ONU acusa Israel de manter população de Gaza “presa numa favela tóxica”

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O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos voltou esta sexta-feira a criticar a violência usada pelas forças de segurança israelitas na Faixa de Gaza. Numa sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, o responsável diz ainda que a população de Gaza está “presa numa favela tóxica desde o nascimento até à morte, sem dignidade e desumanizada pelas autoridades israelitas”.

“Uma tragédia para milhares de famílias”. É desta forma que Zeid Ra'ad Al Hussein, alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos descreve os últimos eventos ocorridos na Faixa de Gaza, contrapondo as declarações de um responsável do Exército israelita, que considerou as mortes desta semana como “uma vitória de Relações Públicas para o Hamas”.    
 
“Os palestinianos têm exatamente os mesmos Direitos Humanos que os israelitas. Os mesmos direitos de viver em segurança nas suas casas, em liberdade e com serviços e oportunidades essenciais”, assinalou o responsável durante uma sessão especial do Conselho para os Direitos Humanos das Nações Unidas que decorreu esta sexta-feira, em Genebra, e que pode dar origem a uma comissão de inquérito sobre os episódios recentes de violência.  
 
Zeid fez notar ainda que o “enorme contraste” no número de vítimas é sinal de uma “resposta totalmente desproporcionada”.  
 
“Como uma potência de ocupação sob a Lei Internacional, Israel é obrigado a proteger a população de Gaza e a garantir o seu bem-estar. Mas [a população] está essencialmente presa numa favela tóxica desde o nascimento até à morte, privada de dignidade e desumanizada pelas autoridades israelitas”, acusou o responsável.  



No início da semana, os protestos na Faixa de Gaza fizeram pelo menos 60 mortos segundo as autoridades palestinianas. As Nações Unidas falam em 43 vítimas mortais só na segunda-feira, dia 14 de maio.  
 
O responsável pelos Direitos Humanos lembra, no entanto, que os protestos já decorrem desde 30 de março. Nas últimas sete semanas, as forças de segurança israelitas mataram pelo menos “87 palestinianos” e fizeram “mais de 12 mil feridos”, das quais mais de 3.500 foram atingidas por munições reais.

“Ninguém ficou mais seguro depois dos terríveis acontecimentos desta semana”, frisou Zeid  Ra'ad Al Hussein, numa crítica indireta à decisão dos Estados Unidos de deslocalizar a Embaixada norte-americana em Israel de Telavive para Jerusalém. Na inauguração de segunda-feira, os EUA garantiam que a decisão traria mais estabilidade à região.
 
O responsável das Nações Unidas pediu ainda que os culpados por estas mortes devem ser responsabilizados. “No que é que te tornas quando disparas e matas alguém que está desarmado e que não representa uma ameaça direta?”, questionou. Uso de força letal como "último recurso"
Num apelo às autoridades israelitas para a resolução do conflito israelo-palestiniano, Zeid  Ra'ad Al Hussein considera que o “fim da ocupação” é crucial para que a violência e a segurança cessem.  
 
“Peço a Israel para que aja de acordo com as suas obrigações internacionais. O direito dos palestinianos à vida, à segurança e os direitos à liberdade de reunião e expressão devem ser respeitados e protegidos”, refere o alto-comissário.
 
 Zeid sublinhou ainda que o uso de força letal “deve apenas ser usada em casos de extrema necessidade, como último recurso, em resposta a uma ameaça iminente”.  
 
Segundo as autoridades palestinianas, mais de 100 pessoas morreram nas últimas sete semanas. Só na segunda-feira, o exército israelita matou 62 palestinianos que protestavam junto à zona fronteiriça entre Gaza e Israel.  
 
As manifestações ocorridas na segunda-feira assinalavam sete décadas desde o início da Nakba ("Catástrofe" em árabe), ou seja, a expulsão da primeira vaga de palestinianos que tiveram de procurar refúgio fora da sua terra após a fundação do Estado de Israel, a 14 de maio de 1948.

Os protestos foram inflamados pela decisão de Donald Trump em deslocalizar a Embaixada norte-americana em Israel, de Telavive para Jerusalém, rompendo com o consenso internacional sobre o estatuto da cidade, de relevância fundamental para israelitas e palestinianos.

A inauguração do novo edifício de representação diplomática norte-americana aconteceu precisamente na segunda-feira, dia em que Israel celebrou 70 anos desde a declaração de independência.

A ação da administração norte-americana é vista como uma afronta à causa palestiniana, uma vez que também eles reclamam a cidade de Jerusalém como sua capital.

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Direitos Humanos, Faixa de Gaza, Jerusalém, Nações Unidas, ONU, Palestina, Israel,

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