Relações diplomáticas entre China e os EUA voltam a azedar

A China vai impor restrições "recíprocas" ao pessoal e a atividades da embaixada dos Estados Unidos e demais consulados no país, incluindo a missão diplomática norte-americana em Hong Kong, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, esta sexta-feira.

RTP /
Zhao Lijian, porta-voz do MNE chinês em Pequim, durante uma conferência de imprensa a 10 de setembro de 2020 Reuters

É a resposta de Pequim às medidas anunciadas pelo secretário de estado Mike Pompeo a três de setembro, segundo as quais, o Departamento de Estado terá de autorizar previamente qualquer visita de diplomatas chineses de grau elevado a Faculdades ou a campus universitários.

Até agora, estas visitas tinham apenas de ser comunicadas aos serviços competentes.

Reuniões com mais de meia centena de pessoas fora do território das missões diplomáticas terão igualmente de ser autorizadas pelo Departamento de Estado, assim como encontros com membros do Governo.

Ao anunciar estas medidas, Washington explicou que eram resposta às restrições de movimentos impostas pela China aos diplomatas americanos. Pompeo aludiu na altura à reciprocidade e referiu que, quando a China permitisse aos emissários norte-americanos o mesmo acesso que os chineses tinham nos EUA, Washington retiraria as restrições.

Agora, deu-se a retaliação chinesa, descrita como "recíproca" mas sem especificar detalhes, como fez notar a agência chinesa de notícias Xinhua, ao divulgar a nota publicada na página dos serviços diplomáticos de Pequim.

"Para exigir que os Estados Unidos revertam as suas decisões erradas, o mais depressa possível, a China enviou uma nota diplomática anunciando restrições recíprocas", diz a mensagem divulgada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

De acordo com Pequim, as mais recentes limitações diplomáticas anunciadas pelo Governo do Presidente Donald Trump "violam gravemente as leis internacionais e as regras básicas que regem as relações internacionais e perturbam as relações entre a China e os Estados Unidos".

As relações entre Pequim e a atual Administração norte-americana têm conhecido momentos de alta tensão, suscitados por uma guerra comercial e tarifária, alegações sobre a responsabilidade chinesa na atual pandemia de Covid-19 e críticas aos abusos de Direitos Humanos tanto em Hong Kong como em Xinjiang, negadas pelo regime comunista chinês.

Washington tem acusado Pequim de usar as suas missões diplomáticas para fazes espionagem industrial e intelectual, em torno de Universidades e de outras instituições de investigação.
Encerramento de consulados
Em 22 de julho deste ano, os Estados Unidos deram 72 horas à China para encerrar a sua missão diplomática em Houston. Na altura, o Departamento de Estado norte-americano disse que a medida foi tomada para "proteger a propriedade intelectual e informação privada dos norte-americanos".

Na base da ordem estiveram acusações de que a missão chinesa seria o posto de coordenação de atividades de espionagem a instituições de investigação norte-americanas, nomeadamente universidades.

Responsáveis norte-americanos referiram à imprensa que o pessoal diplomático chinês em Houston "esteve diretamente envolvido em comunicações com investigadores e guiaram-nos quanto à informação a recolher".

De acordo com a CNN, um alto funcionário do Departamento de Estado referiu que a ideia de encerrar o consulado em Houston surgiu durante a primavera, depois da China ter interferido no regresso de pessoal norte-americano ao consulado de Wuhan para recuperar materiais diplomáticos em plena pandemia.

Pequim retaliou e ordenou uma semana depois o encerramento do consulado norte-americano na cidade de Chengdu, capital da província chinesa de Sichuan, com o mesmo prazo de saída dado aos seus diplomatas, 72 horas. O consulado dos EUA em Chengdu fechou às 10h00 da manhã de 27 de julho.

O encerramento dos consulados e as diversas retaliações diplomáticas são um capítulo à parte no historial das tensões entre as duas potências, relacionado com acusações de roubo de propriedade intelectual norte-americana por parte da China a par do aliciamento de profissionais envolvidos em pesquisas de novas patentes.

As suspeitas foram desencadeadas pelo testemunho de um habitante de Singapura que admitiu ter espiado para Pequim nos Estados Unidos.

C/agências
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