Trump dá a Teerão "dois ou três dias" ou até "para a semana" para fechar acordo nuclear

Trump dá a Teerão "dois ou três dias" ou até "para a semana" para fechar acordo nuclear

O presidente dos Estados Unidos deu esta terça-feira um novo ultimato ao governo iraniano, para concluir "num prazo limitado" o acordo sobre o seu programa nuclear, sob os termos de Washington.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Donald Trump, numa apresentação aos jornalistas das obras em curso no novo Salão de Baile da Casa Branca Foto: Kevin Lamarque - Reuters

Donald Trump advertiu Teerão de que, em caso de fracasso nas negociações, os Estados Unidos estão prontos a lançar um ataque militar em grande escala.

"Estou a dizer dois ou três dias. Talvez sexta-feira, sábado, domingo. Algo talvez no início da próxima semana. Um prazo limitado", declarou Trump aos jornalistas, durante uma visita ao estaleiro de construção do novo salão de baile da Casa Branca.Segunda-feira, Trump anunciara a suspensão de um ataque marcado para esta terça-feira, mostrando-se otimista com o rumo das conversações.

Pouco depois, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou em conferência de imprensa que continua a observar divisões na liderança iraniana.

A posição negocial de Teerão permanece incerta, acrescentou Vance, enquanto a administração Trump procura um acordo para pôr fim à guerra.

"Os próprios iranianos não têm muita clareza sobre a direção que desejam seguir", afirmou o vice-presidente. "Além disso, o país está dividido", disse Vance aos jornalistas na Casa Branca.

"Há a liderança do país, o líder supremo, e muitos outros funcionários abaixo dele que exercem alguma influência nas negociações. Por vezes, não é totalmente claro qual é a posição negocial da equipa", acrescentou.
Processo "confuso"
Vance disse que não era claro se as divisões eram fruto de má comunicação ou má-fé, mas que o resultado era um processo confuso.

"Posso afirmar com segurança que, por vezes, é difícil compreender exatamente o que os iranianos querem alcançar com a negociação", concluiu.

Segundo Trump, os aliados dos EUA no Médio Oriente disseram-lhe que estavam "muito perto de chegar a um acordo" que impediria o Irão de adquirir armas nucleares, o principal objetivo invocado por Washington para a guerra.

"Não podemos permitir que eles obtenham uma arma nuclear. Se tivessem uma arma nuclear, destruiriam rapidamente Israel e atacariam a Arábia Saudita, o Kuwait, os Emirados Árabes Unidos, o Qatar e todo o Médio Oriente. Seria um holocausto nuclear", considerou o presidente dos EUA.

O impasse quanto a um acordo com as autoridades iranianas tem levado Trump a ameaçar e a recuar diversas vezes nas últimas semanas, desde a declaração de um cessar-fogo.

O presidente norte-americano afirmou que, segunda-feira, esteve prestes a retomar a ofensiva militar contra a República Islâmica. Recuou a pedido de vários aliados árabes do Golfo, incluindo a Arábia Saudita e o Qatar, para voltar a dar espaço à diplomacia.

Trump afirmou que ordenou às Forças Armadas norte-americanas que se preparassem para desencadear um "ataque em grande escala" contra o Irão a qualquer momento e que esteve "a uma hora" de ordenar o reinício dos ataques contra o Irão, o que teria posto fim ao cessar-fogo em vigor desde abril.
Missão que "vale a pena"

A República Islâmica rejeitou repetidamente as condições impostas pelos Estados Unidos e apresentou na segunda-feira uma contraproposta através de mediadores paquistaneses, embora o conteúdo da proposta permaneça desconhecido.

Entretanto, o bloqueio do estreito de Ormuz continua a alimentar receios de perturbações graves no comércio global de petróleo e de um agravamento da instabilidade económica internacional. 

Donald Trump afirmou também esta terça-feira acreditar que a guerra dos EUA contra o Irão é popular e que, mesmo que não o seja, impedir Teerão de desenvolver armas nucleares é uma missão que vale a pena.

"Olhe, toda a gente me diz que é impopular, mas eu acho que é muito popular quando as pessoas ouvem que se trata de armas nucleares, armas que podem destruir Los Angeles, que podem destruir grandes cidades muito rapidamente", disse aos jornalistas na Casa Branca.

"Seja popular ou não, tenho de o fazer, porque não vou deixar o mundo explodir enquanto estiver no comando", disse Trump. "Isso não vai acontecer".

c/Lusa
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