Pai de Anis Amri diz que ele era problemático e "violento"

A família do principal suspeito do atentado de Berlim na segunda-feira está dividida: se o pai, Mustapha Amri, o descreve como um rapaz problemático e "violento" que provavelmente em adolescente consumiu álcool e drogas, a irmã e um irmão de Anis Amri recusam acreditar que fosse capaz de atos terroristas.

Graça Andrade Ramos - RTP /
O pai de Anis Amri, Moustapha Amri, conversa com um dos seus filhos, Walid, na aldeia de Oueslatia, na Tunisia Zoubeir Souissi - Reuters

A família de Amri, de 24 anos, habita Oueslatia, na Tunisia. Mas no mandado de captura europeu contra o suspeito surgem um total de seis nomes diferentes e três nacionalidades.



Anis Amri residia na Alemanha desde 2015 e foi primeiro sinalizado como suspeito do atentado de Berlim através de papéis de pedido de asilo encontrados na cabine do camião. Foram ainda identificadas impressões digitais suas na porta do veículo de 40 toneladas.

Tem desde quarta-feira pendente sobre si um mandado de captura europeu com uma recompensa de 100 mil euros por informações que levem à sua detenção.

Amri terá deixado a Tunísia depois da revolta que depôs o Presidente Zine Abidine Ben Ali. Foi primeiro para Itália, em 2011 onde se envolveu em roubos, tendo sido detido na Catania por ter tomado parte num ataque com fogo posto, fazer ameaças, provocar estragos e ferir outras pessoas.

Encerrado para prisão de Ucciardone em Palermo, terá sido ali que se radicalizou, afirma o pai. "Ele passou quatro anos na prisão em Itália, onde encontrou grupos extremistas que o atraíram", garante Mustapha Amri.

Depois de Itália, Anis foi para a Alemanha em 2015, onde se terá apresentado como refugiado sírio, acrescenta o pai, que diz contudo não ter contacto com o filho há vários meses.

A agência Reuters afirma que o suspeito do atentado manteria contacto com alguns dos seus irmãos e toda a família estará a ser interrogada.

À agência France Presse, a sua irmã Najoua diz "não acreditar que o seu irmão pudesse fazer uma coisa assim", referindo-se ao atentado.

Outro irmão, Abdelkader, diz que ficou "em choque" quando viu as fotografias do seu irmão indicado como suspeito do atentado de Berlim. "Se é culpado merece toda a condenação. Nós rejeitamos o terrorismo e os terroristas - não temos nada a ver com terroristas", afirmou à AFP.
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