Polícia de Los Angeles dispersa manifestantes anti-ICE com spray pimenta
A polícia de Los Angeles dispersou com spray pimenta os manifestantes que marcharam contra a agência de imigração ICE desde a câmara municipal até ao edifício federal, onde estão detidos imigrantes à espera de decisão judicial.
O confronto com a polícia, no fim da tarde de sexta-feira, aconteceu quando um grupo de manifestantes bateu no portão do edifício e atirou lixo em direção aos agentes.
"Eles abriram a porta e mandaram gás para cima de toda a gente", disse à Lusa Erick A., que marchou até ao edifício para protestar contra as rusgas de imigração violentas e as mortes que têm causado.
"Fugi quando o portão abriu e lançaram o gás", continuou o manifestante, que não estava preparado para a possibilidade de confrontos, visto que a marcha foi pacífica.
"Nunca tinha visto isto acontecer aqui", notou Erick A., que é um imigrante legal e não quis revelar o sobrenome por receio de retaliação.
Uma das organizadoras da marcha falava aos manifestantes com um megafone avisando para as medidas a tomar se fossem presos: não dizer o nome, não entregar documentos de identificação, invocar a 5ª Emenda e pedir para falar com um advogado.
A polícia de LA emitiu um alerta tático, o que significa que todos os agentes têm de permanecer em serviço após o fim do seu turno enquanto a ordem estiver ativa.
A marcha contra o Serviço de Imigração e Fronteiras, ICE, durou várias horas e juntou milhares de pessoas na baixa de Los Angeles, com oradores a falar e voluntários a distribuir águas e cartazes de protesto.
A ação em Los Angeles foi convocada em solidariedade com os manifestantes em Mineápolis, onde agentes do ICE mataram a tiro Alex Pretti na semana passada e onde continuam rusgas diárias.
O dia também ficou marcado pela detenção de vários jornalistas, incluindo Don Lemon, que se encontrava em Los Angeles para cobrir a cerimónia dos prémios de música Grammys, no domingo.
A mayor de Los Angeles, Karen Bass, descreveu a detenção como sendo inaceitável e um agravar das táticas da Casa Branca.
"Primeiro, os agentes de Trump disparam e matam pessoas que exerciam os seus direito protegidos pela Primeira Emenda, e agora prendem jornalistas que entraram numa igreja", declarou a mayor, numa nota enviada às redações. "É um assalto flagrante aos direitos constitucionalmente protegidos pela Primeira Emenda".
Os jornalistas foram detidos por terem transmitido ao vivo um protesto que decorreu dentro de uma igreja em St. Paul, Minnesota, a 18 de janeiro.