Twitter adverte Trump contra ameaças ou incitamentos à violência

por RTP

A rede social preferida do presidente norte-americano decidiu endereçar-lhe uma advertência velada, sem o designar pelo nome, mas também sem deixar dúvidas sobre o destinatário: mesmo um dirigente mundial pode ser congelado no Twitter.

Aparentemente, a advertência resulta das polémicas declarações de Donald Trump contra o primeiro whistleblower que denunciou em público as pressões que o inquilino da Casa Branca exerceu sobre o presidente ucraniano para que este procurasse informação comprometedora para o seu adversário político Joe Biden.

Embora Trump não tenha ameaçado directamente o denunciante através do Twitter, acusou-o, a esse anónimo informador, e também ao líder da comissão do Congresso para os serviços de informações, Adam Schiff, de "fraude e traição". Já em comentários posteriores, Trump acrescentara que os EUA "costumavam lidar [com a traição] de forma um pouco diferente do que fazemos agora". E em declarações à Fox News dissera também que destituí-lo da presidência equivaleria a empurrar o país para um guerra civil.

Pressupondo que conheça o suficiente da História norte-americana recente, Trump parecia aludir ao caso Rosenberg, em que Julius e Ethel Rosenberg, espiões pró-soviéticos no tempo da guerra contra o nazismo, foram condenados à morte e executados sob a acusação de "traição", depois de ter terminado a Segundo Guerra Mundial.

Com base no contexto alargado de declarações do presidente, a congressista democrata Kamala Harris pedira ao Twitter que suspendesse a conta de Trump, por considerar que ele utilizava abusivamente a rede para emitir ameaças e pressionar testemunhas.

Num primeiro momento, o Twitter respondera que Trump não fora tão longe que justificasse uma suspensão da sua conta. Mas agora, em texto sem assinatura, reflectindo portanto uma posição oficial do Twitter, a rede social sugere que um líder mundial pode, mesmo sem violar directamente os preceitos de utilização, colocar-se numa posição equívoca que, sem justificar a suspensão, justifique pelo menos congelá-lo num limbo em que ninguém possa responder-lhe, nem partilhar ou aplaudir as suas mensagens com likes.

Lembrando a liberalidade das suas normas de utilização, o texto reafirma que "em geral não constituem violação das regras do Twitter as interacções directas com outras figuras públicas, os comentários sobre temas políticos actuais, ou o arrastar de sabres [saber rattling] de política externa nas questões económicas ou militares".

Mas logo passa a precisar que, "se o tweet de um líder mundial viola as regras do Twitter, havendo um claro interesse público em manter o tweet visível, nós podemos colocá-losob uma notificação que apresente o contexto da violação".

A isto acrescenta que "as contas dos líderes mundiais não estão completamente acima da nossa política". E mais adiante afirma ainda que "manteremos a nossa política e a nossa abordagem em consideração, especialmente se nos chegar mais informação sobre o vínculo entre tweets de líderes mundiais e o potencial para danos causados fora da rede".