Portugal admite participar como observador no Conselho de Paz criado por Trump
Portugal admite assistir a reuniões do Conselho de Paz de Donald Trump, que realiza esta quinta-feira a primeira reunião, "sempre como observador" e quando o tema for a paz ou reconstrução de Gaza, disse à Lusa fonte do Governo.
"No que a Gaza diz respeito, Portugal poderá disponibilizar-se, sempre como observador, para marcar presença em momentos que permitam consolidar o processo de paz ou de reconstrução", indicou, em declarações à Lusa, fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) a propósito da primeira reunião do organismo criado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.
Portugal recebeu o convite da Casa Branca para integrar o Conselho de Paz, com o chefe da diplomacia portuguesa a admitir aderir a este organismo desde que se cingisse ao conflito israelo-palestiniano.
O Conselho de Paz, organismo composto por líderes mundiais criado pelo presidente norte-americano, arranca esta quinta-feira com a primeira reunião em Washington e a promessa de destinar cinco mil milhões de dólares para reconstruir Gaza.
A Casa Branca convidou formalmente 50 países a aderirem ao Conselho de Paz. Até à data, a adesão à estrutura foi aceite por 26 países, a grande maioria aliados da atual administração norte-americana, como Israel, Argentina, Arábia Saudita e Egito. Os principais aliados europeus não vão participar neste encontro, acusando Trump de estar a tentar usurpar o papel da ONU.
A ONU não terá representação nesta primeira reunião do Conselho de Paz. A União Europeia, que recusou o convite para integrar a estrutura, vai fazer-se representar na reunião inaugural pela comissária para o Mediterrâneo, Dubravka Šuica, mas Bruxelas não esclareceu se terá a condição de observadora.
Presidido de forma vitalícia por Trump, o Conselho de Paz foi criado após o cessar-fogo negociado pela administração norte-americana com o Catar e o Egito, que entrou em vigor a 10 de outubro.
Foi inicialmente apresentado como uma das peças-chave para supervisionar o plano de paz para a Faixa de Gaza, mas o tratado fundador da estrutura acabou por revelar um mandato muito mais vasto, ao propor-se a resolver conflitos armados em todo o mundo e ambicionando tornar-se uma organização alternativa às Nações Unidas.
O objetivo do Conselho seria consolidar “um cessar-fogo permanente, apoiar a reconstrução de Gaza e promover uma paz justa e duradoura baseada no direito palestiniano à autodeterminação e ao estabelecimento do seu Estado de acordo com o direito internacional”, abrindo assim caminho à segurança e estabilidade dos países e povos da região.