EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Ucrânia suspensa da Cimeira de Minsk

Ucrânia suspensa da Cimeira de Minsk

Os combates continuaram durante a madruga na Ucrânia, fazendo pelo menos mais três mortos em Donetsk, quando uma estação de autocarros foi bombardeada, e 19 mortos entre os soldados ucranianos que combatem em Debaltseve. Apesar disso, o Presidente ucraniano, Petro Poroshenko, realizou uma visita-surpresa a Kramatrosk, a 50 quilómetros da linha da frente, onde terça-feira um ataque com morteiros matou 16 pessoas e feriu outras 48, de acordo com Kiev.

Graça Andrade Ramos, RTP /
Presidente da Ucrânia Petro Poroshenko examina restos de munições em Kramatorsk, a 50 quilómetros da linha da frente. Mikhail Palinchak, Reuters

"Exigimos uma paz incondicional", escreveu Poroshenko na sua página oficial.

"Exigimos um cessar-fogo, a retirada de todas as tropas estrangeiras e o encerramento da fronteira", acrescentou. "Iremos encontrar um compromisso dentro do país", disse ainda o Presidente da Ucrânia. A pressão sobre Moscovo e os separatistas é enorme, com os Estados Unidos a admitirem já o envio de armamento defensivo à Ucrânia se não houver cessar-fogo. Na terça-feira o Presidente Barack Obama telefonou a Putin, para o convencer a aceitar a oportunidade apresentada pela Cimeira em Minsk. A Câmara dos Representantes dos EUA aprovou entretanto nova legislação que permitirá fornecer à Ucrânia mil milhões de dólares em auxílio para se defender dos separatistas pró-russos.

Exigências que poderão pôr em perigo a Cimeira de Minsk, que debate hoje o plano de paz apresentado por Paris e Berlim em Kiev e em Moscovo, ainda antes de esta ter começado.

As conversações juntarão à mesma mesa os presidentes da Ucrânia e da Rússia, Poroshenko e Vladimir Putin, numa conversa orientada pela chanceler alemã Angela Merkel e pelo Presidente francês, François Hollande, padrinhos da iniciativa.

Ambos confirmaram esta manhã a sua presença em Minsk, após conversarem ao telefone para "fazer um ponto rápido da situação", revelou o Eliseu. Vão "tentar tudo até ao fim" para conseguir uma solução diplomática, acrescentou a Presidência francesa.
Após a Cimeira, Petro Poroshenko irá participar na cimeira europeia marcada para quinta-feira em Bruxelas.Esforços diplomáticos
O conflito ucraniano arrasta-se há dez meses e já fez 5.300 mortos, na maioria civis. O Ocidente acusa a Rússia de armar e de apoiar com homens os separatistas pró-russos do leste da Ucrânia, algo que Moscovo nega veemente. O Governo russo acusa por sua vez o Ocidente de imperialismo, através da adesão da Ucrânia à União Europeia e à NATO.

Na capital da Bielorrússia, a diplomacia já começou a movimentar-se. Os representantes das autodenominadas repúblicas do Povo, Denis Pushilin, por Donetsk, e Vladislav Deinego, por Luhansk, foram filmados à conversa com jornalistas.

Observadores da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) também já se encontram em Minsk para participar na elaboração de um texto guia para o plano de paz a negociar dentro de poucas horas.

Leia aqui os principais pontos em discussão para o cessar-fogo


O acordo a conseguir não é fácil. O último cessar-fogo, acordado em setembro, foi praticamente ignorado. Esse cessar-fogo serve contudo de base ao plano de paz apresentado na semanada passada pelo Presidente francês e pela chanceler alemã, tanto a Poroshenko como a Putin.

Os detalhes do plano não foram revelados, mas desde setembro os rebeldes pró-russos conquistaram mais cerca de 500 quilómetros quadrados de território, de que não deverão querer abrir mão.
PUB