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Solidários com palestinianos. Associação internacional de estivadores apela ao boicote de armas para Israel

Solidários com palestinianos. Associação internacional de estivadores apela ao boicote de armas para Israel

O IDC, a maior associação sindical do mundo de estivadores e de trabalhadores dos portos, condenou esta quarta-feira "firmemente" o massacre do povo palestiniano "às mãos de Israel" e deixou um "apelo urgente à paz e ao diálogo". Apelou ainda os seus membros a boicotar os carregamentos e transportes de armas com destino a portos israelitas.

RTP /
Rafael Marchante, Reuters

"Não podemos ficar de braços cruzado sem levantar a voz diante de tal abuso de civis e de crianças", frisou no seu texto Dennis A.Daggett, coordenador-geral do Conselho Internacional de Trabalhadores Portuários.

Logo depois, desafiou os seus membros a "fazer gala da sua solidariedade, tantas vezes demonstrada em tantos conflitos. Não podemos deixar que nos façam cúmplices desta violência trabalhando em navios que transportam cargas bélicas que se destinem a massacrar civis e crianças". "Não permitamos que isso manche o nosso nome nem atrapalhe as nossas consciências. É nas lutas e nas derrotas que se aprende a ser solidário e a ter empatia pelos grupos que sofrem as desigualdades e os abusos", prossegue o comunicado. "A única forma de ganhar esta guerra é com solidariedade e empatia de todos".

No passado dia 16 de maio, estivadores do porto italiano de Livorno recusaram carregar armas e explosivos com destino ao porto israelita de Ashdod.

"O porto de Livrorno não será cúmplice do massacre do povo palestiniano", afirmou a União sindical de Base (USB), uma união sindical italiana de trabalhadores portuários, explicando que o navio transportava armas e explosivos que seriam usados para matar os palestinianos civis.

Apesar do carregamento ter sido concluído por outros estivadores, a decisão politica desencadeou uma série de apelos sindicais a ações coordenadas entre os trabalhadores portuários para impedir carregamentos de armas que pudessem vir a ser utilizadas para bombardear a Faixa de Gaza.
O pesadelo de Biden
Três dias depois, Dennis A.Daggett, filho de um dos mais poderosos sindicalistas norte-americanos, mostrou não só apoiar sem reservas a iniciativa italiana como animou outros a aderir, no que poderá vir a ser um sério embaraço para a Administração Biden, caso entre em choque com os sindicatos portuários.

O candidato do Partido Democrata teve o apoio da ILA, a Associação Internacional de Estivadores, liderada por Harold J.Daggett, que convidou em março de 2020 os seus filiados da Florida, do Ohio e do Illinois, a votar em Joe Biden nas primárias.

Se, à semelhança do IDC, a ILA recuar no seu apoio e recusar por exemplo colaborar no transporte de armamento americano destinado aos arsenais israelitas, o Presidente dos Estados Unidos poderá ficar entre a espada e a parede.

O descontentamento de muitos trabalhadores americanos oriundos de nações árabes para com Biden também já se está a fazer sentir. Muitos lamentam agora ter votado nele, devido ao seu apoio aos israelitas nos bombardeamentos da Faixa de Gaza dos últimos 10 dias.

"Não devia apoiá-los" explicou Dawood Ali, de 21 anos, durante um protesto que juntou um milhar de pessoas em Dearborn, Michigan, lar de uma das maiores comunidades americano-árabes, durante uma visita de Biden a uma fábrica Ford de automóveis elétricos.

Uma sondagem Reuters/Ipsos provou que Biden venceu no voto muçulmano por oito por cento contra Donald Trump em 2020. No Michigan, o apoio destes eleitores aumentou seis pontos percentuais para 71 por cento, de acordo com Emgage, um grupo eleitoral muçulmano-americano.

A Administração tem garantido que decorrem nos bastidores intensas pressões para fazer cessar a ofensiva Israelita contra os ataques de morteiros disparados a partir de Gaza pelo movimento palestiniano Hamas. Publicamente, Biden tem declarado o seu apoio ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O conflito poderá marcar a nova presidência norte-americana logo no início do mandato, sobretudo por não estar a ser, na prática, diferente da do seu criticado antecessor, Donald Trump.

Biden tem sido pressionado pelos seus pares democratas no Congresso a rever o apoio em armamento e outra assistência norte-americana a Israel e a perda de apoio entre os sindicatos, por exemplo, poderá revelar-se fatal.

O comunicado da direção do IDC pede a intervenção "de todos os Estados, membros ou não das Nações Unidas e que possam ter alguma influência no processo de paz na Palestina e em Israel, a agir de imediato em prol do cessar desta barbárie" e denota mesmo alguma impaciência, sublinhando a necessidade de respeitar os "acordos e leis internacionais que regem a área, de uma vez por todas".

"Condenamos a detenção ilegal do camarada dirigente sindical Ashraf Al-war e lembramos que qualquer modo de protesto pacifico deve ser respeitado enquanto direito fundamental. Sem ir mais longe, hoje dia 18 de maio, apelamos à participação na greve geral no centro histórico da Palestina, contra as políticas de limpeza etnica do Governo israelita no bairro de Sheik Jarrah em Jerusalém, os ataques contra a Mesquita de al-Aqsa e pelos bombardeamentos selvagens que está a sofrer a Faixa de Gaza", escreveu ainda Dagget, que assina o texto "em solidariedade".
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