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Ocidente duvida. Rússia anuncia ponto final a exercícios militares na Crimeia
O Ministério russo da Defesa anunciou esta quarta-feira o fim dos exercícios militares na península da Crimeia e um regresso de tropas às bases, à semelhança do que foi aventado na véspera sobre efetivos envolvidos em manobras próximas da linha de fronteira ocidental com a Ucrânia. As primeiras reações do Ocidente a esta nova comunicação de Moscovo conservam a cautela.
“Unidades do Distrito Militar do Sul, tendo completado a sua participação em exercícios táticos, estão a movimentar-se para os pontos permanentes de destacamento”, indicou em comunicado o Ministério da Defesa da Rússia.A península da Crimeia foi anexada pela Rússia em 2014. O território estava sob administração da Ucrânia.
Moscovo faz saber que está a retirar da Crimeia, por via ferroviária, tanques e outros veículos militares, assim como peças de artilharia – a televisão estatal russa tem estado a difundir imagens de unidades militares que aparentam abandonar a península. Por especificar fica o número de soldados abrangidos por esta ordem de recuo.
Confrontado com este novo anúncio por parte de Moscovo, o ministro britânico da Defesa retorquiu, na estação televisiva SkyNews, que os poderes político e militar russos serão avaliados por “ações” e não perante “palavras”.
Ben Wallace contrapôs - seguindo a deixa do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden – que, no terreno, as forças russas parecem continuar a posicionar-se em pontos “mais agressivos” para com a Ucrânia, tendo mesmo montado “hospitais de campanha e sistemas de armas estratégicas”.
“Isto não é um exercício normal. Não se cerca um país com 60 por cento das forças terrestres da Rússia nas suas fronteiras se apenas se pretende fazer um exercício”, enfatizou o chefe da diplomacia britânica, que, mais tarde, na emissora BBC Radio 4, carregou na ideia do estado de prontidão – em posicionamento e escala - das tropas russas para “invadir com sucesso a Ucrânia, se o desejarem”.Ben Wallace participa esta quarta-feira, em Bruxelas, numa reunião com os homólogos dos países-membros da NATO.
“Até vermos um verdadeiro recuo na escalada, penso que devemos todos continuar prudentes quanto à direção que o Kremlin vai tomar”, insistiu o ministro britânico.
“Nada de inesperado”
O ministro ucraniano da Defesa, Oleksii Reznikov, disse entretanto que, por ora, “nada de inesperado” está a ter lugar nas fronteiras: “Como todos os dias, na manhã de hoje recebi um relatório com números e factos, que correspondem às nossas previsões e não contém nada de inesperado”.
Durante um programa televisivo, por ocasião do dia da unidade decretado pelo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, o ministro da Defesa acentuou que “os serviços de informação veem tudo”.
“Estamos em contacto permanente com os nossos parceiros, os nossos dados coincidem e o nosso país está preparado para qualquer cenário”, vincou Reznikov.
“Quero que todos saibam que os comandantes do nosso exército são generais experientes, que aprenderam a ciência militar não apenas nos livros, mas diretamente na frente, e que sabem quem é o inimigo e como detê-lo”, vincou.
“Diálogo político sincero”
Por sua vez, o presidente do Conselho Europeu veio a público para colocar à Rússia uma escolha entre dois cenários possíveis: a guerra ou a diplomacia.
Ao pronunciar-se perante os eurodeputados, Charles Michel reiterou que “a escalada sem precedentes” da Rússia “contra a Ucrânia” ameaça “a paz e a segurança na Europa”.
“Nos últimos dois dias, a Rússia sinalizou que pode estar aberta à diplomacia e exortamos a Rússia a adotar passos concretos e tangíveis nessa direção, porque esta é a condição para um diálogo político sincero”.
“A escola, hoje, é entre a guerra e os trágicos sacrifícios que a acompanhariam ou a coragem de um compromisso político, a coragem de uma negociação diplomática”, completou.
“Preparados para o pior”
Em Bruxelas, na antecâmara da reunião ministerial de dois dias da Aliança Atlântica, o secretário-geral da organização, Jens Stoltenberg, afirmou que há abertura para a via diplomática, mas também prontidão para o quadro bélico. “Trabalhamos duramente para o melhor, uma solução política pacífica, mas também nos preparámos para o pior, que a Rússia venha a invadir, uma vez mais, a Ucrânia”, declarou Stoltenberg.
O secretário-geral da NATO acrescentou que, na perspetiva ocidental, o número de tropas russas na fronteira com a Ucrânia continua a aumentar, ao contrário do que tem vindo a ser sinalizado desde terça-feira por Moscovo.
O que o Kremlin tem promovido nos últimos meses, prosseguiu Jens Stoltenberg, é posicionar tropas e equipamento e, posteriormente, fazer recuar militares e deixar para trás o material de guerra. O que facilita futuros destacamentos de forças.
c/ agências
Moscovo faz saber que está a retirar da Crimeia, por via ferroviária, tanques e outros veículos militares, assim como peças de artilharia – a televisão estatal russa tem estado a difundir imagens de unidades militares que aparentam abandonar a península. Por especificar fica o número de soldados abrangidos por esta ordem de recuo.
Também esta manhã o ministro dos Negócios Estrangeiros da Bielorrússia, Vladimir Makei, afiançou em conferência de imprensa que, uma vez concluídos os exercícios militares conjuntos entre as forças do seu país e da Rússia, a 20 de fevereiro, “nem um soldado” russo permanecerá naquele Estado satélite de Moscovo.
“Nem um soldado, nem um só equipamento ficarão no território da Bielorrússia após as manobras realizadas com a Rússia”, frisou o governante.
“Ações” e não “palavras”Confrontado com este novo anúncio por parte de Moscovo, o ministro britânico da Defesa retorquiu, na estação televisiva SkyNews, que os poderes político e militar russos serão avaliados por “ações” e não perante “palavras”.
Ben Wallace contrapôs - seguindo a deixa do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden – que, no terreno, as forças russas parecem continuar a posicionar-se em pontos “mais agressivos” para com a Ucrânia, tendo mesmo montado “hospitais de campanha e sistemas de armas estratégicas”.
“Isto não é um exercício normal. Não se cerca um país com 60 por cento das forças terrestres da Rússia nas suas fronteiras se apenas se pretende fazer um exercício”, enfatizou o chefe da diplomacia britânica, que, mais tarde, na emissora BBC Radio 4, carregou na ideia do estado de prontidão – em posicionamento e escala - das tropas russas para “invadir com sucesso a Ucrânia, se o desejarem”.Ben Wallace participa esta quarta-feira, em Bruxelas, numa reunião com os homólogos dos países-membros da NATO.
“Até vermos um verdadeiro recuo na escalada, penso que devemos todos continuar prudentes quanto à direção que o Kremlin vai tomar”, insistiu o ministro britânico.
“Nada de inesperado”
O ministro ucraniano da Defesa, Oleksii Reznikov, disse entretanto que, por ora, “nada de inesperado” está a ter lugar nas fronteiras: “Como todos os dias, na manhã de hoje recebi um relatório com números e factos, que correspondem às nossas previsões e não contém nada de inesperado”.
Durante um programa televisivo, por ocasião do dia da unidade decretado pelo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, o ministro da Defesa acentuou que “os serviços de informação veem tudo”.
“Estamos em contacto permanente com os nossos parceiros, os nossos dados coincidem e o nosso país está preparado para qualquer cenário”, vincou Reznikov.
“Quero que todos saibam que os comandantes do nosso exército são generais experientes, que aprenderam a ciência militar não apenas nos livros, mas diretamente na frente, e que sabem quem é o inimigo e como detê-lo”, vincou.
“Diálogo político sincero”
Por sua vez, o presidente do Conselho Europeu veio a público para colocar à Rússia uma escolha entre dois cenários possíveis: a guerra ou a diplomacia.
Ao pronunciar-se perante os eurodeputados, Charles Michel reiterou que “a escalada sem precedentes” da Rússia “contra a Ucrânia” ameaça “a paz e a segurança na Europa”.
“Nos últimos dois dias, a Rússia sinalizou que pode estar aberta à diplomacia e exortamos a Rússia a adotar passos concretos e tangíveis nessa direção, porque esta é a condição para um diálogo político sincero”.
“A escola, hoje, é entre a guerra e os trágicos sacrifícios que a acompanhariam ou a coragem de um compromisso político, a coragem de uma negociação diplomática”, completou.
“Preparados para o pior”
Em Bruxelas, na antecâmara da reunião ministerial de dois dias da Aliança Atlântica, o secretário-geral da organização, Jens Stoltenberg, afirmou que há abertura para a via diplomática, mas também prontidão para o quadro bélico. “Trabalhamos duramente para o melhor, uma solução política pacífica, mas também nos preparámos para o pior, que a Rússia venha a invadir, uma vez mais, a Ucrânia”, declarou Stoltenberg.
O secretário-geral da NATO acrescentou que, na perspetiva ocidental, o número de tropas russas na fronteira com a Ucrânia continua a aumentar, ao contrário do que tem vindo a ser sinalizado desde terça-feira por Moscovo.
O que o Kremlin tem promovido nos últimos meses, prosseguiu Jens Stoltenberg, é posicionar tropas e equipamento e, posteriormente, fazer recuar militares e deixar para trás o material de guerra. O que facilita futuros destacamentos de forças.
c/ agências