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Tensão em Israel. Partido de Gantz apresenta projeto de lei para dissolver Parlamento

por Joana Raposo Santos - RTP
Benny Gantz fotografado a abraçar uma familiar de um dos reféns do Hamas no final de novembro do ano passado, em Telavive Itai Ron - Reuters

O partido de Benny Gantz, membro do Gabinete de Guerra de Israel e líder do partido centrista União Nacional, apresentou esta quinta-feira um projeto de lei para dissolver o Parlamento e realizar eleições antecipadas. O anúncio reflete as crescentes tensões no Governo de Benjamin Netanyahu, apesar de o primeiro-ministro ter o apoio de deputados suficientes para conseguir manter-se no cargo.

Segundo o União Nacional, de centro-direita, a decisão “chega na sequência do pedido do líder do partido, Benny Gantz, para avançar com um amplo acordo para a realização de eleições antes de outubro, um ano após o massacre de 7 de outubro".

O Likud, partido de direita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, já reagiu, dizendo que "a dissolução do Governo é uma recompensa para [o chefe do Hamas em Gaza] Yahya Sinouar, assim como uma rendição face à pressão internacional e um golpe fatal nos esforços para libertar os reféns" israelitas.

Após esta resposta, o União Nacional emitiu uma segunda declaração a culpar Netanyahu pelo pedido de desmantelamento do Governo, mas dizendo que ainda há tempo para encontrar um meio-termo. "Netanyahu, não é demasiado tarde para ganhar juízo. Ou saímos vitoriosos juntos, ou continua sozinho", acrescentou.
Apesar da atual discórdia, o partido União Nacional juntou-se ao Governo de Netanyahu pouco depois do ataque do Hamas em território israelita a 7 de outubro. Benny Gantz e Gadi Eizenkot, ambos antigos chefes do exército, são desde então membros do Gabinete de Guerra.As próximas eleições legislativas em Israel estão previstas para outubro de 2026.

Em maio, Gantz lançou um ultimato a Netanyahu, exigindo que este aceitasse um plano para a fase seguinte da guerra em Gaza até 8 de junho. Caso contrário, o líder do União Nacional ameaçou abandonar a coligação.

No entanto, o partido do primeiro-ministro e os seus aliados de extrema-direita continuam com a maioria dos lugares no Parlamento, mesmo sem o apoio de Gantz.
Cerco aperta-se em torno de Netanyahu
Benjamin Netanyahu tem enfrentado um crescente descontentamento público após o ataque do Hamas a 7 de outubro, nomeadamente por parte da população, que exige ao primeiro-ministro um acordo que permita trazer para casa os reféns que ainda se encontram na Palestina.

A ofensiva israelita em Gaza tem também suscitado críticas internacionais, incluindo do mais importante aliado de Israel, os Estados Unidos, que recentemente condenaram os ataques contra Rafah.

"O dia 7 de outubro foi um desastre que nos obriga a voltar atrás e a ganhar a confiança do povo, a estabelecer um Governo comunitário amplo e estável que nos conduza em segurança através dos enormes desafios na segurança, na economia e, acima de tudo, na sociedade israelita", frisou em comunicado Pnina Tameno, membro do partido de Gantz. "Propor o projeto de lei agora permitir-nos-á apresentá-lo na sessão em curso".

Segundo Telavive, continuam em Gaza mais de 120 reféns do Hamas sequestrados no ataque de 7 de outubro, que fez cerca de 1.200 vítimas mortais.

c/ agências
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