Papa avisa que não se deixará intimidar

O Papa disse que a fé lhe dará “coragem para não se deixar intimidar pelos murmúrios da opinião dominante”. Durante a celebração litúrgica do Domingo de Ramos, Bento XVI pediu, em português, “pelos jovens e por aqueles que trabalham para os educar e proteger”. A presidente da Suíça veio propor a criação de uma “lista negra” de padres pedófilos, com o propósito de impedir os seus contactos com crianças.

Raquel Ramalho Lopes, RTP /
A Rádio Vaticano entendeu a prece em português de Bento XVI como “expressão dos sentimentos da Igreja neste momento difícil em que se defronta com a praga da pedofilia” Damilo Schiavella, EPA

A proposta da presidente Doris Leuthard insere-se num contexto de investigação policial a padres alegadamente abusadores de crianças. "Tanto faz que os perpetradores sejam do mundo civil ou clerical. Ambos estão sujeitos à lei criminal suíça".

A imprensa suíça deste domingo dá conta que a conferência de bispos daquele país está a ponderar realizar um encontro de urgência, antes da reunião anual de 31 de Maio, para debater esta proposta de registo.

A presidente da Suíça defende a impossibilidade de contacto de pedófilos com crianças e que seja criado um registo de padres que tenham incorrido nesta prática, à semelhança do que acontece com professores.

Fé dará coragem a Bento XVI "para não se deixar intimidar"

Sem referir directamente os casos de abuso sexual de menores por homens da Igreja Católica, vindos a público nos últimos meses, o Papa disse que a sua fé em Deus o ajudará "a encontrar coragem para não se deixar intimidar pelos murmúrios da opinião dominante".

O Chefe da Igreja Católica, de 82 anos, referiu durante a celebração na Praça de São Pedro, que o homem, por vezes, "cai nos níveis mais baixos e vulgares" e "afunda-se no pântano do pecado e da desonestidade".

Sucessivos escândalos que envolvem membros do clero em actos de pedofilia antecederam as celebrações da Semana Santa. A situação não foi abordada de modo directo, mas alguns trechos da homilia poderiam ser entendidos como alusão ao contexto pelo qual a instituição está a passar.

As notícias sobre abusos sexuais de menores por padres nos Estados Unidos e na Europa foram classificadas pelo Vaticano como uma "tentativa ignóbil" de manchar "a qualquer preço" a reputação de Bento XVI. No entanto, o padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, admitiu que "a resposta da Igreja é crucial para a sua credibilidade moral", devendo "reconhecer e corrigir" actos praticados há dezenas de anos. "Este é o preço para restabelecer a justiça e purificar memórias, que nos permitirá olhar para o futuro com renovado vigor, humildade e confiança", acrescentou.

Os abusos sexuais recentemente divulgados foram praticados ao longo de décadas, em diferentes instituições católicas em vários países (Estados Unidos, Irlanda, Alemanha, Itália, entre outros).

A carta aos fiéis irlandeses foi a única posição pública do Papa, no passado fim-de-semana, e em que condenou os bispos daquele país por não terem aplicado os regulamentos devidos para evitar a continuada prática de actos de pedofilia.

O Domingo de Ramos assinala a entrada triunfante de Jesus em Jerusalém, dando início à Semana Santa e que termina no domingo da Ressurreição.A situação entre palestinianos e israelitas, divididos pela construção de colonatos em Jerusalém, preocupa o líder máximo da Igreja Católica.

"Estou profundamente afligido pela recente tensão que se faz sentir mais uma vez nesta localidade, património espiritual dos cristão, judeus e muçulmanos", apelando ao trabalho para uma co-habitação pacífica. "Rezemos para que os responsáveis pelo futuro de Jerusalém assumam com coragem a via da paz e a persigam com perseverança", declarou Bento XVI.

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