Trump admite ter enviado Giuliani à Ucrânia para reunir informações sobre os Biden

por RTP
Foto: Tom Brenner - Reuters

Donald Trump admitiu ter enviado o seu advogado Rudy Giuliani à Ucrânia para que este encontrasse informações comprometedoras sobre Joe Biden, adversário do atual Presidente nas eleições que se realizam este ano. Trump, que foi recentemente absolvido no processo de destituição, tinha anteriormente negado o envolvimento de Giuliani.

Quando, numa entrevista realizada quinta-feira, o jornalista Geraldo Rivera perguntou a Donald Trump se tinha sido “estranho” enviar o advogado Rudy Giuliani à Ucrânia e se essa era razão de arrependimento, a resposta do Presidente foi clara.

“Não, de forma alguma”, admitiu, aproveitando para elogiar o papel de Giuliani no “combate ao crime”.

“Aqui está a minha escolha: ou lido com os Comeys deste mundo, ou lido com o Rudy”, afirmou o Presidente, referindo-se ao antigo diretor do FBI, James Comey, que Trump despediu em 2017.

Remetendo para o facto de Comey ter sido criticado pela forma como conduziu a investigação sobre a alegada ingerência russa nas eleições presidenciais de 2016, o Presidente explicou que tem “má impressão” dos serviços de inteligência norte-americanos e que, por isso, recorreu diretamente a Giuliani.

“O Rudy era o procurador número um, um dos melhores procuradores, e também o melhor presidente da Câmara” de Nova Iorque, sustentou Trump, acrescentando que presidentes anteriores tiveram atitudes semelhantes para com os seus advogados pessoais.

“Outros presidentes também os tinham. Franklin Roosevelt tinha um advogado que (…) estava totalmente envolvido com o Governo. Eisenhower tinha um advogado. Todos eles tinham advogados”, argumentou.
Provas contra Giuliani
Giuliani foi uma peça central no processo de destituição de Donald Trump, que recentemente terminou com a absolvição do Presidente dos dois crimes de que era acusado: abuso de poder e obstrução ao Congresso.

Durante o processo, várias testemunhas denunciaram encontros entre Giuliani e antigos funcionários do Governo ucraniano em busca de informações comprometedoras sobre a família de Joe Biden, rival democrata de Trump.

Quando, em novembro, o Presidente foi questionado sobre o envio de Rudy Giuliani à Ucrânia, este negou tê-lo feito, apesar de, já na altura, o ter considerado um “grande lutador contra a corrupção”.

Pouco antes do final do processo de impeachment, em fevereiro deste ano, a Câmara dos Representantes norte-americana revelou ter provas cruciais contra Trump, nomeadamente dezenas de páginas com comunicações efetuadas entre Rudy Giuliani e o seu associado Lev Parnas, nascido na Ucrânia.

Entre as provas encontrava-se também uma carta de Giuliani para Zelensky na qual o advogado de Trump pedia uma reunião entre os dois presidentes. “O Presidente Trump tem conhecimento e consentiu” neste pedido, afirmou o advogado na missiva.

Donald Trump diz acreditar que a família Biden está envolvida em crimes de corrupção na Ucrânia – onde Hunter Biden trabalhou na empresa de gás Burisma – e na China. O Presidente dos Estados Unidos já afirmou aliás que, para além da Ucrânia, também a China deveria investigar os Biden.

O processo de impeachment foi iniciado em dezembro passado pela oposição democrata, que acusou Trump de ter pressionado o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a investigar a atividade da família de Joe Biden numa tentativa de sair beneficiado nas eleições presidenciais deste ano.
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