Paquistão invoca "direitos de retaliação" após abater aviões indianos

O Paquistão invocou os seus "direitos recíprocos de retaliação" depois de ter abatido dois aviões indianos e capturado um dos seus pilotos esta quarta-feira, um dia depois de a Índia ter bombardeado um campo de treino de um grupo armado paquistanês. A Índia já respondeu, anunciando que derrubou um avião paquistanês durante o confronto. Entre conflitos que fizeram, num curto espaço de tempo, aumentar drasticamente a tensão entre os dois países, os Estados Unidos já apelaram à “contenção”.

RTP /
Um piloto indiano terá sido detido após o abate dos aviões Danish Ismail - Reuters

“Se a Índia está a atacar alegados terroristas sem qualquer prova, também nós mantemos direitos recíprocos de retaliação contra elementos que beneficiam de proteção indiana enquanto levam a cabo atos terroristas no Paquistão”, sublinhou o Ministério paquistanês dos Negócios Estrangeiros.

A declaração chegou pouco depois de o general Asif Ghafoor ter comunicado, através do Twitter, que “a Força Aérea do Paquistão abateu dois aviões indianos dentro do espaço aéreo paquistanês".

"Um caiu dentro da Caxemira Livre [controlada pelo Paquistão] e outro em Jammu e Caxemira [área controlada pela Índia]”, explicou, acrescentando que “um piloto indiano foi detido pelos militares enquanto dois outros continuam na área”.


Ghafoor disse ainda não ter havido “outra opção” senão responder ao ataque indiano de terça-feira no seu território, mas garantiu que o país não pretendia agravar a crise e que evitou atingir militares e provocar mortes.

"O Paquistão não está a contribuir para um ambiente de guerra. Se fosse esse o caso, poderíamos facilmente ter atacado o alvo que estava na mira das nossas Forças Aéreas. Isso teria resultado em baixas humanas, assim como em danos colaterais. Por essa razão, atacámos um espaço aberto na zona onde não havia vida humana ou postos militares", declarou.

Também o Ministério paquistanês dos Negócios Estrangeiros informou que o país abateu um alvo “não militar” dentro da Caxemira indiana, mas que foram evitados danos colaterais e perdas humanas.
Índia garante que abateu avião paquistanês
Já as forças policiais que se encontram no território indiano da Caxemira alegam que dois pilotos indianos e um civil morreram depois de um dos aviões indianos ter entrado na região, mas não confirmaram que a aeronave tenha sido abatida.

A Índia afirmou que três aviões paquistaneses também entraram no espaço aéreo indiano esta quarta-feira, tendo sido intercetados e forçados a voltar para trás.

No dia posterior a uma operação apresentada por Nova Deli como um “ataque preventivo” contra um campo de treino no Paquistão, a força aérea paquistanesa “visou instalações militares” na Caxemira indiana, declarou Raveesh Kumar, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Índia numa conferência de imprensa.
Kumar referiu que as “tentativas do Paquistão fracassaram”.

No confronto, segundo o porta-voz, "um avião de combate da força aérea do Paquistão foi abatido por um Mig-21 Bison da força aérea da Índia".

"O avião paquistanês foi visto por tropas de terra a cair no lado paquistanês. Neste confronto, infelizmente, perdemos um MiG-21. O piloto desse caça desapareceu em combate. O Paquistão afirma que o tem detido”, afirmou, acrescentando que esta última informação estava a ser verificada.

O exército indiano assegurou, na terça-feira, ter liderado um ataque contra um campo de treino no Paquistão do grupo islâmico Jaish-e-Mohammed (JEM), muito ativo na luta armada contra a Nova Deli, no Vale do Srinagar, dizendo ter matado "um grande número" de combatentes.

Islamabad denunciou imediatamente essa "agressão prematura" e prometeu responder aos ataques.
“Contenção”
O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, apelou à Índia e ao Paquistão para que evitem o agravamento do conflito e diz ter falado com os ministros dos Negócios Estrangeiros de ambos os países.

Encorajámos a Índia e o Paquistão a exercerem contenção e a evitarem a escalada, a todo custo”, declarou. “Também encorajei os dois ministros a darem prioridade à comunicação direta e a evitarem mais atividades militares”.

Desde 1947, quando terminou a colonização britânica, que a região de Caxemira é reivindicada na totalidade pelos dois países. Atualmente, a Índia controla mais de 40 por cento do território, enquanto o Paquistão detém uma percentagem ligeiramente inferior. A China controla cerca de 20 por cento.

O Governo indiano garantiu, na terça-feira, que 300 militantes paquistaneses foram mortos num ataque da Força Aérea da Índia na área da Caxemira paquistanesa, mas o Paquistão negou que tenha havido baixas.Esta foi a primeira vez que aviões indianos invadiram o Paquistão desde uma guerra ocorrida em 1971.

A Índia justificou a sua ação declarando que esta se tinha como alvo o grupo terrorista Jaish-e-Mohammed (JeM), que reivindicou um ataque suicida com um carro-bomba a 14 de fevereiro, no qual morreram 42 polícias paramilitares indianos.

A ministra indiana dos Negócios Estrangeiros, Sushma Swaraj, diz que o país decidiu agir preventivamente perante a recusa do Paquistão em "reconhecer e agir contra grupos terroristas", garantindo ainda que o grupo JeM planeava novos ataques "em várias partes da Índia".

"Esta não foi uma operação militar. Nenhumas instalações militares foram atingidas. O objetivo foi agir de forma decisiva contra a infraestrutura terrorista do JeM", sublinhou. "A Índia não deseja ver o agravamento desta situação e continuará a agir com responsabilidade e contenção".

c/Lusa
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