Tailândia. Queda de grua sobre comboio faz mais de 30 mortos

O acidente ocorreu durante a manhã no distrito de Sikhio, na província de Nakhon Ratchasima, 230 quilómetros a nordeste de Banguecoque, num comboio que fazia o percurso da capital para a província de Ubon Ratchathani.

Cristina Sambado - RTP /
Chalinee Thirasupa - RTP

Um comboio descarrilou no nordeste da Tailândia, esta quarta-feira, depois de um guindaste de construção ter caído sobre duas carruagens, matando pelo menos 31 pessoas e ferindo 64.

O ministro dos Transportes, Phiphat Ratchakitprakarn, afirmou em comunicado que estavam 195 pessoas a bordo do comboio e que ordenou uma investigação completa. Entre os feridos está uma criança de um ano e um homem de 85 anos.O Governo ordenou uma investigação ao incidente, que ocorre após uma série de outros acidentes fatais atribuídos a falhas de segurança na Tailândia.

O guindaste estava a trabalhar num projeto de comboio de alta velocidade quando colapsou e atingiu a composição ferroviária que circulava, causando o seu descarrilamento e um breve incêndio.

Imagens divulgadas pelo Ministério mostram vagões tombados junto a um matagal e bombeiros a combater as chamas enquanto o fumo se alastrava.

Imagens anteriores do local do acidente, verificadas pela Reuters, mostram equipas de resgate a tentar retirar vítimas de um dos vagões tombados, com alguns passageiros gravemente feridos já a serem colocados em ambulâncias.

O projeto de comboio de alta velocidade, um dos vários em construção na Tailândia, estava a ser construído sobre a linha férrea existente. Parte da grua que colapsou ainda está suportada pelos pilares de betão construídos para suportar a nova linha férrea, com destroços pendurados sobre os carris, em baixo.A construção faz parte do troço Banguecoque-Nakhon Ratchasima do projeto transnacional de comboio de alta velocidade que liga a capital tailandesa a Kunming, no sudoeste da China.

O primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnvirakul, exigiu que "alguém seja punido e responsabilizado" pelo incidente.

"Acidentes como este só podem acontecer por negligência, omissão de etapas, desvios do projeto ou utilização de materiais incorretos", frisou Anutin.

Anutin Charnvirakul que está a fazer campanha para a reeleição nas eleições do próximo mês, deverá chegar ao local do acidente ainda esta quarta-feira, informou um responsável governamental aos jornalistas.

A fraca fiscalização das normas e regulamentos de segurança na Tailândia tem originado vários acidentes fatais em obras. 
Empresa contratada com responsabilidade no edifício que colapsou
A Italian-Thai Development Public Company Limited (ITD), empresa contratada para construir o troço em questão, emitiu um comunicado manifestando pesar e afirmando que irá fornecer indemnizações e auxílio às famílias daqueles que morreram ou ficaram feridos no colapso da grua.Em março do ano passado, um edifício de 30 andares em construção em Banguecoque, por uma joint-venture que incluía a ITD, colapsou, matando 89 pessoas, depois de um terramoto de magnitude 8,8 ter atingido o vizinho Myanmar.

O presidente da ITD, Premchai Karnasuta, foi acusado em agosto juntamente com outras 22 pessoas, de negligência e violação das normas de construção. O executivo e outros 14 negaram as acusações quando foram detidos pela primeira vez em maio.
Linha de alta velocidade liga à China através do Laos
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, afirmou em conferência de imprensa que o governo de Pequim atribui grande importância à segurança dos projetos e do pessoal envolvido e que está a investigar a situação.

"Atualmente, tudo indica que o troço em causa estava a ser construído por uma empresa tailandesa. A causa do acidente ainda está a ser investigada", frisou o porta-voz da diplomacia chinesa.O projeto ferroviário de alta velocidade que atravessa a Tailândia vai ligar à China através do Laos.

O Governo chinês afirmou, no ano passado, que mais de um terço da construção do troço que liga Banguecoque a Nakhon Ratchasima já estava concluído, e que toda a linha até Nong Khai, na fronteira com o Laos, estaria pronta até 2030.

c/ agências 
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