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Portugal assinala coordenação "extraordinária" na investigação à morte de português em Maputo

Portugal assinala coordenação "extraordinária" na investigação à morte de português em Maputo

A Secretária de Estado de Negócios Estrangeiros e Cooperação assinalou hoje a coordenação "absolutamente extraordinária" entre Portugal e Moçambique na investigação à morte do português Pedro Ferraz, enquanto o país africano agradeceu o apoio.

Lusa /

"Realçar a coordenação absolutamente extraordinária das duas equipas, um aspeto, aliás, que foi enaltecido pela senhora ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, o que prova, também nesta área, a excelente relação bilateral", disse Ana Isabel Xavier, após um encontro com a ministra moçambicana, em Maputo.

Uma equipa composta por elementos da Polícia Judiciária e do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, enviada pelo Governo português, chegou na segunda-feira a Moçambique para acompanhar as investigações à morte do português Pedro Ferraz Reis, administrador do banco moçambicano BCI.

Ana Isabel Xavier esclareceu hoje que Portugal tem também as informações públicas divulgadas, referindo, entretanto, que as equipas do país estão a trabalhar em "estreita colaboração" com as autoridades de Moçambique.

A secretária de Estado destacou também o "excelente trabalho de equipa" entre Moçambique e Portugal, desde o primeiro momento que o Governo esteve empenhado em apoiar diretamente a família do empresário, através da embaixada em Maputo.

"O que nós sabemos é o que é público. Agora vamos deixar as equipas fazerem o seu trabalho em conjunto, em estreita coordenação. Mais importante é que os dois países estão também a trabalhar em conjunto, também nesta matéria", disse a responsável.

A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, Maria Lucas, agradeceu o apoio na investigação à morte de Pedro Ferraz, endereçando condolências à família, ao povo e autoridades portuguesas pelo ocorrido.

"[A investigação] está sob alçada das autoridades judiciárias, sobretudo dos dois países, é uma cooperação (...), só podemos aguardar resultados. Mas também agradecemos a abertura das autoridades judiciárias, são órgãos de soberania, de cooperar. E mais uma vez gostaríamos de agradecer ao povo português pelo apoio que estão a dar a Moçambique", concluiu a governante moçambicana.

A morte de Pedro Ferraz chocou a comunidade portuguesa e moçambicana e a disponibilidade para a cooperação na investigação com Portugal é vista localmente como positiva e pouco comum.

O Sernic de Moçambique disse na quinta-feira à Lusa que ainda não encerrou a investigação à morte do português e que decorrem diligências.

O serviço de investigação moçambicano anunciou na terça-feira que o português, de 56 anos, se suicidou numa unidade hoteleira em Maputo, contrariando a primeira versão da polícia, de homicídio.

De acordo com a polícia de investigação moçambicana, o cidadão português e administrador do banco BCI, subsidiária em Moçambique do grupo português Caixa Geral de Depósitos (CGD) e do também português BPI, tirou a própria vida na casa de banho daquela unidade hoteleira de luxo no centro de Maputo, com recurso a instrumentos cortantes, nomeadamente facas, e ingestão de veneno para ratos.

Nessa conferência de imprensa, foram apresentadas imagens de videovigilância do português a comprar os instrumentos e o veneno.

Anteriormente, a porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) na cidade de Maputo, Marta Pereira, avançou que a morte do cidadão português era resultado de homicídio e que investigações estavam em curso, com base nas imagens de videovigilância do referido hotel, acrescentando que o crime aconteceu na segunda-feira, pelas 23:46, e que se tratou de "um homicídio voluntário".

Entretanto, uma petição `online` com mais de 9.000 assinaturas até hoje aponta "a incongruência das explicações" sobre a morte do gestor português.

Segundo o Sernic, na segunda-feira, Pedro Correia saiu do local de trabalho às 14:00 (12:00 em Lisboa), em direção a casa, de onde tirou uma faca. Deslocou-se a um estabelecimento comercial, na marginal de Maputo, para adquirir, entre outros bens, mais duas facas, depois encontradas no interior da sua viatura. De seguida, deslocou-se a outro estabelecimento, onde adquiriu o veneno para ratos, tendo sido "encontradas partes dessa substância no seu organismo" no exame médico-legal.

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