Mundo
Vice-secretária de Estado dos EUA insulta UE em telefonema sobre Ucrânia
A divulgação de um telefonema entre a vice-secretária de Estado norte-americana para os Assuntos Europeus, Victoria Nuland, e, alegadamente, o embaixador norte-americano na Ucrânia, Geoffrey Pyatt, está a embaraçar a diplomacia dos Estados Unidos. Aparentemente sem saber que estão a ser gravados, estão ambos a concertar a estratégia para o novo governo da Ucrânia e a contribuição da ONU. A certa altura, Nuland despreza a contribuição europeia para a solução da crise, com um "a UE que se f...".
A clareza da gravação permite identificar claramente a secretária de Estado adjunta dos EUA e Victoria Nuland já terá pedido desculpas junto da UE.
A conversa, de 4,10 minutos, foi publicada quinta-feira no YouTube com legendas em russo e o título "Marionetas de Maidan", numa referência aos manifestantes da oposição ucraniana pró-europa que ocupam há várias semanas a praça Maidan, em Kiev, apesar do frio e da violência.
O vídeo espalhou-se como fogo depois de Dimitry Losukov, adido do vice-primeiro-ministro russo, o ter publicado no Twitter, dizendo que era "controversa", e de o jornal russo The Kyiv Post ter pegado na história.
"A UE que se f..."
Victoria Nuland está atualmente na Ucrânia e tem trabalhado nas últimas semanas para encontrar uma solução política que inclua a oposição ucraniana no governo.
Na sua conversa telefónica com o embaixador Pyatt ambos sublinham a necessidade de consolidar as mais recentes propostas, antes que a Rússia intervenha e deite tudo a perder.
Após aprovar a escolha de um diplomata da ONU, Robert Serry, designado representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para a Ucrânia, Nuland exprime a sua frustração com a contribuição europeia, pondo-a sumariamente de parte.
"Este tipo da ONU, Robert Serry, será fantástico para colar as coisas, por ter esta cola da ONU, e olha, a UE que se f...", diz a secretaria de Estado adjunta.

Pyatt afirma a Victoria Nuland que "é necessário fazer qualquer coisa para colar tudo porque podes ter a certeza que quando isto começar a descolar, os russos vão trabalhar nos bastidores para o torpedear".
No seu diálogo, Nuland e Pyatt analisam ainda os méritos dos três líderes da oposição ucraniana, Vitaly Klitschko, Arseniy Yatseniuk and Oleh Tyahnybok.
Vitaly Klitschko, um ex-boxeur, é aparentemente considerado demasiado fraco para ser uma aposta. "Penso de Yats (Arseniy Yatseniuk) é o que tem experiência económica" refere Victoria Nuland.
Análises que poderão ter sérias repercussões no decorrer da negociação para a saída da crise.Boa qualidade audio
A autenticidade da conversa nunca foi negada pelos EUA e a própria Nuland já terá pedido desculpas à diplomacia europeia, de acordo com a porta-voz do Departamento de Estado, Jennifer Psaki.
"Trabalhamos de forma particularmente próxima com a União Europeia e os seus representantes e é isso que tem feito a secretaria de Estado adjunta no caso da Ucrânia", explicou.
Nuland, acrescentou Psaki, "esteve em contacto estreito com a responsável pela diplomacia europeia, Catherine Ashton, contactou com os seus homólogos europeus e apresentou com certeza as suas desculpas (...) pelas palavras proferidas".
Até agora não foi divulgada a autoria da fuga de informação que levou à publicação da conversa de Nuland e Pyatt.
Em Kiev, aos jornalistas Nuland diz apenas que "não vai comentar uma conversa diplomática privada," sublinhando apenas o "profissionalismo impressionante" da gravação, com "qualidade audio muito boa" numa aprente alfinetada irónica aos serviços secretos russos.

Moscovo mantém silêncio quanto à autoria da gravação da conversa e o próprio adido Losukov desvalorizou o seu tweet, lembrando que que não foi ele o autor da publicação do vídeo.
A um jornalista, igualmente via Twitter, Losukov diz que o episódio está a ser aproveitado pela diplomacia norte-americana para atacar o governo russo. E, questionado sobre o papel da Rússia, responde "como posso eu saber? Estava a monitorizar a internet enquanto o meu patrão estava numa reunião com o líder da China".
Tácticas da guerra fria
A divulgação das palavras de Nuland coincide com acusações de Moscovo de que a oposição ucraniana tem estado a ser financiada e armada pelos EUA.
Vários analistas veem a divulgação do telefonema como um regresso a estratégias de guerra fria, quando o bloco americano e soviético procuravam torpedear as respetivas manobras diplomáticas para influenciar um país ou região do globo. A diplomacia americana referiu que a diplomacia russa atingiu um novo nível de baixeza e para o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, "a divulgação da conversa no Twitter por parte do governo russo diz muito do papel da Rússia" na crise ucraniana.
Ambas as potências se acusam mutuamente de interferência ilegítima nos assuntos ucranianos.
Em novembro de 2013, pressionado por Moscovo, o governo pró-russo de Viktor Yanukovich recusou assinar um acordo de cooperação económica e de comércio com a União Europeia e, desde então, a violência dos protestos por parte da oposição e manifestantes pró-ocidentais tem crescido perante a resposta musculada do governo de Yanukovich.

Nas últimas semanas o confronto agudizou-se, alastrando das ruas de Kiev a várias cidades ucranianas. Desde o início de fevereiro assiste-se a um impasse, enquanto decorrem nos bastidores negociações políticas.
Intervenção militar russa
Diplomaticamente a Rússia tem aproveitado para denunciar o que considera ser a ingerência dos Estados Unidos nas questões internas ucranianas, acusando Washington de violar um tratado de 1994 e insinuando que a Rússia está a considerar intervir militarmente no país.
Sergei Glazyev, um conselheiro do Presidente Vladimir Putin para a Ucrânia, encorajou as autoridades ucranianas a esmagar o que referiu ser uma tentativa de golpe por parte de "rebeldes", financiados e armados pelos americanos.Em entrevista a um jornal russo, Glazyev acusou Washington de violar um tratado de não interferência de 1994, ao tentar controlar os acontecimentos em Kiev.
"Aquilo que os americanos estão a fazer, interferindo unilateral e cruamentemente nos assuntos internos da Ucrânia, é uma clara violação daquele tratado" de 1994.
Isto, referiu, dá à Rússia o direito legal de intervir na crise. Glazyev não especificou contudo que tipo de intervenção seria essa.
A conversa, de 4,10 minutos, foi publicada quinta-feira no YouTube com legendas em russo e o título "Marionetas de Maidan", numa referência aos manifestantes da oposição ucraniana pró-europa que ocupam há várias semanas a praça Maidan, em Kiev, apesar do frio e da violência.
O vídeo espalhou-se como fogo depois de Dimitry Losukov, adido do vice-primeiro-ministro russo, o ter publicado no Twitter, dizendo que era "controversa", e de o jornal russo The Kyiv Post ter pegado na história.
"A UE que se f..."
Victoria Nuland está atualmente na Ucrânia e tem trabalhado nas últimas semanas para encontrar uma solução política que inclua a oposição ucraniana no governo.
Na sua conversa telefónica com o embaixador Pyatt ambos sublinham a necessidade de consolidar as mais recentes propostas, antes que a Rússia intervenha e deite tudo a perder.
Após aprovar a escolha de um diplomata da ONU, Robert Serry, designado representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para a Ucrânia, Nuland exprime a sua frustração com a contribuição europeia, pondo-a sumariamente de parte.
"Este tipo da ONU, Robert Serry, será fantástico para colar as coisas, por ter esta cola da ONU, e olha, a UE que se f...", diz a secretaria de Estado adjunta.
Pyatt afirma a Victoria Nuland que "é necessário fazer qualquer coisa para colar tudo porque podes ter a certeza que quando isto começar a descolar, os russos vão trabalhar nos bastidores para o torpedear".
No seu diálogo, Nuland e Pyatt analisam ainda os méritos dos três líderes da oposição ucraniana, Vitaly Klitschko, Arseniy Yatseniuk and Oleh Tyahnybok.
Vitaly Klitschko, um ex-boxeur, é aparentemente considerado demasiado fraco para ser uma aposta. "Penso de Yats (Arseniy Yatseniuk) é o que tem experiência económica" refere Victoria Nuland.
Análises que poderão ter sérias repercussões no decorrer da negociação para a saída da crise.Boa qualidade audio
A autenticidade da conversa nunca foi negada pelos EUA e a própria Nuland já terá pedido desculpas à diplomacia europeia, de acordo com a porta-voz do Departamento de Estado, Jennifer Psaki.
"Trabalhamos de forma particularmente próxima com a União Europeia e os seus representantes e é isso que tem feito a secretaria de Estado adjunta no caso da Ucrânia", explicou.
Nuland, acrescentou Psaki, "esteve em contacto estreito com a responsável pela diplomacia europeia, Catherine Ashton, contactou com os seus homólogos europeus e apresentou com certeza as suas desculpas (...) pelas palavras proferidas".
Até agora não foi divulgada a autoria da fuga de informação que levou à publicação da conversa de Nuland e Pyatt.
Em Kiev, aos jornalistas Nuland diz apenas que "não vai comentar uma conversa diplomática privada," sublinhando apenas o "profissionalismo impressionante" da gravação, com "qualidade audio muito boa" numa aprente alfinetada irónica aos serviços secretos russos.
Moscovo mantém silêncio quanto à autoria da gravação da conversa e o próprio adido Losukov desvalorizou o seu tweet, lembrando que que não foi ele o autor da publicação do vídeo.
A um jornalista, igualmente via Twitter, Losukov diz que o episódio está a ser aproveitado pela diplomacia norte-americana para atacar o governo russo. E, questionado sobre o papel da Rússia, responde "como posso eu saber? Estava a monitorizar a internet enquanto o meu patrão estava numa reunião com o líder da China".
Tácticas da guerra fria
A divulgação das palavras de Nuland coincide com acusações de Moscovo de que a oposição ucraniana tem estado a ser financiada e armada pelos EUA.
Vários analistas veem a divulgação do telefonema como um regresso a estratégias de guerra fria, quando o bloco americano e soviético procuravam torpedear as respetivas manobras diplomáticas para influenciar um país ou região do globo. A diplomacia americana referiu que a diplomacia russa atingiu um novo nível de baixeza e para o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, "a divulgação da conversa no Twitter por parte do governo russo diz muito do papel da Rússia" na crise ucraniana.
Ambas as potências se acusam mutuamente de interferência ilegítima nos assuntos ucranianos.
Em novembro de 2013, pressionado por Moscovo, o governo pró-russo de Viktor Yanukovich recusou assinar um acordo de cooperação económica e de comércio com a União Europeia e, desde então, a violência dos protestos por parte da oposição e manifestantes pró-ocidentais tem crescido perante a resposta musculada do governo de Yanukovich.
Nas últimas semanas o confronto agudizou-se, alastrando das ruas de Kiev a várias cidades ucranianas. Desde o início de fevereiro assiste-se a um impasse, enquanto decorrem nos bastidores negociações políticas.
Intervenção militar russa
Diplomaticamente a Rússia tem aproveitado para denunciar o que considera ser a ingerência dos Estados Unidos nas questões internas ucranianas, acusando Washington de violar um tratado de 1994 e insinuando que a Rússia está a considerar intervir militarmente no país.
Sergei Glazyev, um conselheiro do Presidente Vladimir Putin para a Ucrânia, encorajou as autoridades ucranianas a esmagar o que referiu ser uma tentativa de golpe por parte de "rebeldes", financiados e armados pelos americanos.Em entrevista a um jornal russo, Glazyev acusou Washington de violar um tratado de não interferência de 1994, ao tentar controlar os acontecimentos em Kiev.
"Aquilo que os americanos estão a fazer, interferindo unilateral e cruamentemente nos assuntos internos da Ucrânia, é uma clara violação daquele tratado" de 1994.
Isto, referiu, dá à Rússia o direito legal de intervir na crise. Glazyev não especificou contudo que tipo de intervenção seria essa.