"Open Arms". Navio espanhol a caminho de Lampedusa para resgatar refugiados

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Migrantes tentando nadar do navio "Open Arms" para terra
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O Governo de Madrid anunciou que vai enviar um navio militar para resgatar os migrantes a quem está a ser negado o desembarque no porto italiano de Lampedusa.

Segundo um comunicado do Governo espanhol citado pela agência noticiosa France Press, o navio "Audaz", da Marinha de Guerra espanhola partiu às 16h GMT da base nava de Rota e terá de navegar durante três dias para chegar a Lampedusa. Daí levará os refugiados para Palma de Maiorca, nas Baleares.

Segundo vários relatos, ao fim de 19 dias a bordo, torna-se cada vez mais insustentável a situação de cerca de uma centena de refugiados, com 15 deles a lançarem-se ao mar, alguns sem colete salva-vidas, numa tentativa desesperada de atingirem a nado a costa de Lampedusa. Estes foram depois recolhidos pela guarda costeira italiana e levados para terra.

Entretanto, as autoridades italianas permaneceram indiferentes ao oferecimento de vários países europeus (França, Alemanha, Luxemburgo, Portugal, Roménia e Espanha) no sentido de acolherem os refugiados. Apenas autorizaram o desembarque de 29 menores, o que por outro lado redunda em separar as crianças dos pais, tal como vem sucedendo com frequência crescente nos Estados Unidos.

A decisão do Governo espanhol de enviar o navio de guerra "Audaz" sobe o tom no confronto com o ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, que mantém a recusa ao desembarque dos refugiados que se encontram a bordo do navio espanhol "Open Arms", da ONG Proactiva. O Governo de Pedro Sánchez tem mesmo acusado Salvini de prolongar artificialmente a agonia dos migrantes para criar um efeito eleitoral favorável ao seu partido de extrema-direita, na expectativa de cair hoje o Governo italiano e de serem convocadas eleições.

Pela voz de um dos seus ministros do Movimento 5 Estrelas, agora oposto a Salvini, o Governo italiano agradeceu hoje a Espanha a iniciativa de enviar o navio para transportar os migrantes. O ministro Danilo Tonelli congratulou-se porque, graças a essa iniciativa, "finalmente, a situação até agora insustentável do navio da organização não-governamental vai ter uma solução que protege as pessoas a bordo há 19 dias, e que não deixa o problema apenas para a Itália".

Mas seguidamente, adoptando o discurso de Salvini, acrescentou: "Espero que Espanha responda ao nosso apelo e se comprometa a fechar a ONG `Open Arms`, através dos meios e métodos que julgar mais adequados".

C/ agências

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