Número de mortos na guerra em Gaza ultrapassa os 30 mil

por Cristina Sambado - RTP
Amir Cohen - Reuters

O Ministério da Saúde de Gaza, dirigido pelo Hamas, revelou que "mais de 30 mil palestinianos" foram mortos neste território desde o início do conflito. A guerra entre Israel e o Hamas dura há quase cinco meses e o número de vítimas mortais foi atualizado esta quinta-feira.

Segundo a France Presse, os últimos números não fazem distinção entre combatentes e civis e não foram verificados de forma independente.

O novo balanço do número de mortos surge numa altura em que os principais mediadores da guerra, os Estados Unidos e o Catar, esperam obter uma trégua que permita a libertação dos reféns detidos em Gaza antes do início do Ramadão, o mês sagrado muçulmano de jejum que começa por volta de 11 de março.

"O número de mártires aumentou para mais de 30 mil”, declarou o Ministério num comunicado, informando que pelo “mais 79 pessoas morreram em ataques israelitas durante a noite”.

A guerra começou após os ataques do Hamas de 7 de outubro, em que 1.200 pessoas foram mortas e outras 200 foram feitas reféns.“Zona de morte”
Segundo a ONU, a guerra transformou o território palestiniano numa “zona de morte” e pode ser considerada como o mais longo e mortífero dos cinco conflitos que opuseram Israel ao Hamas desde que este último tomou o poder em Gaza.

Diariamente, são os civis que pagam o preço mais elevado dos combates e bombardeamentos que não poupam nenhuma zona, devastam bairros inteiros e obrigam 1,7 milhões de palestinianos de uma população de 2,4 milhões a fugir das suas casas.

A ONU estima que 2,2 milhões de pessoas - a grande maioria da população - está ameaçada de fome no território cercado por Israel desde 9 de outubro, especialmente no norte, onde a destruição, os combates e os saques tornaram quase impossível a distribuição de ajuda.Israel deixou de emitir vistos para o pessoal internacional das organizações humanitárias que trabalham nos territórios palestinianos ocupados, dificultando os esforços para fazer chegar alimentos e outros fornecimentos vitais a Gaza.


A ONU denunciou igualmente os obstáculos impostos por Israel, que controla a entrada de ajuda proveniente do Egito.

Segundo a agência da ONU para os refugiados palestinianos (UNRWA), as necessidades humanitárias são "ilimitadas".

"A fome está a aproximar-se. Os hospitais transformaram-se em campos de batalha. Um milhão de crianças está a enfrentar traumas diários", sublinhou.

O Ministério da Saúde do Hamas revelou ainda que sete crianças morreram de "desidratação e subnutrição" no hospital Al-Chifa, na cidade de Gaza (norte), e outras sete no hospital Kamal Adwan, também no norte.

Numa publicação na rede social X, a UNRWA fez uma ligação a um artigo da Al Jazeera de quarta-feira que relatava a notícia, citando informações do ministério da saúde do Hamas em Gaza.

O artigo inclui informações do Ministério sobre a morte de duas crianças no hospital al-Shifa, na cidade de Gaza, e de quatro crianças no hospital Kamal Adwan, no norte de Gaza. A televisão estatal com sede em Doha, no Catar, afirma que outras sete crianças permanecem em estado crítico.


Na sua publicação nas redes sociais na quinta-feira, a UNWRA afirmou: "O acesso desimpedido a toda a Faixa de Gaza é agora necessário. Um cessar-fogo imediato continua a ser uma questão de vida ou de morte".
Cerca de 1,5 milhões de palestinianos em Rafah
A comunidade internacional está igualmente preocupada com uma próxima ofensiva terrestre israelita em Rafah, onde, segundo a ONU, se encontram cerca de 1,5 milhões de palestinianos, a maioria dos quais deslocados, encurralados contra a fronteira fechada com o Egito.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que pretende derrotar o Hamas no seu "último reduto". E que uma trégua apenas "atrasaria" essa ofensiva, garantindo que os civis seriam retirados das zonas de combate.

Rafah, que tinha uma população de 270 mil habitantes antes da guerra, é o principal ponto de entrada da ajuda a Gaza, que chega em quantidades muito limitadas, e é alvo de bombardeamentos israelitas diários.


A Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) afirma que está a discutir com os responsáveis palestinianos a abertura de "muitos mais pontos de passagem".
Tréguas antes do Ramadão
O Catar, os Estados Unidos e o Egito estão a tentar chegar a um acordo de tréguas, de seis semanas, durante as quais um refém nas mãos do Hamas - incluindo mulheres, menores e idosos doentes - seria trocado diariamente por dez palestinianos detidos por Israel.

Na segunda-feira, o presidente dos EUA, Joe Biden, falou de "um acordo entre os israelitas para não realizarem operações durante o Ramadão", a fim de "libertar todos os reféns". "Estou esperançado que, na próxima segunda-feira, tenhamos um cessar-fogo", afirmou Biden, sublinhando que "ainda não é um acordo fechado".

Exigindo um acordo do seu governo para libertar os reféns, cerca de 150 israelitas lançaram uma marcha de quatro dias em Reim, no sul de Israel, até Jerusalém.


Na frente diplomática, representantes das facões palestinianas, incluindo os movimentos rivais Hamas e Fatah, encontram-se em Moscovo na quinta-feira para conversações com o chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov.

c/ agências internacionais
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