Pelo menos 50 civis mortos em protestos no Irão. Khamenei diz que regime "não recuará"
A ONG Human Rights Watch, indicou esta sexta-feira que, "durante os primeiros 13 dias de protestos em todo o Irão, 51 manifestantes, incluindo nove crianças com menos de 18 anos, foram mortos e centenas ficaram feridos".
A Guarda Revolucionária emitiu nas últimas horas um comunicado, a anunciar que não tolerará a continuação da actual situação no país.
E o Líder Supremo do Irão surgiu, também esta esta sexta-feira, num discurso televisionado, para garantir que o seu governo não irá recuar perante o que chama agitadores empenhados em causar destruição no país. "O arrogante Donald Trump será derrubado", afirmou, referindo-se ao presidente norte-americano, que ameaçou intervir no país se se registarem mortos na repressão das minfestações.
Ali Khamenei avisou que o seu país não recuará perante a crescente onda de protestos que desafiam a República Islâmica, no poder desde 1979.
Perante gritos dos seus apoiantes, que entoavam 'Morte à América', o ayatollah Khamenei adotou um tom agressivo num discurso transmitido pela televisão estatal.
"A República Islâmica não recuará perante os sabotadores", declarou, denunciando a destruição, no dia anterior, de um edifício em Teerão por "um bando de vândalos".
Um procurador distrital da cidade de Esfarayen, no leste do Irão, bem como vários membros das forças de segurança, foram mortos na noite de quinta-feira durante protestos, segundo o poder judicial.
As declarações da Guarda e do Líder Supremo podem indicar que as forças de segurança, já sobrecarregadas em todo o país, estarão a planear agravar a supressão dos protestos com meios mais pesados. Comunicações bloqueadas
As informações sobre o que se passa realmente no país são escassas devido ao bloqueio imposto à internet e à rede telefónica.O regime dos ayatollahs costuma recorrer a estes cortes de comunicações para impedir o envio, para o exterior, de imagens que comprovem a violência com que as suas forças de segurança se lançam sobre os manifestantes.
Os protestos atuais, iniciados dia 28 de dezembro de 2025, entraram esta sexta-feira no 13º dia sem traços de abrandar, apesar de várias notícias, publicadas na rede social X, darem conta da ocorrência de autênticos massacres.
O multimilionário Elon Musk terá disponibilizado a sua rede global de satélites, Starlink, para contornar o apagão decretado pelo regime iraniano.
🚨🇮🇷 Breaking scenes from Iran. Protesters are reportedly setting fire to the tomb of Khomeini, the founder of the 1979 Islamic Revolution. This is an extraordinary moment that highlights the intensity of the unrest.
— WAR (@warsurveillance) January 9, 2026
🦁☀️ pic.twitter.com/nvmLgVIOrS
This is the true Iran! While Western countries are preoccupied with political correctness and avoiding hurting anyone's feelings, the people of Iran, exhausted by Islam, are setting mosques on fire! 🔥 #IranProtests #IranRevolution pic.twitter.com/EkcWfSmNTv
— Persian God (@RealPersianGod) January 9, 2026
FUCK @khamenei_ir
— Alice Cordier (@CordierAlice2) January 9, 2026
STAND WITH IRANIAN WOMEN FROM FRANCE #Iran #IranRevolution2026 pic.twitter.com/LHfjgy5B2d
Abbas Araghchi, de visita ao Líbano, alegadamente com a família, afastou contudo a possibilidade de intervenção militar estrangeira.
ONG denunciam repressão
Estes são os maiores protestos registados nos últimos três anos no país e a sua amplitude parece ter-se tornado uma ameaça séria ao regime islâmico.
"Morte ao ditador" foi o grito mais ouvido esta semana nas ruas de Teerão e de outras grandes cidades, com milhões de iranianos a exigir abertamente nas ruas o fim da teocracia xiita.
As autoridades iranianas têm recorrido ao "uso ilegal da força e armas de fogo e prisões arbitrárias em massa", de acordo com um comunicado publicado esta sexta-feira na página portuguesa da Amnistia.
"As conclusões das organizações revelam como as forças de segurança, incluindo a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e a polícia iraniana, conhecida pela sigla persa FARAJA, utilizaram ilegalmente espingardas, caçadeiras carregadas com balas de metal, canhões de água, gás lacrimogéneo e espancamentos para dispersar, intimidar e punir manifestantes maioritariamente pacíficos", refere o texto.
"A repressão resultou na morte de, pelo menos, 28 manifestantes e transeuntes, incluindo crianças, em 13 cidades de oito províncias iranianas, entre 31 de dezembro de 2025 e 3 de janeiro de 2026, com base em informações credíveis recolhidas pela Amnistia Internacional e pela Human Rights Watch", denunciam ainda as duas organizações.
As Nações Unidas já pediram uma investigação independente sobre as mortes ocorridas nos protestos.
O filho do antigo Xá, figura importante da oposição exilada pediu na sexta-feira a Donald Trump que intervenha imediatamente na República Islâmica, onde, afirma, o movimento de protesto contra o governo continua a ganhar força.
"Senhor Presidente, este é um apelo urgente e imediato à sua atenção, apoio e ação", escreveu Reza Pahlavi nas redes sociais. "Por favor, esteja pronto para intervir e ajudar o povo iraniano".
Os protestos, inicialmente motivados por reivindicações relacionadas com o custo de vida, transformaram-se num sério desafio ao regime iraniano, no poder desde a Revolução Islâmica de 1979.
Queda de Mashhad
O presidente dos EUA republicou ainda, na sua rede Truth Social, um vídeo divulgado pelo Canal 13 da televisão israelita, alegando que os manifestantes assumiram o controlo Mashhad, a segunda maior cidade iraniana.
"Mais de um milhão de pessoas manifestaram-se: a segunda maior cidade do Irão caiu sob o controlo dos manifestantes, as forças do regime abandonaram a cidade", refere o texto que acompanha o vídeo. A alegação não foi verificada independentemente.
Mashhad, tem cerca de quatro milhões de habitantes e situa-se perto das fronteiras com o Turquemenistão e o Afeganistão. Alberga também o santuário sagrado do Imã Reza, um importante local de peregrinação.