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Jornalistas detidos pelo ICE em Minneapolis. CPJ denuncia ataque à liberdade de imprensa
Dois jornalistas independentes, Don Lemon e Georgia Forte, foram detidos pelo Serviço de Imigração e Alfândega, ICE, após um protesto que invadiu uma igreja há 12 dias.
Transmitiam em direto o momento em que dezenas de manifestantes, opositores das ações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), invadiram a Igreja de St Paul no dia 18 de janeiro. A invasão interrompeu o culto e levou a confrontos tensos.
Quando foram detidos, quinta-feira à noite, tanto Lemon como Fort explicaram que estavam no local do protesto enquanto jornalistas, não como ativistas.
Num vídeo do episódio, que publicou no YouTube, Lemon explicou: "estou aqui apenas a fotografar, não faço parte do grupo… sou jornalista."
Fort fez as mesmas observações numa transmissão em direto no Facebook quando os agentes federais chegaram a sua casa na madrugada de sexta-feira.
"Tudo isto decorre do facto de ter filmado um protesto como membro da imprensa", reagiu Fort antes de se entregar aos agentes.
Lemon, um antigo pivôt da CNN que atualmente tem um canal no YouTube e noutras plataformas, foi detido quinta-feira, depois das 23h [hora local], no lobby de um hotel em Beverly Hills, por mais de duas dezenas de agentes da Homeland Security Investigations (HSI) e do FBI.
Lemon deverá comparecer esta sexta-feira no Tribunal Federal de Los Angeles.
Ataque à liberdade de imprensa
O advogado de Don Lemon, Abbe Lowell, disse à CNN que o jornalista está a ser acusado de dois crimes federais: conspiração para violar os direitos constitucionais de alguém e violação da Lei FACE, que proíbe o uso da força ou ameaças para interferir intencionalmente no exercício do direito à liberdade religiosa garantido pela Primeira Emenda.
As detenções estão a provocar protestos, sendo interpretadas como um ataque à liberdade de imprensa por parte da Administração Trump.
"O Don é jornalista há 30 anos e o seu trabalho, constitucionalmente protegido, em Minneapolis, não foi diferente do que sempre fez", disse Lowell em comunicado na manhã desta sexta-feira.
"A Primeira Emenda existe para proteger os jornalistas cujo papel é trazer à luz a verdade e responsabilizar aqueles que detêm o poder", acrescentou.
"Em vez de investigar os agentes federais que mataram dois manifestantes pacíficos no Minnesota, o Departamento de Justiça de Trump está a dedicar o seu tempo, atenção e recursos a esta detenção, e esta é a verdadeira acusação de irregularidades neste caso", acusou o advogado."Este ataque sem precedentes à Primeira Emenda e a tentativa transparente de desviar a atenção das inúmeras crises que esta Administração enfrenta, não serão tolerados. Don irá lutar contra estas acusações com vigor e rigor nos tribunais", prometeu Lowell.
Também Fort fez a mesma acusação. "Supostamente, temos o direito constitucional à liberdade de filmar, de sermos membros da imprensa", disse ela.
"O tratamento dado aos jornalistas é um importante indicador do estado da democracia num país. Estas detenções são apenas as mais recentes de uma série de ameaças flagrantes e crescentes contra a imprensa nos Estados Unidos e de um ataque ao direito do público a ser informado", escreveu a organização em comunicado.
O procurador-geral do Minnesota, Keith Ellison, afirmou em comunicado que as detenções são "profundamente preocupantes".
Bondi anunciou sexta-feira que quatro pessoas foram detidas "em ligação com o ataque coordenado" à igreja. Os outros dois indivíduos mencionados pela procuradora-geral foram Trahern Jeen Crew e Jamael Lydell Lundy.
Quando foram detidos, quinta-feira à noite, tanto Lemon como Fort explicaram que estavam no local do protesto enquanto jornalistas, não como ativistas.
Num vídeo do episódio, que publicou no YouTube, Lemon explicou: "estou aqui apenas a fotografar, não faço parte do grupo… sou jornalista."
Fort fez as mesmas observações numa transmissão em direto no Facebook quando os agentes federais chegaram a sua casa na madrugada de sexta-feira.
"Tudo isto decorre do facto de ter filmado um protesto como membro da imprensa", reagiu Fort antes de se entregar aos agentes.
Lemon, um antigo pivôt da CNN que atualmente tem um canal no YouTube e noutras plataformas, foi detido quinta-feira, depois das 23h [hora local], no lobby de um hotel em Beverly Hills, por mais de duas dezenas de agentes da Homeland Security Investigations (HSI) e do FBI.
Lemon deverá comparecer esta sexta-feira no Tribunal Federal de Los Angeles.
Ataque à liberdade de imprensa
O advogado de Don Lemon, Abbe Lowell, disse à CNN que o jornalista está a ser acusado de dois crimes federais: conspiração para violar os direitos constitucionais de alguém e violação da Lei FACE, que proíbe o uso da força ou ameaças para interferir intencionalmente no exercício do direito à liberdade religiosa garantido pela Primeira Emenda.
As detenções estão a provocar protestos, sendo interpretadas como um ataque à liberdade de imprensa por parte da Administração Trump.
"O Don é jornalista há 30 anos e o seu trabalho, constitucionalmente protegido, em Minneapolis, não foi diferente do que sempre fez", disse Lowell em comunicado na manhã desta sexta-feira.
"A Primeira Emenda existe para proteger os jornalistas cujo papel é trazer à luz a verdade e responsabilizar aqueles que detêm o poder", acrescentou.
"Em vez de investigar os agentes federais que mataram dois manifestantes pacíficos no Minnesota, o Departamento de Justiça de Trump está a dedicar o seu tempo, atenção e recursos a esta detenção, e esta é a verdadeira acusação de irregularidades neste caso", acusou o advogado."Este ataque sem precedentes à Primeira Emenda e a tentativa transparente de desviar a atenção das inúmeras crises que esta Administração enfrenta, não serão tolerados. Don irá lutar contra estas acusações com vigor e rigor nos tribunais", prometeu Lowell.
Também Fort fez a mesma acusação. "Supostamente, temos o direito constitucional à liberdade de filmar, de sermos membros da imprensa", disse ela.
"Não sinto que o meu direito à liberdade de expressão, garantido pela Primeira Emenda, esteja a ser respeitado, porque agora os agentes federais estão à minha porta a prender-me por filmar o protesto na igreja há algumas semanas."
O Comité para a Proteção dos Jornalistas denunciou esta sexta-feira um
"ataque flagrante" à imprensa após a detenção dos dois jornalistas
norte-americanos.
"O tratamento dado aos jornalistas é um importante indicador do estado da democracia num país. Estas detenções são apenas as mais recentes de uma série de ameaças flagrantes e crescentes contra a imprensa nos Estados Unidos e de um ataque ao direito do público a ser informado", escreveu a organização em comunicado.
O procurador-geral do Minnesota, Keith Ellison, afirmou em comunicado que as detenções são "profundamente preocupantes".
"No Minnesota, não tratamos os jornalistas como criminosos por fazerem o
seu trabalho. Ninguém deve ser preso simplesmente por segurar uma
câmara, fazer perguntas difíceis ou dizer ao público o que temos o
direito de saber", acrescentou.
O que pode suceder
Os vídeos da interrupção do culto na igreja provocaram uma indignação generalizada, particularmente por parte dos aliados da Administração Trump, alguns dos quais pressionaram publicamente a procuradora-geral federal, Pam Bondi, e outros funcionários, a tomarem medidas.
Na semana passada, o Departamento de Justiça tentou acusar oito pessoas, incluindo Lemon. Um juiz magistrado rejeitou as acusações contra cinco delas, incluindo Lemon, alegando insuficiência de provas. O juiz incentivou contudo os procuradores a levarem o caso a um júri popular e a procurarem uma acusação formal. Lemon afirmou no seu programa de YouTube que o governo tentaria novamente indiciá-lo. “Continuem a tentar”, disse. “Isso não me vai impedir de ser jornalista. Vocês não vão silenciar a minha voz”.
É extremamente incomum o Departamento de Justiça acusar criminalmente um repórter, embora não seja inédito.
Estes casos são minuciosamente analisados antes da decisão de apresentar acusações e enfrentam frequentemente longas batalhas judiciais.
É extremamente incomum o Departamento de Justiça acusar criminalmente um repórter, embora não seja inédito.
Estes casos são minuciosamente analisados antes da decisão de apresentar acusações e enfrentam frequentemente longas batalhas judiciais.
Bondi anunciou sexta-feira que quatro pessoas foram detidas "em ligação com o ataque coordenado" à igreja. Os outros dois indivíduos mencionados pela procuradora-geral foram Trahern Jeen Crew e Jamael Lydell Lundy.