Ucrânia. Pentágono confirma envio de 2.000 tropas dos EUA para a Polónia e Roménia

Um contingente de duas mil tropas norte-americanas atualmente em solo americano vai ser estacionado na Polónia e na Alemanha com outros mil soldados de um esquadrão de infantaria estacionados em solo alemão a serem enviados para a Roménia.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Joe Biden, Presidente dos EUA Reuters

A informação foi dada por dois altos responsáveis do Pentágono à agência Reuters e surge como mais um degrau na escalada de tensão que se vive nas fronteiras leste da União Europeia e da Ucrânia. As transferências das tropas norte-americanas terão início nos próximos dias e poderão chegar rapidamente aos 5.000 homens se for necessário. Washington reforça os aliados da NATO em resposta ao que considera a ameaça russa de invasão da Ucrânia, depois de Moscovo ter estacionado mais de 100 mil soldados, incluindo artilharia pesada e hospitais de campanha, junto às fronteiras ucranianas.

A CNN publicou esta quarta-feira igualmente uma série de imagens satélite a comprovar a gradual concentração de tropas russas junto às províncias leste da Ucrânia, assim como na Bielorrússia e na Crimeia.

As imagens foram recolhidas pela Maxar, para quem o amassar de tropas "reflete um nível crescente de atividade e prontidão". A Maxar e outros provedores de imagens satélite afirmaram estar a notar há vários meses um alargamento dos campos de exercícios militares russos e a presença de guarnições de tropas russas a cerca de 240 quilómetros da fronteira ucraniana.

As imagens comprovam ainda a movimentação de tropas russas para a Bielorrússia. Rússia e Bielorrússia marcaram em dezembro exercícios militares conjuntos junto às fronteiras com a Polónia e países bálticos.

O reforço das tropas da NATO no leste europeu com um "pequeno" contingente norte-americano tinha sido anunciado pelo Presidente Joe Biden dia 29 de janeiro.

O Pentágono já explicou que o reforço não é permanente nem significa que os soldados norte-americanos a serem enviados para o leste da Europa venham a combater na Ucrânia.

"Estas medidas não são permanentes", garantiu o porta-voz do Pentágono John Kirby, sublinhando que o objetivo é tranquilizar os aliados, num momento de maior tensão, com o reforço das posições militares russas nas fronteiras da Ucrânia.

"As tropas que estamos a enviar não vão combater na Ucrânia", esclareceu ainda Kirby, referindo-se aos soldados estacionados na Alemanha e que vão para a Roménia, bem como aos soldados que sairão de Fort Bragg, na Carolina do Norte, em direção à Alemanha e à Polónia.

"Este é um sinal forte que queremos enviar ao Presidente Putin e ao mundo", explicou o porta-voz do Pentágono.

Putin acusa EUA
Biden reforçou sábado passado a preferência por uma solução diplomática para o braço de ferro. Moscovo tem garantido que não tenciona invadir a Ucrânia mas exigiu garantias à NATO, de que irá retirar dos seus mais recentes membros da Europa de leste e negar a adesão da Ucrânia à Aliança. Requerimentos negados com veemência pelas partes envolvidas.

Vladimir Putin acusou na terça-feira os EUA de estarem a criar deliberadamente um cenário projetado para atrair a Rússia para a guerra, de forma a usarem o confronto como pretexto para impor mais sanções ao país. O presidente russo acusou ainda Washington de estar a ignorar as "principais preocupações" da Rússia relativamente à Ucrânia.

"É Washington, e não Moscovo, que está a alimentar as tensões. Não vamos recuar e ficar atentos às ameaças de sanções dos EUA", escreveu a embaixada russa em Washington na sua página do Facebook, em resposta a um tweet do corpo diplomático norte-americano que acusa Moscovo de "invadir" a Ucrânia em 2014, anexando a península da Crimeia.

Os EUA têm alertado que uma invasão russa à Ucrânia teria consequências “horríveis” para ambos os lados, mas insistem que o conflito “não é inevitável”. Na terça-feira, após uma chamada telefónica com o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, o secretário de Estado dos EUA, Anthony Blinken, enfatizou a disposição dos EUA de continuarem a discutir "preocupações de segurança mútuas".

Quarta-feira foi confirmado o envio de cerca de 3.000 tropas norte-americanas para o leste da Europa, como reforço do poder NATO na área. Moscovo deverá considerar a decisão como mais uma prova das suas acusações e da má fé negocial do Ocidente.
Ucrânia e NATO em alerta
Na Ucrânia, os enviados da RTP encontraram sinais de tensão.
Têm-se formado várias milícias de cidadãos, com civis ucranianos a receber treino militar nas últimas semanas.

O ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros, Dmytro Kuleba, alertou esta quarta-feira que o perigo de uma invasão russa se mantém, apesar das iniciativas diplomáticas estarem a refrear o Kremlin.

Kuleba frisou que Kiev e Washington coincidem na sua análise da ameaça mas considerou que a Rússia ainda não concentrou tropas em número suficiente para uma invasão em larga escala.

União Europeia e Estados Unidos têm anunciado sanções severas contra altos responsáveis russos, incluindo o próprio Presidente Vladimir Putin e a possibilidade de não ativar o gasoduto Nordstrem2, que transporta gás natural russo para a Alemanha, caso Moscovo avance sobre território ucraniano. Diversos analistas questionam contudo a eficácia das ameaças ocidentais, sobretudo quando uma intervenção militar concreta dos Aliados parece estar fora de questão.

Até agora, o único apoio militar oficial ao exército ucraniano por parte do Ocidente tem sido o envio de armamento e o estacionamento de vasos de guerra em águas a sul da Ucrânia para impedir eventuais movimentações marítimas russas oriundas da Crimeia contra território ucraniano.

A 24 de janeiro, a NATO colocou de prontidão as suas tropas no leste da Europa e anunciou o reforço dos contingentes com tropas, navios e aviões de caça. Na altura Washington referiu que 8.500 das suas tropas ficariam em alerta e prontas a serem transferidas para o leste europeu caso a Rússia invadisse a Ucrânia.

Os EUA já têm entre 75.000 e 80.000 soldados na Europa como forças permanentes estacionadas e como parte de rotações regulares em países aliados, como a Polónia.

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, prometeu igualmente que a Aliança iria "tomar todas as medidas necessárias" em preparação de uma possível invasão russa, incluindo o estacionamento de contingentes de combate no flanco europeu de leste.

A NATO tinha então cerca de 4.000 tropas divididas em batalhões multinacionais na Estónia, Letónia, Lituânia e Polónia, com apoio de carros armados, defesa aérea e unidades de vigilância e informação. Os países da NATO no leste da Europa receiam vir a ser os próximos alvos de Moscovo, embora a Rússia garanta não ter interesse em iniciar qualquer conflito.

Com agências
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