Mundo
Suspeita de ataque com armas químicas na Síria
Governo e rebeldes sírios acusam-se mutuamente de um ataque com armas químicas que terá ocorrido numa aldeia, perto de Aleppo, uma cidade no nordeste do país. O governo de Bashar al-Assad afirma que morreram 31 pessoas, incluindo 21 civis e 10 soldados, alegações confirmadas pela Rússia, sua apoiante na cena internacional. A Casa Branca contudo, afirma não ter provas de um tal ataque.
De acordo com a agência oficial síria, SANA, mais de 100 pessoas foram atingidas no ataque e algumas estão em estado crítico. A agência publicou fotografias de vítimas, incluindo crianças, deitadas em macas no que parece ser uma enfermaria hospitalar. Nenhuma aparentava ferimentos. A confirmar-se, este será o primeiro ataque com armas químicas em dois
anos de um conflito que está a destruir a Síria, tendo feito já mais de
70.000 mortos entre a população civil e mais de um milhão de refugiados,
de acordo com a ONU.
Fontes ativistas no terreno confirmam pelo menos 40 casos de envenenamento e sufocação, incluindo várias mortes. Acrescentam que o alvo do ataque foi uma área recém-conquistada pelos rebeldes, pelo que não faria sentido que estes usassem armas químicas contra si mesmos.
As acusações não podem ser verificadas de forma independente devido ao controle apertado da ação dos media internacionais na Síria.
Contradições
O ministério russo dos Negócios Estrangeiros afirmou que os rebeldes detonaram uma arma contendo um agente químico não identificado, terça-feira de manhã.
Aquele ministério russo classificou o sucedido como um desenvolvimento "extremamente perigoso" do conflito sírio, afirmando que, a prova de que os rebeldes detêm armas de destruição massiva, abre uma nova fase dos confrontos.
Pelo contrário, o Departamento de Estado norte-americano afirmou não ter razões para acreditar nas acusações do governo sírio contra os rebeldes, mas acrescentou que está a estudar as alegações.
Victoria Nuland, porta-voz do Departamento Estado dos Estados Unidos, considerou que o governo do Presidente sírio está a tentar desacreditar os opositores.
Novo primeiro-ministro
O Observatório sírio para os Direitos Humanos, baseado em Londres e porta-voz dos ativistas no terreno, reconhece que a localidade de Khan al-Assal foi atacada com morteiros esta terça-feira de manhã, os quais caíram perto de umas instalações militares e mataram 26 pessoas.
Mas o diretor do Observatório, Rami Abdul-Rahman, afirmou não ter indicações de que tenham sido usadas armas químicas no ataque.
As acusações do governo quanto ao uso de armas químicas surgiram poucas horas depois de, na segunda-feira dia 18 de março de 2013 em Istambul, Turquia, o Conselho Nacional que agrupa a oposição a Bashar al-Assad ter eleito Ghassam Hitto como primeiro-ministro para administrar a área da Síria que os rebeldes já dominam.

As primeiras palavras de Hitto após a nomeação foram para rejeitar qualquer "diálogo com o regime de Assad."
Conselho Nacional investiga
O ministro sírio da Informação classificou o ataque como o "primeiro ato" do recém anunciado governo da oposição.
Os rebeldes negaram de imediato as acusações e retaliaram afirmando que o responsável pelo ataque foi o próprio governo de Damasco.
O líder do Conselho Nacional da Síria afirmou que o grupo está a investigar o sucedido. "Quem quer que o tenha usado, estamos contra ele, quem quer que seja", afirmou Mouaz Al-Khatib perante jornalistas em Istambul.
"Somos contra a morte de civis com armas químicas, mas vamos esperar algum tempo para termos informações mais corretas," disse Mouaz.
Mustafa Alani, um analista baseado em Genebra comentou à APTN que não há sinais de que os rebeldes tenham conquistado arsenais químicos, pelo que se pode assumir que não as possuem.
"Não excluo a hipótese do próprio exército as usar e tentar implicar os rebeldes no ataque", afirmou Alani, lembrando que a estratégia do governo sírio tem passado por responsabilizar os rebeldes de tudo de mau que está a suceder na Síria.
Dois anos de guerra
O conflito sírio iniciou-se há dois anos, quando milhares de sunitas, a população maioritária da Síria, iniciaram manifestações exigindo reformas políticas e governamentais ao governo do Presidente Bashar al-Assad, um muçulmano xiita-alauíta.
O movimento inspirado na Primavera Árabe, que em 2011 levou à queda de vários regimes dos países do norte de África e destituição dos respetivos líderes, foi severamente reprimido pelo exército sírio.
A guerra civil acabou por estalar quando grupos organizados de rebeldes, armados na sua maioria a partir do exterior, começaram a atacar as posições do exército, muitas vezes apoiados pelas populações.
Gás de nervos e gás mostarda
A comunidade internacional por várias vezes apelou à segurança do arsenal químico acumulado pelo governo sírio, exprimindo receio de que ele caísse nas mãos da guerrilha libanesa do Hezbollah ou fosse apropriado por grupos estrangeiros que combatem ao lado dos rebeldes sírios.
A Síria nunca confirmou oficialmente ter na sua posse tais armas. Mas, em Julho de 2012, o então porta voz dos Negócios Estrangeiros da Síria, Jihad Makdissi, garantiu que o governo só usaria armas químicas ou biológicas se sofresse um ataque externo e nunca contra o seu próprio povo.
Damasco terá gases de nervos e gás mostarda, além de mísseis próprios para espalhar estes agentes.
Conflito ameaça alastrar
O governo de Bashar al-Assad é apoiado na cena internacional pela Rússia e pelo Irão, os seus maiores fornecedores de armas. Os rebeldes têm apoios não declarados da Arábia Saudita e vários países árabes sunitas.
França e Reino Unido colocam agora a hipótese de vir a armar os rebeldes enquanto os Estados Unidos se propõem reforçar-lhes os fornecimentos de equipamento não bélico.
O conflito sírio ameaça ainda alastrar aos países limítrofes, sobretudo à Turquia, um país membro da NATO, que já recebeu apoio dos parceiros da Organização do Atlântico Norte para reforçar militarmente as suas fronteiras, após diversos ataques com morteiros contra os rebeldes terem atingido populações turcas.
Esta segunda-feira, o exército sírio terá bombardeado território libanês, o que levou a ONU e os EUA a avisarem para os riscos de uma escalada na guerra.
Fontes ativistas no terreno confirmam pelo menos 40 casos de envenenamento e sufocação, incluindo várias mortes. Acrescentam que o alvo do ataque foi uma área recém-conquistada pelos rebeldes, pelo que não faria sentido que estes usassem armas químicas contra si mesmos.
As acusações não podem ser verificadas de forma independente devido ao controle apertado da ação dos media internacionais na Síria.
Contradições
O ministério russo dos Negócios Estrangeiros afirmou que os rebeldes detonaram uma arma contendo um agente químico não identificado, terça-feira de manhã.
Aquele ministério russo classificou o sucedido como um desenvolvimento "extremamente perigoso" do conflito sírio, afirmando que, a prova de que os rebeldes detêm armas de destruição massiva, abre uma nova fase dos confrontos.
Pelo contrário, o Departamento de Estado norte-americano afirmou não ter razões para acreditar nas acusações do governo sírio contra os rebeldes, mas acrescentou que está a estudar as alegações.
Victoria Nuland, porta-voz do Departamento Estado dos Estados Unidos, considerou que o governo do Presidente sírio está a tentar desacreditar os opositores.
Novo primeiro-ministro
O Observatório sírio para os Direitos Humanos, baseado em Londres e porta-voz dos ativistas no terreno, reconhece que a localidade de Khan al-Assal foi atacada com morteiros esta terça-feira de manhã, os quais caíram perto de umas instalações militares e mataram 26 pessoas.
Mas o diretor do Observatório, Rami Abdul-Rahman, afirmou não ter indicações de que tenham sido usadas armas químicas no ataque.
As acusações do governo quanto ao uso de armas químicas surgiram poucas horas depois de, na segunda-feira dia 18 de março de 2013 em Istambul, Turquia, o Conselho Nacional que agrupa a oposição a Bashar al-Assad ter eleito Ghassam Hitto como primeiro-ministro para administrar a área da Síria que os rebeldes já dominam.
As primeiras palavras de Hitto após a nomeação foram para rejeitar qualquer "diálogo com o regime de Assad."
Conselho Nacional investiga
O ministro sírio da Informação classificou o ataque como o "primeiro ato" do recém anunciado governo da oposição.
Os rebeldes negaram de imediato as acusações e retaliaram afirmando que o responsável pelo ataque foi o próprio governo de Damasco.
O líder do Conselho Nacional da Síria afirmou que o grupo está a investigar o sucedido. "Quem quer que o tenha usado, estamos contra ele, quem quer que seja", afirmou Mouaz Al-Khatib perante jornalistas em Istambul.
"Somos contra a morte de civis com armas químicas, mas vamos esperar algum tempo para termos informações mais corretas," disse Mouaz.
Mustafa Alani, um analista baseado em Genebra comentou à APTN que não há sinais de que os rebeldes tenham conquistado arsenais químicos, pelo que se pode assumir que não as possuem.
"Não excluo a hipótese do próprio exército as usar e tentar implicar os rebeldes no ataque", afirmou Alani, lembrando que a estratégia do governo sírio tem passado por responsabilizar os rebeldes de tudo de mau que está a suceder na Síria.
Dois anos de guerra
O conflito sírio iniciou-se há dois anos, quando milhares de sunitas, a população maioritária da Síria, iniciaram manifestações exigindo reformas políticas e governamentais ao governo do Presidente Bashar al-Assad, um muçulmano xiita-alauíta.
O movimento inspirado na Primavera Árabe, que em 2011 levou à queda de vários regimes dos países do norte de África e destituição dos respetivos líderes, foi severamente reprimido pelo exército sírio.
A guerra civil acabou por estalar quando grupos organizados de rebeldes, armados na sua maioria a partir do exterior, começaram a atacar as posições do exército, muitas vezes apoiados pelas populações.
Gás de nervos e gás mostarda
A comunidade internacional por várias vezes apelou à segurança do arsenal químico acumulado pelo governo sírio, exprimindo receio de que ele caísse nas mãos da guerrilha libanesa do Hezbollah ou fosse apropriado por grupos estrangeiros que combatem ao lado dos rebeldes sírios.
A Síria nunca confirmou oficialmente ter na sua posse tais armas. Mas, em Julho de 2012, o então porta voz dos Negócios Estrangeiros da Síria, Jihad Makdissi, garantiu que o governo só usaria armas químicas ou biológicas se sofresse um ataque externo e nunca contra o seu próprio povo.
Damasco terá gases de nervos e gás mostarda, além de mísseis próprios para espalhar estes agentes.
Conflito ameaça alastrar
O governo de Bashar al-Assad é apoiado na cena internacional pela Rússia e pelo Irão, os seus maiores fornecedores de armas. Os rebeldes têm apoios não declarados da Arábia Saudita e vários países árabes sunitas.
França e Reino Unido colocam agora a hipótese de vir a armar os rebeldes enquanto os Estados Unidos se propõem reforçar-lhes os fornecimentos de equipamento não bélico.
O conflito sírio ameaça ainda alastrar aos países limítrofes, sobretudo à Turquia, um país membro da NATO, que já recebeu apoio dos parceiros da Organização do Atlântico Norte para reforçar militarmente as suas fronteiras, após diversos ataques com morteiros contra os rebeldes terem atingido populações turcas.
Esta segunda-feira, o exército sírio terá bombardeado território libanês, o que levou a ONU e os EUA a avisarem para os riscos de uma escalada na guerra.