Tratores em Paris. Agricultores em protesto contra assinatura do acordo entre UE e Mercosul
Os agricultores pedem medidas de apoio face ao que consideram ser concorrência desleal com a entrada de produtos da América do Sul no país.
Cerca de 350 tratores da Federação Nacional dos Sindicatos Agrícolas (FNSEA) e da Juventude Agrícola, chegaram às primeiras horas da manhã a Paris, vindo do norte de França. Percorreram as principais artérias da cidade, como os Campos Elísios, até chegarem à Assembleia Nacional, onde se reuniram num cordão com 1,2 quilómetros. Rosário Salgueiro | correspondente da RTP em Paris
Os agricultores prometem “ficar até sermos ouvidos”, tendo o presidente da FNSEA, Arnaud Rousseau, reunido com a presidente da Assembleia Nacional, Yaël Braun-Pivet, e com o presidente dos Republicanos, Bruno Retailleau. Irá reunir-se com representantes do governo esta tarde.
Les quais ce matin, aux abords de l’Assemblée nationale. @BFMTV pic.twitter.com/nBrUum3Q6F
— Marie Gentric (@MarieGentric) January 13, 2026
Rousseau pede “um texto de urgência” e o “encaminhamento ao Tribunal de Justiça da União Europeia para que a jurisdição competente possa determinar se o acordo UE-Mercosul está ou não em conformidade com o direito europeu”.
Ao contrário da manifestação da passada quinta-feira, convocada pela Coordenação Rural, foi autorizada pela Prefeitura da polícia.
Dispositif de sécurisation et de circulation mis en place par la préfecture de Police à l’occasion de la manifestation déclarée par les agriculteurs de la FNSEA le 13 janvier 2026.
— Préfecture de Police (@prefpolice) January 12, 2026
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A ministra da Agricultura e Soberania Alimentar, Annie Genevard, apelidou o protesto de “preocupação legítima, que compreendo perfeitamente”, mas apela “à calma e ao respeito pelas pessoas e pela propriedade”.
Através da rede social X, a governante lembra que foi apresentado na passada sexta-feira “plano de emergência que aumenta o compromisso do Estado para 300 milhões de euros e prevê simplificações concretas”, como a proibição da importação de produtos que contenham substâncias fitofarmacêuticas proibidas, e a suspensão do Mecanismo de ajustamento carbónico fronteiriço para fertilizantes.
La mobilisation des agriculteurs traduit une inquiétude légitime, que je comprends pleinement. J’en appelle, comme toujours, au calme et au respect des personnes et des biens.
— Annie Genevard (@AnnieGenevard) January 13, 2026
Des premières réponses concrètes ont d'ores et déjà été apportées vendredi avec un plan d'urgence…
Um dos pontos de maior tensão, a barricada na autoestrada A64, perto de Toulouse, erguida há um mês, começou a ser desmantelada pela polícia às 4h00 (3h00 em Lisboa), tendo sido totalmente removida ao final da manhã. No entanto, o grupo Ultras da A64 já prometeu “remobilizar”.
Uma das causas dos protestos é o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e os países da Mercosul. Este acordo foi concluído em 2019, mas só foi aprovado pela UE na passada sexta-feira, e será assinado este sábado, no Paraguai.
O acordo permite uma eliminação gradual das tarifas sobre os produtos agrícolas sul-americanos, o que preocupa a França, que votou contra o acordo, por receio de circulação de produtos que não cumpram as normas sanitárias do espaço comunitário.
No entanto, a UE defende o acordo como uma alternativa à dependência face à China e uma poupança de cerca de quatro mil milhões de euros em tarifas e prometeu apoios aos agricultores, como o reforço do orçamento comunitário para a agricultora, para atenuar o impacto da proposta redução da Política Agrícola Comum (PAC).