Terra à beira de ultrapassar cinco pontos críticos climáticos catastróficos

por Inês Moreira Santos - RTP
Claudia Morales - Reuters

Os alertas são constantes e com a COP28 a decorrer, os especialistas reforçam os alertas: muitas das ameaças mais graves à humanidade estão cada vez mais próximas de acontecer, à medida que a poluição por carbono continua a acelerar o aquecimento global. O planeta já está a enfrentar "efeitos dominó devastadores". A conclusão foi divulgada esta quarta-feira no relatório Global Tipping Points, que avisa que há já cinco pontos críticos em risco de serem ultrapassados.

De acordo com os resultados apresentados no relatório, a Terra está em risco de ultrapassar cinco limiares naturais importantes, sendo que outros três podem ser alcançados também na década de 2030, se o planeta aquecer 1,5°C acima das temperaturas pré-industriais. Os cientistas não têm dúvidas: as consequências serão perigosas e irreversíveis, afetando as populações e a natureza.

“Pontos de rutura críticos no mundo natural representam algumas das ameaças mais graves enfrentadas pela humanidade”, lê-se no documento. “O seu desencadeamento danificará gravemente os sistemas de suporte à vida do nosso planeta e ameaçará a estabilidade das nossas sociedades”.

Um dos exemplos citados pelos especialistas é o “colapso da grande circulação do Oceano Atlântico, combinado com o aquecimento global”, o que pode levar à “perda de metade da área global destinada ao cultivo de trigo e milho”.

“Cinco grandes pontos críticos já correm o risco de serem ultrapassados devido ao aquecimento neste momento e mais três estão ameaçados na década de 2030, à medida que o mundo ultrapassa os 1,5°C de aquecimento global”, frisam os autores, acrescentando que os danos totais “serão muito maiores do que o impacto inicial” ao propagar-se em “cascata através dos sistemas sociais e económicos globais”.

Estes pontos críticos em risco mostram, segundo os ambientalistas, “que a ameaça representada pela crise climática e ecológica é muito mais grave do que normalmente se entende e é de uma magnitude nunca antes enfrentada pela humanidade".
Mundo está numa “trajetória desastrosa”
Para além dos danos irreversíveis e dos riscos para a humanidade, o relatório denuncia o facto de não haver “governação global adequada à escala das ameaças”.

“O mundo está numa trajetória desastrosa”, salientam.

O problema, explicam estes ambientalistas, é que ultrapassar um destes pontos críticos pode desencadear o mesmo processo com os outros, “causando um efeito dominó de mudanças aceleradas e incontroláveis nos nossos sistemas de suporte à vida”.

“Prevenir isto – e fazê-lo de forma equitativa – deverá tornar-se o objetivo central e a lógica de um novo quadro de governação global”, advertem os autores do estudo, que consideram que “a prevenção só é possível se as sociedades e os sistemas económicos forem modificados para reduzir rapidamente as emissões e repor as condições da natureza”.

A atual abordagem de mudança incremental linear, segundo os mesmos, “já não é uma opção”. “As instituições de governação existentes e as abordagens de tomada de decisão precisam de se adaptar para facilitar a mudança”.

No entanto, nesse período de tempo em que os líderes mundiais alteram e adaptam as suas decisões, ou definem “ações adequadas”, podem ainda “ser desencadeados pontos de rutura negativos” – o que obrigada as sociedades a tornarem-se “urgentemente mais resilientes para minimizar os danos”.
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