Ramos-Horta espera informação da Santa Sé sobre Ximenes Belo

por Lusa
As suspeitas de abusos sexuais alegadamente cometidos por Ximenes Belo (na foto) não foram comentadas por Ramos-Horta D.R.

O presidente da República timorense preferiu não comentar as suspeitas de abusos sexuais alegadamente cometidos pelo ex-administrador apostólico de Díli, Ximenes Belo, aguardando por informações da Santa Sé.

"Vi as declarações da Santa Sé, através da Nunciatura, à Lusa, e para já ficamos à espera dos próximos passos, dos próximos desenvolvimentos, por parte da entidade legitima, com credibilidade, que depois nos pode orientar sobre como gerir esta situação", disse José Ramos-Horta, à Lusa, à chegada a Díli, depois de participar na Assembleia Geral da ONU.

"Quero esperar até novos desenvolvimentos por parte da Santa Sé", reiterou o líder timorense, que em 1996 foi agraciado, ao mesmo tempo que Ximenes Belo, com o Nobel da Paz.

O chefe de Estado referia-se a declarações à Lusa do representante máximo do Papa em Timor-Leste, o monsenhor Marco Sprizzi, que na quarta-feira disse que o caso de Ximenes Belo está nas mãos dos órgãos competentes da Santa Sé, sem confirmar se o prelado foi ou não investigado por abusos de menores.

"Pessoalmente não posso nem confirmar nem desmentir porque é uma questão de seriedade da minha parte, visto a competência ser dos meus superiores na Santa Sé", disse Sprizzi.

"Esta questão deve ser dirigida diretamente à Santa Sé", referiu, quando questionado sobre a veracidade das denúncias de abusos de menores alegadamente cometidos ao longo de vários anos por Ximenes Belo, hoje a residir em Portugal.

Marco Sprizzi explicou que o caso "está à atenção dos Dicastérios competentes da Santa Sé e da Secretaria de Estado de sua Santidade o Papa Francisco", numa referência a estruturas que integram a Cúria Romana.

"Eles estão a examinar este artigo e o seu conteúdo e de outros que estão a ser publicados neste momento e a partir disto, qualquer resposta virá diretamente da Santa Sé", explicou. O assunto está diretamente com o Vaticano e a Santa Sé. A Igreja local e a Nunciatura não têm mais competência direta", enfatizou.

Os contornos da saída de Ximenes Belo de Timor-Leste, em novembro de 2002, nunca foram totalmente clarificados pelo Vaticano, com o assunto a tornar-se tabu no país.

 

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