Oligarca com ascendência judaica sai da Rússia e consegue nacionalidade israelita

O oligarca russo Mikhail Prokhorov, que até ao momento tem escapado às sanções ocidentais na sequência da invasão russa da Ucrânia, conseguiu agora obter nacionalidade israelita. O site de notícias Ynet avança que o empresário chegou na semana passada a Israel a bordo de um jato privado.

RTP /
Na semana passada, Prokhorov terá entrado em Israel com um visto de viajante. EPA

Prokhorov é presidente da Polyus Gold, uma das maiores empresas mineiras e metalúrgicas da Rússia e a maior produtora de ouro desse país do leste europeu.

De origem judaica, este empresário de 56 anos foi considerado pela revista Forbes como a 193.ª pessoa mais rica do mundo, com um património líquido avaliado em 11,5 mil milhões de dólares.

Agora, através da Lei do Retorno do Estado de Israel - que concede o direito de cidadania a judeus originários de qualquer país que pretendam migrar para solo israelita -, conseguiu obter a nacionalidade israelita.

Na semana passada, Prokhorov terá entrado em Israel com um visto de viajante. Pouco depois, segundo o Ynet, realizou testes conduzidos pela Nativ – entidade administrativa independente que verifica a elegibilidade de judeus nascidos na antiga União Soviética – e passou, conseguindo a cidadania israelita.

Depois de verificado o seu registo criminal pela Autoridade para a Imigração, recebeu um passaporte.
Prokhorov concorreu contra Putin nas presidenciais de 2012
Até ao momento, este empresário não foi sancionado pelo Ocidente, ao contrário do que tem acontecido a dezenas de oligarcas russos próximos de Vladimir Putin.

Mikhail Prokhorov, que foi dono do clube de basquetebol da NBA Brooklyn Nets, possui inclusivamente ligações a um dos bilionários russos mais sancionados até ao momento: Roman Abramovich, que chegou a deter as ações da empresa de exploração mineira Norilsk Nickel, através da qual Prokhorov começou a construir a sua riqueza.

Em 2012, o agora nacional israelita chegou a defrontar o presidente russo, Vladimir Putin, nas eleições às quais concorreu como independente. No final, arrecadou apenas oito por cento dos votos.

Durante a sua campanha eleitoral, o milionário recusou-se a criticar Putin, dizendo antes querer focar-se “naquilo que fará enquanto presidente”.

Segundo a BBC, as ligações de Prokhorov com o Kremlin levaram a que algumas figuras da oposição russa sugerissem que a campanha eleitoral deste oligarca não passou de uma manobra de diversão orquestrada por Putin para desviar as atenções dos protestos que se viviam na Rússia, aproveitando ainda para apresentar um candidato liberal aos eleitores.
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