Mundo
Guerra no Médio Oriente
Guarda Revolucionária ameaça abrir "novas frentes" em resposta à ofensiva de Israel no Líbano
De acordo com a televisão iraniana, esta segunda-feira, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irão (IRGC) confirmou informações de que pretende alargar operações militares. Em comunicado, as Forças Armadas iranianas aconselharam depois os habitantes do norte de Israel a abandonar a área.
"O Irão considera que ultrapassar as linhas vermelhas no Líbano e em Gaza equivale a uma guerra direta" e, "em resposta, está determinado a conduzir operações defensivas" e a "abrir novas frentes", declararam os Guardas da Revolução, numa ameaça direta a alvos israelitas.
Mohsen Rezaee, um conselheiro do líder supremo do
Irão, aiatola Mojtaba Khamenei, advertiu na rede social X que Teerão
está a perder a "paciência". A paciência das Forças Armadas iranianas
tem limites", avisou.
O Quartel-General Central Khatam al-Anbiya das Forças Armadas do Irão alertou, em seguida, em comunicado, os residentes do norte de Israel e dos colonatos militares para que abandonem a região caso Israel realize o ataque ameaçado contra Beirute e os seus subúrbios a sul.
“Perante as repetidas violações do cessar-fogo por parte do regime, alertamos os residentes das zonas do norte e dos colonatos militares nos territórios ocupados que, caso esta ameaça se concretize, devem abandonar a região se não desejarem sofrer danos”, referiu o comunicado.
“Perante as repetidas violações do cessar-fogo por parte do regime, alertamos os residentes das zonas do norte e dos colonatos militares nos territórios ocupados que, caso esta ameaça se concretize, devem abandonar a região se não desejarem sofrer danos”, referiu o comunicado.
Os meios de comunicação iranianos tinham noticiado, esta segunda-feira, que Teerão e os seus aliados estavam a considerar a “ativação de outras frentes” além do estreito de Ormuz, incluindo o estreito de Bab al-Mandeb, em resposta aos ataques de Israel ao Líbano.
Outros alvos do Irão
A agência Tasnim precisou que o regime xiita iraniano, iria considerar o encerramento total do Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial que transportava um quinto do fornecimento mundial de petróleo antes da guerra, e o bloqueio de outras vias navegáveis, incluindo o Estreito de Bab el-Mandeb, com o objectivo de punir Israel e os seus aliados.
Aquela via marítima é uma das rotas mais vitais do
mundo, ligando o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e ao Oceano Índico.
A Tasnim não referiu quais os aliados que iriam apoiar o alargamento das
operações da IRGC, o qual poderá incluir tanto ao Hezbollah libanês
como aos Houthi iemenitas,
grupos armados que operam nos seus países em
defesa dos interesses de Teerão. O Hamas, um grupo
palestiniano igualmente apoiado militarmente pelo regime xiita, em Gaza,
foi obrigado a desescalar as sua operações após as operações israelitas
no território, ao longo de dois anos.
Os Houthi são conhecidos por operar na região, lançando mísseis contra alvos israelitas ou de aliados de Israel.
Hezbollah ameaça
A partir de Beirute, fonte próxima do Hezbollah, citada pela agência
noticiosa France-Presse (AFP), garantiu que o movimento pró-iraniano não
deixará de bombardear o norte de Israel, respondendo às ameaças
israelitas de atacar os subúrbios do sul de Beirute caso o grupo não
suspenda os seus ataques.
O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, declarou, esta segunda-feira, que não haverá "calma" em Beirute e nos seus arredores enquanto o Hezbollah não cessar os ataques.
Teerão anunciou entretanto, que suspendeu todo o diálogo com os EUA, via mediadores.
De acordo com a agência iraniana de notícias, Tasnim, a decisão foi tomada devido aos crimes que Israel "continua a cometer" no Líbano e às violações "em todas as frentes" do cessar-fogo assinado a 08 de abril.
Horas depois, o presidente norte-americano afirmou ser indeferente ao fim das negociações com Teerão. "Não podia importa-me menos", afirmou Trump.
Através do seu Ministério dos Negócios Estrangeiros, o Irão já havia reiterado que um cessar-fogo no Líbano é "uma condição essencial para qualquer acordo" de paz com os EUA.
A intensificação dos ataques israelitas nos últimos dias, contra o seu vizinho do norte e o avanço terrestre de forças israelitas em território libanês a uma profundidade inédita desde há 25 anos, levou já vários países do Médio Oriente e da Europa a condenar a acção militar, apelando, em vez disso, à diplomacia e ao fim do derramamento de sangue.
Israel tem justificado o agravamento da intensidade dos seus ataques e o avanço terrestre no Líbano, como uma resposta às violações do cessar-fogo por parte do Hezbollah, enquanto a guerrilha xiita libanesa, apoiada pelo Irão, declarou estar a atacar as forças israelitas em resposta aos contínuos ataques israelitas.