Suécia vai restabelecer por dez dias o controlo das fronteiras
O Governo sueco de centro-esquerda afirmou esta quarta-feira que o fluxo ininterrupto de migrantes e refugiados "ameaça a ordem pública" e anunciou por isso a reposição temporária do controlo das suas fronteiras durante os próximos dez dias a partir de quinta-feira as 12h00 locais.
De acordo com Ygeman, as ruas estão cheias de centenas ou até de milhares de migrantes sem abrigo e de crianças desacompanhadas que desaparecem na natureza antes de serem recolhidas.
"Vamos por isso restabelecer os controlos nas nossas fronteiras nacionais amanhã, às 12h00 (11h00 GMT) por um período de 10 dias", anunciou o ministro sueco, durante uma conferência de imprensa anunciada em cima da hora.
A Suécia desiste assim, pelo menos por 10 dias, da sua política habitual de portas abertas a outras nacionalidades.
Junta-se também a outros países europeus que impuseram igualmente o controlo fronteiriço para lidar com a crise migratória, solução que Estocolomo criticou.
A decisão sueca coincide com a decisão da Eslovénia de construir barreiras nas suas fronteiras para deter os migrantes e com novos apelos do ministro alemão do Interior, Thomas de Maiziére, a restrições ao direito de reunião de famílias, como forma de dissuadir novos migrantes e refugiados de pedir asilo à Alemanha.
Berlim revelou que espera acolher um milhão de refugiados em 2015, mais 200.000 do que o anunciado em setembro.
Com a aproximação do inverno o ACNUR solicitou dia 5 de novembro aos doadores um montante de quase 90 milhões de euros em apoio adicional à Grécia e países dos Balcãs afetados pela crise.
De acordo com um texto publicado na página desta Agência da ONU, o plano de auxílio do ACNUR prevê que "até 5 mil pessoas por dia poderão chegar à Grécia vindas pela Turquia, entre novembro de 2015 e fevereiro de 2016."
"Nesta época, as tempestades de inverno frequentemente atingem a região e derrubam as temperaturas a níveis congelantes", acrescenta o texto.
"O plano foca na adoção de medidas de apoio aos países afetados, como Croácia, Grécia, Sérvia, Eslovénia e a antiga República jugoslava da Macedônia, para reduzir os riscos de perdas de vidas e outras tragédias humanitárias durante os meses de inverno", afirmou em Genebra o porta-voz do ACNUR, William Spindler, quando anunciou o pedido.