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Presidente chinês termina visita a Lisboa com assinatura de acordos bilaterais
No final da visita de Estado de Xi Jinping a Portugal, foram assinados 17 acordos entre os dois países que preveem relações bilaterais em várias áreas, desde a cultura à ciência, à indústria e comércio. Em declarações aos jornalistas no Palácio de Queluz, o primeiro-ministro português António Costa salientou os “passos concretos” no estreitamento das relações sino-portuguesas, enquanto o Presidente chinês prometeu preservar o “princípio de respeito mútuo” num mundo cheio de desafios.
“Subimos mais uns degraus na nossa relação”. Foi assim que António Costa resumiu o encontro desta quarta-feira com o Presidente da República Popular da China, que culminou com a assinatura de 17 instrumentos legais para o reforço das relações bilaterais em várias áreas, desde a economia ao comércio, cultura, educação, turismo, ciência, tencologia e media.
O chefe de Governo português assinalou os “passos concretos” dados durante esta visita para o “estreitamento de relações” e sublinhou a diversidade dos vários acordos assinados, que “mobilizaram não só entidades do Governo mas também universidades, empresas e municípios”.
Com os vários “consensos” em plano de fundo, Xi Jinping voltou a afirmar – à imagem do que já tinha feito ontem, no primeiro dia da visita a Portugal, ao lado do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa – que as relações entre os dois países “se encontram no seu melhor momento histórico”.
A visita a Portugal acontece na fase final de um périplo por vários países, e isso mesmo foi destacado por Xi Jinping. “Portugal é a minha última paragem desta visita à Europa, América Latina e Caraíbas, e a participação na cimeira do G20 em Buenos Aires. Senti as aspirações e expetativas dos povos de todos os países de paz, estabilidade e prosperidade mundiais”.
"No quadro bilateral e da União Europeia, somos sempre um garante da relação de confiança com a República Popular da China", assegurou António Costa na declaração conjunta sem direito a perguntas por parte da comunicação social.
“A relação entre Portugal e a China não é só uma excelente relação bilateral, de Governo para Governo, mas no conjunto da sociedade portuguesa”, salientou António Costa.
O primeiro-ministro não deixou de fazer referência à “importância estratégica” de Portugal na articulação da iniciativa “One Belt, One Road” (Uma Faixa, Uma Rota), que prevê um avultado investimento em infraestruturas na interligação entre a Europa e a Ásia.
No entanto, Costa lembrou que "a conectividade entre a Europa e a Ásia deve traduzir-se não só ao nível da rota marítima, mas também se deve desenvolver ao nível das ligações aéreas entre os dois países". Sem fazer menções diretas, o primeiro-ministro lembrou a suspensão de voos diretos entre Lisboa e Pequim pela companhia chinesa Capital Airlines.
Dos 17 acordos assinados, sete são de âmbito empresarial.
Em relação às relações comerciais com Pequim, António Costa destacou o “salto em frente” na abertura de vários mercados, desde logo os da carne de porco e uva de mesa. Por outro lado, o primeiro-ministro enfatizou a importância do investimento chinês em Portugal, dando o exemplo concreto da STARLAB, que prevê a elaboração conjunta de microssatélites.
António Costa lembrou que será assinalado em fevereiro de 2019 o 40º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre Lisboa e Pequim. Também no próximo ano, assinala-se o 20º aniversário desde a transferência da soberania de Macau. O primeiro-ministro vê uma relação de “confiança mútua” entre os dois países, fundada e reafirmada “ao longo de cinco séculos de convivência”.
"Respeito mútuo"
Se o primeiro-ministro português vê um relacionamento bilateral “cada vez mais profícuo e cada vez mais estreito” entre Lisboa e Pequim, o Presidente da República Popular da China considerou que a reunião com António Costa foi “amistosa e proveitosa”, numa referência aos 19 documentos para a cooperação que foram assinados. Com os vários “consensos” em plano de fundo, Xi Jinping voltou a afirmar – à imagem do que já tinha feito ontem, no primeiro dia da visita a Portugal, ao lado do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa – que as relações entre os dois países “se encontram no seu melhor momento histórico”.
No segundo e último dia da visita a Portugal, o líder chinês lembrou igualmente o 40º aniversário desde o estabelecimento das relações bilaterais e a importância de expandir as áreas de colaboração entre os países. Palavras fortes de Xi Jinping, que mostrou a vontade de “elevar incessantemente o nível de confiança mútua” e fomentar “ganhos partilhados” entre os países.
O Presidente chinês enfatizou a ideia da colaboração portuguesa na iniciativa chinesa “Uma Faixa, Uma Rota” e prometeu empenhar-se no reforço do “multilateralismo e do livre comércio”.
A visita a Portugal acontece na fase final de um périplo por vários países, e isso mesmo foi destacado por Xi Jinping. “Portugal é a minha última paragem desta visita à Europa, América Latina e Caraíbas, e a participação na cimeira do G20 em Buenos Aires. Senti as aspirações e expetativas dos povos de todos os países de paz, estabilidade e prosperidade mundiais”.
“Embora o mundo atual esteja a enfrentar diversos desafios, a China vai aderir sempre ao princípio de respeito mutuo e vai persistir no desenvolvimento pacífico. Vai conjugar esforços com Portugal e todos os países para promover a paz e a estabilidade”, asseverou.
Dois dias, 17 acordos
Durante a visita de dois dias, o Presidente chinês foi recebido no Palácio de Belém pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que convidou para visitar Pequim no próximo ano.
O resto do primeiro dia em Lisboa decorreu no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, onde Marcelo Rebelo de Sousa ofereceu um jantar em honra de Xi Jinping e da mulher, Peng Liyuan.
Já esta quarta-feira, antes da reunião com António Costa em Queluz ao final da manhã, o chefe de Estado chinês foi recebido na Assembleia da República com honras militares e esteve reunido com Eduardo Ferro Rodrigues, presidente do Parlamento português.
Na reunião em Queluz, foram assinados 17 acordos bilaterais, incluindo o memorando de entendimento sobre cooperação no quadro da iniciativa chinesa "Uma Faixa, Uma Rota", e ainda um memorando sobre cooperação em matéria de comércio de serviços.
Sete dos entendimentos assinados inserem-se na área empresarial e incluem o acordo para a implementação do STARLAB, e ainda acordos na área agroindustrial, ou acordos entre a Caixa Geral de Depósitos e o Banco da China, a EDP e a China Three Gorges, a State Grid e a REN, e ainda um acordo entre o Banco Comercial Português e a Union Pay, e a MEO e a Huawei.
Para além destes entendimentos, foram também rubricados entendimentos para a cooperação na programação de festivais culturais, um entendimento entre a RTP e um grupo de media chinês para a produção conjunta de documentários.
Foram ainda assinados três acordos na área do Ensino Superior, nomeadamente para o ensino do mandarim em Universidades, acordos no domínio da água e da exportação de uva de mesa portuguesa. Por fim, foi também assinado um documento para a cooperação entre as câmaras municipais de Tianjin e de Setúbal.