Mundo
"Super El Niño" pode causar mais de 450 mil mortes nos próximos seis meses
Pode ser o El Niño mais poderoso desde 1997 e prevê-se que afete sobretudo Ásia e África, mas será sentido em todo o mundo.
Cientistas climáticos estimam que mais de 450 mil pessoas possam morrer devido ao calor adicional provocado pelo fenómeno El Niño nos próximos seis meses. O número vem somar-se às mortes prematuras resultantes das temperaturas já elevadas devido à crise climática.
As mortes por calor foram estimadas a nível regional e, por isso, permitiram identificar os locais onde podem ser implementadas medidas para proteger as pessoas e salvar vidas.
Tais medidas podem passar por centros de refrigeração onde as pessoas possam refugiar-se, aumento do pessoal nas unidades de saúde nos períodos mais quentes e medidas de proteção para os trabalhadores ao ar livre.
Em circunstâncias normais, os ventos do Pacífico empurram água quente para a Ásia, enquanto as águas mais frias se encontram na costa da América do Sul. Mas, sob o fenómeno El Niño, esse padrão enfraquece ou é mesmo invertido, causando secas nalgumas regiões e cheias noutras e contribuindo para o aumento das temperaturas globais. O fenómeno acontece a cada dois a sete anos e o último foi em 2024. O previsto para este ano, porém, está a ser apelidado de “Super El Niño”, “Mega El Niño” ou mesmo “El Niño Godzilla”, já que os cientistas estimam que possa ser o mais poderoso das últimas duas décadas.
Na segunda-feira, o El Niño ultrapassou a temperatura mais elevada alguma vez registada para este fenómeno, vários meses antes do pico previsto. O calor é tão superior ao de eventos anteriores que os cientistas estão a classificá-lo como “alucinante”.
“A estimativa de 451 mil pessoas é um número tão grande que pode ser paralisante, mas é composta por pais e filhos, avós e vizinhos, pessoas que vão trabalhar, que cuidam das suas famílias e que vivem as suas vidas”, afirmou Michael Greenstone, coautor do relatório, ao Guardian.
A estimativa de mortes refere-se ao período de setembro deste ano a fevereiro de 2027, altura em que terminam as atuais previsões de temperatura. No entanto, prevê-se que os níveis elevados de mortes por calor se mantenham até junho ou julho de 2027.
Apesar de, no geral, os países mais afetados serem no sudeste asiático e em África, os Estados Unidos encontram-se entre os 20 países mais afetados (com uma previsão de 3.500 mortes adicionais relacionadas com o calor), assim como Itália, que surge em 49.º lugar na lista, com 780 mortes adicionais previstas. “Um postal do futuro”
O estudo alerta que, “mais do que um verão quente”, este cenário “é um postal do futuro”, já que as temperaturas agora consideradas anormais “tornar-se-ão normais dentro de apenas algumas décadas”.
“As projeções de mortalidade a curto prazo dão-nos uma indicação do rumo que estamos a tomar, caso não se concretizem novos investimentos em adaptação. A diferença em relação às alterações climáticas é que há mais tempo para implementar medidas de adaptação que salvem vidas”, vincam os cientistas.
Tamma Carleton, coautora do relatório, disse ao Guardian que “daqui a 20 anos, quando as temperaturas extremas de hoje se tornarem o novo normal, não queremos estar num estado constante de emergência”, pelo que “temos de nos mobilizar agora para conceber, implementar e avaliar as ferramentas que vão salvar vidas nos próximos anos”.
O abastecimento alimentar também será afetado pelo El Niño, tendo o Programa Alimentar Mundial alertado, em agosto, que os seus impactos provavelmente levariam cerca de 50 milhões de pessoas a sofrer fome aguda e provocariam um aumento dos preços.
As projeções agora divulgadas pelos cientistas foram elaboradas com base na relação mensal entre a temperatura e as mortes adicionais causadas pelo calor em 24.378 regiões do mundo. Os dados foram combinados com as previsões de temperaturas mais elevadas devido ao El Niño nos próximos meses.
c/ agências
As mortes por calor foram estimadas a nível regional e, por isso, permitiram identificar os locais onde podem ser implementadas medidas para proteger as pessoas e salvar vidas.
Tais medidas podem passar por centros de refrigeração onde as pessoas possam refugiar-se, aumento do pessoal nas unidades de saúde nos períodos mais quentes e medidas de proteção para os trabalhadores ao ar livre.
Segundo a investigação da Universidade de Chicago, estima-se que, na Nigéria, morram 31.320 devido ao El Niño nos próximos seis meses. Segue-se a Indonésia, com 19.251 mortes previstas, o Sudão, com 17.430, a Índia (15.670) e o Brasil (13.271), entre vários outros países.
Em circunstâncias normais, os ventos do Pacífico empurram água quente para a Ásia, enquanto as águas mais frias se encontram na costa da América do Sul. Mas, sob o fenómeno El Niño, esse padrão enfraquece ou é mesmo invertido, causando secas nalgumas regiões e cheias noutras e contribuindo para o aumento das temperaturas globais. O fenómeno acontece a cada dois a sete anos e o último foi em 2024. O previsto para este ano, porém, está a ser apelidado de “Super El Niño”, “Mega El Niño” ou mesmo “El Niño Godzilla”, já que os cientistas estimam que possa ser o mais poderoso das últimas duas décadas.
Na segunda-feira, o El Niño ultrapassou a temperatura mais elevada alguma vez registada para este fenómeno, vários meses antes do pico previsto. O calor é tão superior ao de eventos anteriores que os cientistas estão a classificá-lo como “alucinante”.
“A estimativa de 451 mil pessoas é um número tão grande que pode ser paralisante, mas é composta por pais e filhos, avós e vizinhos, pessoas que vão trabalhar, que cuidam das suas famílias e que vivem as suas vidas”, afirmou Michael Greenstone, coautor do relatório, ao Guardian.
A estimativa de mortes refere-se ao período de setembro deste ano a fevereiro de 2027, altura em que terminam as atuais previsões de temperatura. No entanto, prevê-se que os níveis elevados de mortes por calor se mantenham até junho ou julho de 2027.
Apesar de, no geral, os países mais afetados serem no sudeste asiático e em África, os Estados Unidos encontram-se entre os 20 países mais afetados (com uma previsão de 3.500 mortes adicionais relacionadas com o calor), assim como Itália, que surge em 49.º lugar na lista, com 780 mortes adicionais previstas. “Um postal do futuro”
O estudo alerta que, “mais do que um verão quente”, este cenário “é um postal do futuro”, já que as temperaturas agora consideradas anormais “tornar-se-ão normais dentro de apenas algumas décadas”.
“As projeções de mortalidade a curto prazo dão-nos uma indicação do rumo que estamos a tomar, caso não se concretizem novos investimentos em adaptação. A diferença em relação às alterações climáticas é que há mais tempo para implementar medidas de adaptação que salvem vidas”, vincam os cientistas.
Tamma Carleton, coautora do relatório, disse ao Guardian que “daqui a 20 anos, quando as temperaturas extremas de hoje se tornarem o novo normal, não queremos estar num estado constante de emergência”, pelo que “temos de nos mobilizar agora para conceber, implementar e avaliar as ferramentas que vão salvar vidas nos próximos anos”.
O abastecimento alimentar também será afetado pelo El Niño, tendo o Programa Alimentar Mundial alertado, em agosto, que os seus impactos provavelmente levariam cerca de 50 milhões de pessoas a sofrer fome aguda e provocariam um aumento dos preços.
As projeções agora divulgadas pelos cientistas foram elaboradas com base na relação mensal entre a temperatura e as mortes adicionais causadas pelo calor em 24.378 regiões do mundo. Os dados foram combinados com as previsões de temperaturas mais elevadas devido ao El Niño nos próximos meses.
c/ agências