Rússia intensifica ataques contra a Ucrânia enquanto UE falha consenso para aprovar novas sanções

Rússia intensifica ataques contra a Ucrânia enquanto UE falha consenso para aprovar novas sanções

A Rússia lançou dezenas de mísseis e drones contra alvos em toda a Ucrânia no domingo, provocando dois mortos e quatro feridos em Odessa. Na véspera do quarto aniversário da invasão russa, a União Europeia esperava aprovar um novo pacotes de sanções contra Moscovo, mas tal não deverá acontecer devido ao veto da Hungria.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
EPA

A Rússia lançou dezenas de mísseis e drones contra alvos em toda a Ucrânia, destruindo completamente uma casa residencial na capital, dois dias antes do quarto aniversário da invasão em grande escala de Vladimir Putin.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que o Kremlin lançou 297 drones e quase 50 mísseis no domingo, no mais recente de uma série de ataques noturnos.

Pelo menos três pessoas morreram e quatro ficaram feridas num ataque com drones contra vários locais nas províncias ucranianas de Odessa, no sul do país, e Zaporizhia, segundo as autoridades. 
Estes ataques ocorreram numa altura em que a Rússia celebra o Dia do Defensor da Pátria, com o Kremlin a homenagear os quase dois milhões de soldados que lutaram na Ucrânia nos últimos quatro anos.

Zelensky acusa Moscovo de “continuar a investir mais em ataques do que na diplomacia” e em entrevista à BBC disse que o presidente russo, Vladimir Putin, iniciou a “Terceira Guerra Mundial”.

"Penso que Putin já começou (a "Terceira Guerra Mundial"). A questão é quanto território vai conseguir conquistar e como impedi-lo (...). A Rússia quer impor um modo de vida diferente ao mundo e mudar a vida que as pessoas escolheram", disse Zelensky em entrevista à estação pública britânica, divulgada esta segunda-feira.
Hungria bloqueia novo pacote de sanções
O intenso bombardeamento ocorreu numa altura em que aumentam as tensões entre a Ucrânia e os países vizinhos, Eslováquia e Hungria. Budapeste ameaça bloquear um novo pacote de sanções da União Europeia, enquanto Bratislava afirma que irá cortar o fornecimento de eletricidade para a Ucrânia na segunda-feira. Ambos exigem a retomada do fornecimento de petróleo russo pelo oleoduto Druzhba, que atravessa o território ucraniano e abastece a Europa central e que Kiev alega ter ficado danificado após um ataque com drones em janeiro.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros reúnem-se esta segunda-feira para discutir novas sanções contra a Rússia mas a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, já afirmou que é pouco provável que consigam aprovar hoje o 20.º pacote de sanções à Rússia devido à oposição da Hungria.

"Vamos discutir o 20.º pacote de sanções, mas, como todos sabem, não vai haver avanços nesta matéria hoje. Mas iremos certamente insistir nesta questão", afirmou Kallas em declarações aos jornalistas à chegada a Bruxelas.

A Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança referia-se ao pacote de sanções que tinha sido preparado para ser aprovado na reunião desta segunda-feira, na véspera de se assinalar o quarto aniversário da guerra na Ucrânia.

No entanto, este domingo, o ministro húngaro dos Negócios Estrangeiros, Peter Szijjarto anunciou que iria bloquear a adoção desse pacote, acusando a Ucrânia de impedir entregas de petróleo russo ao seu país através do oleoduto Druzhba.

Kaja Kallas afirmou que a UE está a "fazer o seu melhor" para conseguir adotar este pacote de sanções, referindo que já falou com vários Estados-membros que prometeram falar sobre este assunto e tentar "convencer os países que estão a bloquear".

"Mas ouvimos declarações muito fortes da Hungria, por isso não estou a vê-los a mudar de posição. Infelizmente, é a posição que eles têm", disse.

Num vídeo publicado nas redes sociais, Péter Szijjarto afirmou: “Até que os ucranianos retomem os envios de petróleo para a Hungria, não permitiremos que decisões importantes para eles sejam aprovadas”.

Já o primeiro-ministro eslovaco e aliado de Moscovo, Robert Fico, acusou Zelenskyy de "agir de forma maliciosa".

Numa publicação no X, Fico diz que as interrupções no fornecimento de petróleo "causaram-nos mais prejuízos e dificuldades logísticas" e acrescentou que, a menos que as entregas sejam retomadas até segunda-feira, a Eslováquia interromperá o fornecimento emergencial de energia elétrica à Ucrânia.

Kallas confirmou as notícias que indicavam que está a desenvolver uma proposta para que a Rússia se retire dos territórios ocupados na Ucrânia, mas também em regiões da Geórgia, Arménia ou Moldova, no âmbito de um plano de paz.
Quatro anos de guerra
Esta terça-feira assinalam-se quatro anos do início da invasão russa da Ucrânia em grande escala. Em 2014, a Rússia já tinha invadido a Ucrânia anexando a Península da Crimeia.

Moscovo esperava uma vitória rápida mas quatro anos depois, a Rússia está ainda longe de alcançar os seus objetivos iniciais, que incluem a remoção do governo pró-ocidental de Zelensky.
A Rússia ocupa quase um quinto do território ucraniano e continua a avançar, especialmente no leste, apesar de ter perdido 1,2 milhões de soldados, entre mortos e feridos.

Enquanto isso, as negociações para um cessar-fogo, que foram impulsionadas pelo presidente norte-americano Donald Trump, continuam num impasse. As questões do Donbass e da central nuclear de Zaporizhia, a maior da Europa – ocupadas pela Rússia –, continuam a ser questões “sensíveis” nas negociações.

Zelensky recusa pagar o preço de um cessar-fogo exigido por Putin, que passa pela retirada de territórios estratégicos que a Rússia não conseguiu capturar, e rejeita a exigência da Rússia de que a Ucrânia entregue 20 por cento da região leste de Donetsk, bem como territórios nas regiões a sul de Kherson e Zaporizhia.

c/agências
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