Mundo
Guerra no Médio Oriente
Trump diz que não se "importa" com o fim das negociações com Teerão
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse, esta segunda-feira, que não tinha recebido antecipadamente qualquer comunicado do Irão sobre a suspensão das negociações com os EUA. Referiu depois que não "se importa" se as negociações terminarem. "Não podia importar-me menos", afirmou.
(em atualização)
Segundo uma entrevista à CNBC, o presidente norte-americano disse não
estar preocupado com o eventual fim das negociações com Teerão.
"Não me importo se elas terminaram, honestamente... Eu realmente não me importo. Não podia importar-me menos", disse Trump a Eamon Javers, numa entrevista por telefone.
"Não me importo se elas terminaram, honestamente... Eu realmente não me importo. Não podia importar-me menos", disse Trump a Eamon Javers, numa entrevista por telefone.
Em declarações anteriores à NBC News, num breve telefonema, o presidente norte-americano tinha frisado que os EUA não foram informados com antecedência da decisão iraniana de suspender o diálogo.
"São melhores negociadores do que combatentes", disse Trump "Mas não nos informaram disso".
"Isto não significa que vamos andar por aí a bombardear tudo", acrescentou, sobre a suspensão do diálogo, defendendo depois que um período de silência seria benéfico.
"Tive uma conversa muito produtiva com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e não haverá tropas a ir para Beirute, e quaisquer tropas que estivessem a caminho já foram impedidas de prosseguir", disse Trump numa publicação no Truth Social.
Um responsável libanês disse à Reuters que o Hezbollah informou os EUA, através do presidente do parlamento libanês, Nabih Berri, de que estava disposto a suspender os ataques ao norte de Israel em troca de Israel poupar Beirute e os seus arredores.
Trump disse ainda na mesma Truth Social, que "as decisões" com o Irão "prosseguem a um ritmo rápido", negando alegações de Teerão sobre o fim do diálogo.
"São melhores negociadores do que combatentes", disse Trump "Mas não nos informaram disso".
"Isto não significa que vamos andar por aí a bombardear tudo", acrescentou, sobre a suspensão do diálogo, defendendo depois que um período de silência seria benéfico.
"Acho que temos falado demais, para dizer a verdade. Acho que o silêncio seria muito bom, e poderia durar tanto quanto eles quisessem", disse Trump, definindo uma estratégia.
“Vamos simplesmente ficar em silêncio. Vamos manter o bloqueio" [do Estreito de Ormuz].
Diálogo com o Hezbollah
Numa catadupa de declarações, o presidente dos EUA garantiu depois que Israel e o Hezbollah lhe prometeram a paz no Líbano e afirmou ainda que as negociações com Teerão estavam de facto em curso.
Na sua rede Truth Social, Trump afirmou que "falou", através de intermediários, com o grupo paramilitar libanês Hezbollah, alegando que este lhe tinha prometido "não atacar Israel". Nunca nenhum presidente dos EUA falou com o Hezbollah, com ou sem
intermediários. O grupo é considerado uma organização terrorista pelos
Estados Unidos.
"Tive uma conversa muito produtiva com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e não haverá tropas a ir para Beirute, e quaisquer tropas que estivessem a caminho já foram impedidas de prosseguir", disse Trump numa publicação no Truth Social.
Fontes no local referiram depois, à Al Jazeera, que um ataque com um drone israelita teve como alvo a cidade de Majdal, no distrito de Tiro, no sul do Líbano, enquanto dois ataques aéreos israelitas foram relatados na cidade de Nabatieh al-Fawqa, colocando em dúvida a suspensão das operações israelitas anunciada por Trump.
Duas fontes israelitas tinham revelado à agência Reuters, que Israel
aguardava apenas a aprovação final do presidente norte-americano para
prosseguir com a operação nos subúrbios do sul de Beirute que anunciou
durante a tarde.
"Da mesma forma, através de
representantes de alto nível, tive uma conversa muito produtiva com o
Hezbollah, e eles concordaram em cessar todos os bombardeamentos", afirmou Trump.
Um responsável libanês disse à Reuters que o Hezbollah informou os EUA, através do presidente do parlamento libanês, Nabih Berri, de que estava disposto a suspender os ataques ao norte de Israel em troca de Israel poupar Beirute e os seus arredores.
Trump disse ainda na mesma Truth Social, que "as decisões" com o Irão "prosseguem a um ritmo rápido", negando alegações de Teerão sobre o fim do diálogo.
Irão responsabiliza Israel e EUA por violação de tréguas
De acordo com notícias avançadas esta segunda-feira, pela agência iraniana Tasnim, a equipa de negociação do Irão estará a retirar-se das trocas de mensagens com os EUA, realizadas através de mediadores, devido à ofensiva isarelita no sul do Líbano, que se agravou nos últimos dias. Teerão tinha já afirmado que não haveria mais negociações com os Estados Unidos até que fosse cumprida a exigência de fim dos ataques de Israel ao Líbano.
O Governo iraniano não comentou a notícia, embora o
ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Seyed Abbas Araghchi, tenha
publicado anteriormente no X que um “cessar-fogo entre o Irão e os EUA é
inequivocamente um cessar-fogo em todas as frentes, incluindo no
Líbano”.
“Os EUA e Israel são responsáveis pelas consequências de qualquer violação”, acrescentou.
“Os EUA e Israel são responsáveis pelas consequências de qualquer violação”, acrescentou.
Ao noticiar a suspensão do diálogo com os EUA, a Tasnim especificou que a decisão foi tomada devido aos crimes que Israel "continua a cometer" no Líbano e às violações "em todas as frentes" do cessar-fogo assinado a 08 de abril.
A emissora estatal iraniana frisou, por seu lado, que a probabilidade do cessar-fogo entre o Irão e os Estados Unidos terminar é elevada se os ataques israelitas ao Líbano não cessarem.
A emissora estatal iraniana frisou, por seu lado, que a probabilidade do cessar-fogo entre o Irão e os Estados Unidos terminar é elevada se os ataques israelitas ao Líbano não cessarem.
A Tasnim tinha anteriormente noticiado que Teerão estava a considerar o encerramento total do Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial que transportava um quinto do fornecimento mundial de petróleo antes da guerra, e o bloqueio de outras vias navegáveis, incluindo o Estreito de Bab el-Mandeb, com o objectivo de punir Israel e os seus aliados.
A IRGC, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irão, confirmou depois informações de que estava a considerar alargar as operações militares com "os seus aliados", devido à recente ofensiva israelita no Líbano, contra o Hezbollah, a guerrilha xiita libanesa apoiada por Teerão.