Primeiro-ministro da Gronelândia recusa ceder ao "pânico" pela possível anexação dos EUA

Em conferência de imprensa em Nuuk, a capital da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen propôs ainda, esta segunda-feira, o regresso à "boa cooperação que tivemos" com os EUA.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Primeiro-ministro da Gronelândia recusa ceder ao "pânico" apesar de ameaças de Trump Ritzau Scanpix - Reuters

"A situação não é de modos que os Estados Unidos possam conquistar a Gronelândia. Não é esse o caso. Por isso, não devemos entrar em pânico. Devemos restabelecer a boa cooperação que tínhamos", disse Nielsen.

Apesar da proposta, o primeiro-ministro prometeu firmeza na cooperação.

O seu governo "adoptará agora uma postura mais firme, porque não estamos satisfeitos com a situação em que nos encontramos", disse. "Basta que a comunicação seja feita pelos media e por diversos meios indiretos", acrescentou. Numa primeira mensagem nas redes sociais, este domingo, Nielsen já tinha criticado a forma como o presidente dos EUA, Donald Trump divulga as suas pretensões e opiniões, através das redes sociais e das televisões.

Depois da operação norte-americana para capturar Nicolás Maduro na Velezuela, na madrugada de sábado, debate-se abertamente a eventualidade de um ataque semelhante contra a Gronelândia.

​Jens-Frederik Nielsen fez notar esta noite que a situação é muito diferente.

"O nosso país não se compara à Venezuela. Somos um país democrático. E temos sido assim há muitos e muitos anos", insistiu.

A primeira-ministra da Dinamarca, país a que pertence a ilha do Ártico, com estatuto autónomo, reagiu igualmente à hipótese armada.

"Se os Estados Unidos optarem por atacar militarmente outro país da NATO, será o fim de tudo. Incluindo da nossa NATO e, por conseguinte, da segurança implementada desde o final da Segunda Guerra Mundial", declarou Mette Frederiksen, à estação TV2. A Gronelândia é uma ilha enorme na área do círculo polar Ártico e tem uma população de apenas 57.000 habitantes. Além da sua localização estratégica, mais próxima de Nova Iorque do que de Copenhaga, possui recursos minerais significativos, a maioria dos quais ainda inexplorados.
Os Estados Unidos mantêm ainda na ilha uma pequena base militar e operaram ali cerca de outras dez durante a Guerra Fria.

Donald Trump afirma que a anexação da ilha é vital para a "segurança nacional" dos EUA e acusa a Dinamarca de não ter meios para garantir a segurança ou para a defender. O presidente norte-americano afirma ainda que o local está "cheio de navios russos e chineses".

A chefe do Governo dinamarquês respondeu esta tarde a Trump, contrariando esta versão.

"Discordo da afirmação de que a segurança no Ártico não está garantida", afirmo, sublinhando que a Dinamarca destinou cerca de 90 mil milhões de coroas dinamarquesas (1,2 mil milhões de euros) para a segurança na região até 2025.

A UE já se solidarizou com os Governos de Copenhaga e de Nuuk, frisando a necessidade de serem respeitadas a unidade territorial e a legislação internacional.

Apesar dos gronelandeses já terem rejeitado a anexação dos Estados Unidos como pretende Trump, querem também ser independentes da Dinamarca. Essa poderá ser eventualmente um fator de negociação para Washington. 
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