Trump diz que não se "importa" com o fim das negociações com Teerão

Trump diz que não se "importa" com o fim das negociações com Teerão

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse, esta segunda-feira, que não tinha recebido antecipadamente qualquer comunicado do Irão sobre a suspensão das negociações com os EUA. Referiu depois que não "se importa" se as negociações terminarem. "Não podia importar-me menos", afirmou.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Donald Trump durante uma reunião do seu gabinete na Casa Branca, a 27 de maio 2026 Foto: Evan Vucci - Reuters

(em atualização)

Segundo uma entrevista à CNBC, o presidente norte-americano disse não estar preocupado com o eventual fim das negociações com Teerão.

"Não me importo se elas terminaram, honestamente... Eu realmente não me importo. Não podia importar-me menos", disse Trump a Eamon Javers, numa entrevista por telefone.

Em declarações anteriores à NBC News, num breve telefonema, o presidente norte-americano tinha frisado que os EUA não foram informados com antecedência da decisão iraniana de suspender o diálogo.

"São melhores negociadores do que combatentes", disse Trump  "Mas não nos informaram disso".

"Isto não significa que vamos andar por aí a bombardear tudo", acrescentou,
 sobre a suspensão do diálogo, defendendo depois que um período de silência seria benéfico.

"Acho que temos falado demais, para dizer a verdade. Acho que o silêncio seria muito bom, e poderia durar tanto quanto eles quisessem", disse Trump, definindo uma estratégia. “Vamos simplesmente ficar em silêncio. Vamos manter o bloqueio" [do Estreito de Ormuz].
Diálogo com o Hezbollah

Numa catadupa de declarações, o presidente dos EUA garantiu depois que Israel e o Hezbollah lhe prometeram a paz no Líbano e afirmou ainda que as negociações com Teerão estavam de facto em curso.

Na sua rede Truth Social, Trump afirmou que "falou", através de intermediários, com o grupo paramilitar libanês Hezbollah, alegando que este lhe tinha prometido "não atacar Israel". Nunca nenhum presidente dos EUA falou com o Hezbollah, com ou sem intermediários. O grupo é considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos.

"Tive uma conversa muito produtiva com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e não haverá tropas a ir para Beirute, e quaisquer tropas que estivessem a caminho já foram impedidas de prosseguir", disse Trump numa publicação no Truth Social. 

Fontes no local referiram depois, à Al Jazeera, que um ataque com um drone israelita teve como alvo a cidade de Majdal, no distrito de Tiro, no sul do Líbano, enquanto dois ataques aéreos israelitas foram relatados na cidade de Nabatieh al-Fawqa, colocando em dúvida a suspensão das operações israelitas anunciada por Trump.

Duas fontes israelitas tinham revelado à agência Reuters, que Israel aguardava apenas a aprovação final do presidente norte-americano para prosseguir com a operação nos subúrbios do sul de Beirute que anunciou durante a tarde.

"Da mesma forma, através de representantes de alto nível, tive uma conversa muito produtiva com o Hezbollah, e eles concordaram em cessar todos os bombardeamentos", afirmou Trump. 



Um responsável libanês disse à Reuters que o Hezbollah informou os EUA, através do presidente do parlamento libanês, Nabih Berri, de que estava disposto a suspender os ataques ao norte de Israel em troca de Israel poupar Beirute e os seus arredores.

Trump disse ainda na mesma Truth Social, que "as decisões" com o Irão "prosseguem a um ritmo rápido", negando alegações de Teerão sobre o fim do diálogo. 



Irão responsabiliza Israel e EUA por violação de tréguas

De acordo com notícias avançadas esta segunda-feira, pela agência iraniana Tasnim, a equipa de negociação do Irão estará a retirar-se das trocas de mensagens com os EUA, realizadas através de mediadores, devido à ofensiva isarelita no sul do Líbano, que se agravou nos últimos dias.  Teerão tinha já afirmado que não haveria mais negociações com os Estados Unidos até que fosse cumprida a exigência de fim dos ataques de Israel ao Líbano. 

O Governo iraniano não comentou a notícia, embora o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Seyed Abbas Araghchi, tenha publicado anteriormente no X que um “cessar-fogo entre o Irão e os EUA é inequivocamente um cessar-fogo em todas as frentes, incluindo no Líbano”.

“Os EUA e Israel são responsáveis ​​pelas consequências de qualquer violação”, acrescentou.

Ao noticiar a suspensão do diálogo com os EUA, a Tasnim especificou que a decisão foi tomada devido aos crimes que Israel "continua a cometer" no Líbano e às violações "em todas as frentes" do cessar-fogo assinado a 08 de abril.

A emissora estatal iraniana frisou, por seu lado, que a probabilidade do cessar-fogo entre o Irão e os Estados Unidos terminar é elevada se os ataques israelitas ao Líbano não cessarem.

A Tasnim tinha anteriormente noticiado que Teerão estava a considerar o encerramento total do Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial que transportava um quinto do fornecimento mundial de petróleo antes da guerra, e o bloqueio de outras vias navegáveis, incluindo o Estreito de Bab el-Mandeb, com o objectivo de punir Israel e os seus aliados.

A IRGC, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irão, confirmou depois informações de que estava a considerar alargar as operações militares com "os seus aliados", devido à recente ofensiva israelita no Líbano, contra o Hezbollah, a guerrilha xiita libanesa apoiada por Teerão.
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