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Paquistão. Supremo Tribunal decreta que prisão de Imran Khan foi ilegal e exige a libertação imediata
O Supremo Tribunal do Paquistão decretou esta quinta-feira que a detenção do ex-primeiro-ministro, Imran Khan, foi ilegal e ordenou que fosse libertado de imediato. Imran Khan foi detido por dezenas de paramilitares na terça-feira, por suspeitas de corrupção. A sua detenção desencadeou violentos protestos por todo o país, que provocaram pelo menos cinco mortos e milhares de detenções.
O Supremo Tribunal do Paquistão decretou que a detenção do antigo primeiro-ministro foi ilegal, anulando a decisão anterior dos tribunais inferiores que classificaram como legal a detenção.
"O Supremo Tribunal reverteu todos os procedimentos legais contra Imran Khan. Ele foi convidado a apresentar-se no Supremo Tribunal de Islamabad na manhã de sexta-feira", disse o advogado Babar Awan aos jornalistas, citado pela agência Reuters.
O Supremo Tribunal ordenou ainda que Imran Khan fosse libertado de imediato. O advogado avançou que Khan estava agora sob custódia do Supremo Tribunal, mas não ficou claro quando é que o ex-primeiro-ministro irá ter permissão para ir para casa.
Khan foi detido na terça-feira por tropas paramilitares quando se apresentava no Supremo Tribunal de Islamabad para enfrentar um caso de corrupção. Pouco depois de ter entrado no tribunal, cerca de 100 paramilitares invadiram o edifício e detiveram o ex-primeiro-ministro do Paquistão, acusando de múltiplos crimes de corrupção.
A detenção do ex-primeiro-ministro gerou uma onda de protestos violentos por todo o país, aumentando o clima já tenso entre os militares e os apoiantes de Khan. Os protestos dos últimos dias provocaram pelo menos cinco mortos e centenas de feridos. Há ainda registo de mais de mil detenções.
Os maiores protestos ocorreram nas cidades de Lahore e Peshawar, onde a população entrou em confronto com as forças de segurança. Os manifestantes pró-Khan invadiram estabelecimentos militares e incendiaram vários edifícios estatais, nomeadamente a sede da estação Rádio Paquistão, a mais antiga rede de transmissão existente no país.
Os confrontos violentos levaram o governo a convocar o exército para ajudar a restaurar a ordem. O exército acusou Khan e os seus apoiantes de terem cruzado a linha vermelha e ameaçaram com “severas retaliações” em caso de um novo ataque contra o exército.
Quem é Imran Khan e porque foi detido?
Imran Khan, político, filantropo e antiga estrela do críquete paquistanês, fundou o seu próprio partido político, o Paquistão Tehreek-e-Insaaf (PTI), em 1996.
Em 2018, apoiado pelos militares, Khan foi eleito primeiro-ministro do Paquistão e tornou-se uma das figuras mais populares do país, prometendo erradicar a pobreza e a corrupção.
Durante o seu mandato, Khan manteve sempre uma relação próxima com os militares, que têm uma grande influência no poder. No entanto, a relação com os paramilitares foi ficando tensa depois de Khan ter sido afastado do poder, o ano passado, num voto de desconfiança devido a alegações de má administração económica.
Desde então, Khan tem sido altamente crítico dos principais líderes militares do país, acusando-os de conspirar com potências estrangeiras para orquestrar a sua queda do poder e de planearem tentativas de assassinato.
O antigo primeiro-ministro quer voltar ao poder, apesar de ser visado em dezenas de processos de corrupção. Khan liderou campanhas de protesto em todo o país para pressionar o governo a convocar eleições antecipadas marcadas para o final deste ano
Essas acusações de corrupção foram o mote para a política e as tropas paramilitares terem tentado prender Khan várias vezes nos últimos meses.
Khan acabou por ser detido na terça-feira devido ao seu alegado envolvimento no caso Qadir Trust, um processo que investiga eventuais atos de corrupção ligados a um fundo educacional.
Na maioria dos casos de que é acusado, Khan pode ser impedido de ocupar cargos públicos se for condenado, o que poderá impedi-lo de se recandidatar ara as eleições marcadas para novembro.
c/agências
"O Supremo Tribunal reverteu todos os procedimentos legais contra Imran Khan. Ele foi convidado a apresentar-se no Supremo Tribunal de Islamabad na manhã de sexta-feira", disse o advogado Babar Awan aos jornalistas, citado pela agência Reuters.
O Supremo Tribunal ordenou ainda que Imran Khan fosse libertado de imediato. O advogado avançou que Khan estava agora sob custódia do Supremo Tribunal, mas não ficou claro quando é que o ex-primeiro-ministro irá ter permissão para ir para casa.
Khan foi detido na terça-feira por tropas paramilitares quando se apresentava no Supremo Tribunal de Islamabad para enfrentar um caso de corrupção. Pouco depois de ter entrado no tribunal, cerca de 100 paramilitares invadiram o edifício e detiveram o ex-primeiro-ministro do Paquistão, acusando de múltiplos crimes de corrupção.
A detenção do ex-primeiro-ministro gerou uma onda de protestos violentos por todo o país, aumentando o clima já tenso entre os militares e os apoiantes de Khan. Os protestos dos últimos dias provocaram pelo menos cinco mortos e centenas de feridos. Há ainda registo de mais de mil detenções.
Os maiores protestos ocorreram nas cidades de Lahore e Peshawar, onde a população entrou em confronto com as forças de segurança. Os manifestantes pró-Khan invadiram estabelecimentos militares e incendiaram vários edifícios estatais, nomeadamente a sede da estação Rádio Paquistão, a mais antiga rede de transmissão existente no país.
Os confrontos violentos levaram o governo a convocar o exército para ajudar a restaurar a ordem. O exército acusou Khan e os seus apoiantes de terem cruzado a linha vermelha e ameaçaram com “severas retaliações” em caso de um novo ataque contra o exército.
Quem é Imran Khan e porque foi detido?
Imran Khan, político, filantropo e antiga estrela do críquete paquistanês, fundou o seu próprio partido político, o Paquistão Tehreek-e-Insaaf (PTI), em 1996.
Em 2018, apoiado pelos militares, Khan foi eleito primeiro-ministro do Paquistão e tornou-se uma das figuras mais populares do país, prometendo erradicar a pobreza e a corrupção.
Durante o seu mandato, Khan manteve sempre uma relação próxima com os militares, que têm uma grande influência no poder. No entanto, a relação com os paramilitares foi ficando tensa depois de Khan ter sido afastado do poder, o ano passado, num voto de desconfiança devido a alegações de má administração económica.
Desde então, Khan tem sido altamente crítico dos principais líderes militares do país, acusando-os de conspirar com potências estrangeiras para orquestrar a sua queda do poder e de planearem tentativas de assassinato.
O antigo primeiro-ministro quer voltar ao poder, apesar de ser visado em dezenas de processos de corrupção. Khan liderou campanhas de protesto em todo o país para pressionar o governo a convocar eleições antecipadas marcadas para o final deste ano
Essas acusações de corrupção foram o mote para a política e as tropas paramilitares terem tentado prender Khan várias vezes nos últimos meses.
Khan acabou por ser detido na terça-feira devido ao seu alegado envolvimento no caso Qadir Trust, um processo que investiga eventuais atos de corrupção ligados a um fundo educacional.
Na maioria dos casos de que é acusado, Khan pode ser impedido de ocupar cargos públicos se for condenado, o que poderá impedi-lo de se recandidatar ara as eleições marcadas para novembro.
c/agências