Especial
Presidenciais 2026. Projeções de resultados, apuramento de votos, discursos e análise

Surpresa na Tailândia. Primeiro-ministro Anutin Charnvirakul reeleito

Surpresa na Tailândia. Primeiro-ministro Anutin Charnvirakul reeleito

Líder do partido Bhumjaithai, conservador, que em 2023 ficou em terceiro lugar em eleições legislativas, Anutin Charnvirakul proclamou vitória domingo, na eleição parlamentar antecipada, pouco depois da revelação de sondagens à boca das urnas.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Surpresa nas eleições parlamentares antecipadas da Tailândia. Primeiro-ministro Anutin Charnvirakul foi reeleito Foto: Patipat Janthong - Reuters

O Partido Popular, reformista, considerado favorito em sondagens pré-eleitorais, reconheceu a derrota entretanto. 

O Bhumjaithai conquistou a maioria dos lugares da Câmara Baixa do Parlamento tailandês, mas não deverá conseguir os 500 deputados que lhe dariam maiorida absoluta. Os analistas prevêem que Anutin invista em negociações pós-eleitorais para obter uma nova coligação.

O reeleito primeiro-ministro da Tailândia é herdeiro de uma fortuna e considerado um camaleão político. 

O resultado destas eleições antecipadas é um impulso significativo para o político de 59 anos que, depois de ter ocupado pastas ministeriais em várias coligações durante mais de duas décadas, só se tornou chefe de governo em setembro de 2025, após a destituição dos seus antecessores.

"Não me preparei para a derrota", alertou o herdeiro enquanto comia um prato de massa, rodeado de jornalista, numa ação de campanha no bairro chinês da capital.
A família Charnvirakul fez fortuna no setor da construção, através da empresa Sino-Thai Engineering, e de contratos públicos lucrativos, incluindo o principal aeroporto de Banguecoque e o edifício do Parlamento.

Apesar de milionário, Anutin apresenta-se como um homem do povo e aproveita o potencial das redes sociais para se promover, publicando vídeos a cozinhar de calções ou a tocar músicas pop tailandesas antigas, no saxofone ou no piano.

É figura central da campanha pela descriminalização da canábis na Tailândia, que defendeu em 2022 quando era ministro da Saúde.

Explorou também habilmente o sentimento nacionalista tailandês para atrair eleitores.

"O nacionalismo está enraizado no coração de todos os membros do Bhumjaithai", declarou no domingo na sede do seu partido. "Basta olhar para a cor", acrescentou, comparando o azul do seu partido ao da bandeira tailandesa.
Camaleão
O primeiro-ministro reeleito é natural do leste da Tailândia, região marcada pelas renovadas tensões fronteiriças com o Camboja e por confrontos mortais em 2025 com tropas cambodjanas. A sua mensagem nacionalista ressoa particularmente próxima numa sociedade que se mantém conservadora.

Garantiu o cargo de primeiro-ministro em setembro de 2025, graças ao apoio do Partido Popular reformista, o grande vencedor da eleição anterior em 2023, que derrotou com folga este domingo.

Entre 2019 e 2025, Anutin foi ministro da Saúde, ministro do Interior e, posteriormente, vice-primeiro-ministro em três governos, depois de ter entrado na política por meio do clã Shinawatra, no início do século. Não é estranho a polémicas. Além da defesa da legalização da cannabis, teve de pedir desculpa durante a crise da Covid-19, depois de acusar ocidentais de espalhar o vírus no seu país, cuja economia depende fortemente do turismo.

No final da década de 1990, depois de estudar engenharia industrial em Nova Iorque, tornou-se conselheiro do Ministério dos Negócios Estrangeiros do reino. 

Aderiu então ao partido Pheu Thai, sucessor do Thai Rak Thai, um partido populista do clã Shinawatra que domina a política tailandesa desde o início do século.

O Thai Rak Thai foi fundado por Thaksin Shinawatra em 1998, que exerceu o cargo de primeiro-ministro da Tailândia entre 2001 e 2006, quando foi deposto por um golpe militar. O partido ficou significativamente enfraquecido depois da condenação de Thaksin por abuso de poder e da destituição da sua filha, Paetongtarn, do cargo de primeira-ministra.

O partido foi dissolvido em 2007, por fraude eleitoral, e Anutin proibido de exercer atividades políticas durante cinco anos. Aprendeu então a pilotar aviões e construiu uma pequena frota de jatos privados para transportar doentes para o hospital e entregar órgãos.

Após cumprir a sua pena, o agora primeiro-ministro reeleito regressou à política em 2012, assumindo a liderança do partido de centro-direita Bhumjaithai, sucedendo ao seu pai, Chawarat, que tinha desempenhado as funções de primeiro-ministro interino durante a crise política de 2008 e, posteriormente, de ministro do Interior durante três anos.

c/agências
PUB