.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão prometeu responder “olho por olho”, ameaçando ripostar de forma “poderosa e decisivia” a ataques a infraestruturas civis.

c/agências
PUB