Obama alerta para resultados de incumprimento

O presidente dos Estados Unidos apelou aos norte-americanos para que pressionem o Congresso a aumentar o texto da dívida pública de modo a evitar o incumprimento e uma crise sem precedentes no país. Numa mensagem transmitida pela televisão, Barack Obama argumenta que o aumento do limite da dívida não implica maiores gastos pelo Estado. O líder dos republicanos já respondeu, garantindo que não vai passar um “cheque em branco”.

RTP /
Barack Obama avisou que o país pode estar perto de uma grave crise económica James Watson, EPA

A atitude dos republicanos no debate sobre o limite da dívida pública conduziu a um impasse "perigoso", declarou, ontem à noite, Barack Obama, num discurso de 15 minutos transmitido em direto pelas televisões.

“Prefeririam reduzir os défices e as taxas de juro aumentando os impostos junto daqueles que não pagam agora tanto quanto devem ou prefeririam aceitar défices orçamentais maiores, taxas de juro mais altas e mais desemprego?”, questionou.

Por isso, o presidente apelou aos que "querem uma abordagem equilibrada para reduzir o défice, façam-no saber aos vossos eleitos no Congresso”. “O povo americano pode ter votado para ter um governo dividido, mas eles não votaram para eleger um governo disfuncional", acrescentou.

Sondagem:

Trinta e sete por cento dos americanos consideram que as políticas de Obama contribuíram para piorar a economia norte-americana, concluiu uma sondagem do Washington Post-ABC News junto de mais de mil pessoas. No entanto, os republicanos também são responsabilizados pela situação.

Cinquenta e dois por cento rejeitam as políticas de emprego do presidente democrata, enquanto 65 por cento condenam as posições dos republicanos nesta questão.

Noventa por cento considera que a economia não está a evoluir favoravelmente, 85 por cento admite que está a retroceder e quatro em cinco dos participantes na sondagem dizem que é muito difícil encontrar trabalho.

A sondagem foi realizada entre os dias 14 e 17 de julho, tendo uma margem de erro de 3,5 por cento.
Se os democratas e os republicanos não chegarem a acordo político para aumentar o limite da dívida pública até 2 de agosto, os EUA entrarão em incumprimento e o Governo terá de escolher entre o pagamento da dívida e as despesas correntes.

Obama alertou para o perigo de uma “profunda crise económica” caso os EUA entrem em incumprimento e acrescentou que a prioridade é lutar contra a dívida a longo prazo, pois os atuais níveis de crescimento da dívida vão obrigar a “cortar empregos e provocar graves desgastes na economia”.

Obama considera que o “novo método revelado hoje por Boehner, que aumentaria temporariamente o limite da dívida em troca de cortes na despesa, iria forçar-nos a enfrentar novamente a ameaça de incumprimento daqui a apenas seis meses”.

No entanto, Obama manifesta esperança que será possível chegar a um compromisso antes de 02 de agosto. "Eu disse aos líderes dos dois partidos que devem chegar a um compromisso durante os próximos dias, que possa ser adotado pelas duas câmaras do Congresso; um compromisso que eu possa promulgar. E estou certo de que podemos alcançar esse compromisso", concluiu.

Boehner promete não passar “cheque em branco”

Em resposta, o presidente da Câmara dos Representantes diz que não pode tolerar mais despesa pública à custa dos contribuintes e acusa o presidente de querer um “cheque em branco”.

“A triste verdade é que o presidente queria um cheque em branco há seis meses e ainda quer o cheque em branco hoje, mas não o vai ter”, retorquiu John Boehner. “A solução para esta crise não é complicada. Se gastamos mais dinheiro do que ganhamos, temos de gastar menos. Não há sintoma mais ameaçados de um governo esbanjador do que a nossa dívida. Se quebrarmos o seu controlo, começamos a libertar a nossa economia e o nosso futuro”, sublinhou.

O republicano acusou o presidente democrata de ser "demasiado inflexível" perante as propostas do seu partido. Os Estados Unidos "não podem entrar em incumprimento em relação às suas obrigações", acrescentou, admitindo que "empregos e poupanças de um grande número de norte-americanos estarão em causa" se o país entrar pela primeira vez em incumprimento na sua história.

Boehner insiste na redução em duas fases do défice dos Estados Unidos, em dois biliões de euros, e que exigiria uma nova votação no Congresso sobre o limite da dívida no início de 2012. Por seu lado, Obama pretende a aprovação de um plano de aumento da dívida de, pelo menos, 1,6 biliões de euros que dure até 2013, para evitar um novo debate antes das presidenciais de novembro de 2012.

A dívida bruta federal, que ascende a 9,9 biliões de euros, atingiu em maio o limite máximo autorizado pelo Congresso. O défice orçamental deve atingir 1,108 biliões de euros este ano.
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